Pois bem
Todos devem estar a se perguntar o que eu teria de recordações de Portugal se nem ao menos conheço esse pais?
Tenho a vos informar que realmente nunca estive em Portugal, mas pelas tantas idas e vindas de meu pai (Polivio) a sua terra natal, e de tanto ele contar as coisas que viveu por lá posso dizer que em minha mente, bem como em minha vida existem recordações de Portugal.
Agora vou contar algumas delas.
Eu era bem pequena quando meu pai um belo dia disse: "Vou a Europa, estou com saudades de todos..."
E ai ele foi. Sempre que ia ficava por lá pelo menos trêes meses, e eu ficava aqui esperando seu retorno com muita espectativa, pois além dos presentes que sempre acompanhavam sua bagagem ele trazia também muitas histórias, isso quando não trazia algum parente junto, como o fez uma vez, trazendo sua irmã Laurinda.
Pois bem é sobre este epsódio que quero contar. O dia em que meu pai chegou acompanhado de sua irmã foi uma festa lá em casa, pelo menos minha mãe trocou os móveis da sala (rsrsrs) as cortinas, e os badulaques, tudo para agradar a cunhada.
Minha mãe ficou tão nervosa e preocupada com a chegada da tia Laurinda que nem parecia a mesma pessoa queria sempre agradar, mas quem disse que tia Laurinda estava preocupada com isso?
Lembro-me de que passeamos muito levamos ela para conhecer a baixada santista (nossa praia paulista) fica há 1 hora de São Paulo, levamos ela para ver nossos parentes e amigos aqui do Brasil e o mais engraçado é que quando ela estava para retornar a Portugal conseguiu convencer a minha madrinha (Tia Maria) a ir junto com ela. Achei engraçado porque com aquele leva e trás de gente eu só queria saber quem é que iria voltar com a minha tia Maria.
A tia Maria quando voltou trouxe também muitas histórias, mas a mais engraça e a que dou risada até hoje é do fato de que ela presenciou uma briga da tia Laurinda com não sei quem lá por causa de uma pedaço de pano, mas ai o padre se meteu no meio e a Tia Laurinda bateu no Padre (rsrsrsr).
Gente esta história é contada atá hoje aqui em casa, é motivo de muita risada pois ficamos imaginando o padre apanhando.
Outra coisa que me lembro é do meu pai tirando da mala um tal "estudante de Coimbra", era uma estatueta toda preta com um pano vermelho pelas costas. Pra mim naquela altura parecia mais uma padre, hoje olho para a mesma estatueta e recordo-me com alegria.
E quando meu trazia cerejas portuguesas, ai meu Deus, dá até água na boca. E as amendoas, nossa ...
Tínhamos aqui também um galo que media a temperatura, esse era a sensação lá de casa. O bichinho ficava azul, verde, rosa. Muito engraçado, todo mundo que chegava meu pai ia mostrar.
Meu pai trouxe também um tal de "Licor de Merda", niguem quis tomar o treco. A bebida ficou guardada por anos e só foi aberta no dia do baile de minha formatura em 2001 (tava bom rsrs)
Troxe também um licor com uma pera dentro, esse foi engraçado, porque ele guardou tanto a bebida e depois de muitos anos resolveu abri-la, acho que foi no seu aniversário de 70 anos, a bebida estava estraga e a pera podre, demos muitas risadas e até falamos pra ele ir até ai novamente buscar outra.
Bom, o Quim colocou no blog uma poesia de um escrito brasileiro em homenagem a união dos povos portugueses e brasileiros. Eu agora vou colocar uma poesia de um poeta que ainda está entre nós, mas infelizmente muito doente. Trata-se de uma poesia que me foi entregue pelo meu pai há mais ou menos uns 28 anos. O papel está amarelado, mas continua intacto. Essa poesia foi feita pelo Tio Lapa, a quem agora presto homenagem, ele a escreveu para mim e por isso também serve para unir os Lapas aos Cruz do Carmo.
Então lá vai:
PARA A MINHA REGINA
1
Para que hei-de eu casar,
se só prevejo castigos!,
Quasi todos os casado,
Se tornam arrempedidos!
2
Mas se eu chegar a casar,
Tenham todos a certeza,
Que não é para desbanjar,
Nem o amor, nem riqueza!
3
Mas sim para conseguir,
Mesmo que com sofrimento,
Um rico e belo provir,
Cheio de contentamento!
FIM O TIO, responde:
Tinha vinte anos, eu
Pensava de igual maneira,.....
Por isso o que sucedeu,
Foi cair na ratoeira!!!!!!
FINALMENTE
Ele também escreveu uma para o meu irmão Sergio e vale à pena todos conhecerem:
PARA O MEU SERGIO
I
Nasci pouco inclinado,
Em desistir à primeira
Morrer triste e definhado
À sombra da bananeira?,.....
II
Cuidado meus pergaminhos!,
Vós não sereis maltratados!!!!!
Eu homem de colarinhos,.....
Não vos quero enxovalhados!!!!
III
Murchando quaisquer flores
Que plantei no meu quintal,
Comprá-las-ei bem melhores
E com ODOR especial!!!!
F I M
Pela vinda de B. Festas
Encantador senário, o
Tio responde:
Um burrinho (que meiguice!)
O teu tio (burro) contemplou!
Lembrando tanta tolice,
Que em sua vida engendrou!!!!!!!!
2
Quanto vi, bém natural,....
Mas vir um BURRO, "incrivel"
Com tantos em Portugal,
E vir mais um do Brasil!!!!!
FINAL-MENTE!
Pois bem estas são as minhas primeiras palavras de saudades de uma família que não conheço, mas que gostaria muito de conhecer...
Fiquem com Deus
Bjs
Regina (Brasil)
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