A certa altura, ele olhou para um dos armários e, através do vidro da
porta, reparou numa caixinha transparente que ali se encontra e que contém diversas
amêndoas de chocolate.
Então, ele pediu-me:
- Posso comer uma daquelas bolinhas?
Eu ainda tentei dissuadi-lo, dizendo:
- Ó filho, elas fazem mal...
Pergunta ansiosa do menino:
- São venenosas!?
Ao que eu respondi logo:
- Não, meu amor. Mas, elas têm muito açúcar e fazem mal aos teus dentinhos.
Ele insistiu:
- Mas eu queria uma daquelas branquinhas.
Então, eu dei-lhe a entender que só acederia com uma condição:
- Sim, meu querido. Mas, só pode ser uma. Está bem?
Ele acenou afirmativamente com a cabecita e, encostando a língua aos dentes superiores
(o que transforma o s numa espécie de d), disse:
- Sim.
Estabelecido este «contrato» entre avô e neto, eu dei-lhe uma amêndoa
branca.
Ele mastigou-a muito bem, engoliu-a e não me pediu mais nenhuma.
Depois, eu fiquei a pensar cá para mim: com esta idade, onde é que o
menino aprendeu a palavra “venenosas”!? E como é que sabe que as coisas
venenosas fazem mal!?...
Boa Páscoa para todos.
Avô Quim
Boa Páscoa para todos.
Avô Quim





