quarta-feira, abril 20, 2005

À minha Lua

«Mamy! Ter um filho custa muito?» Pergunta-me com frequência a minha filha Joana.
É fácil perceber porquê: é mulher, e não há nenhuma que resista a um «beijo de carne» quer ele vá ao colo da sua mãe, ou escondidinho num carrinho. O olhar de uma mulher procura sempre uns olhinhos - que não sei definir - que lhe façam recordar os que um dia beijou 1000 vezes e eram apenas «seus». Mas, a este ímpeto está ligado indissoluvelmente o receio, o medo da dor.
Eu respondo, como quem não dá muita importância à pergunta...«Claro que não custa muito ter um filho.» E desenvolvo um arrazoado de ideias e argumentos para descrever a beleza e o amor que se sente e vive depois desse momento e experiência inesquecíveis. Mas, neste caso às 5 horas da tarde do dia 20 de Abril, quando nasceu a Joana, a resposta é plenamente verdadeira. A Joana não custou nada a nascer. O Doutor Mário Mendes cumpriu o que me prometera... Não sofrer. E eu não sofri. A Joana nasceu através de uma cesariana, pois o cordão umbilical estava todo enrolado à sua volta, prendendo-a ao calor do ventre materno, como que advertindo-a ou a demorá-la em sinal divinatório de como a vida é difícil e cheia de sofrimento.
Ela hoje, mulher que é, sabe isso. E embora me tenha dito aos 10 anos: «Mãe, não quero crescer!», julgo que ama a vida e é feliz por ter nascido. A sua vida nunca perdeu sentido até hoje, e isso é a essência do existir. Não tenho dúvida de que terá a força, o saber, e a vontade de não desistir de construir em cada dia a sua felicidade, a sua «Eudaimonia».
Ela saberá sempre conciliar a virtude da prudência com a do conhecimento; os valores que a família lhe transmitiu com a humanidade, e a ternura que a constituem como pessoa.
Ela foi e é a minha força, a minha «caixinha dos segredos». Quando me fala é sempre para me dizer algo profundo, algo que me ensina a viver melhor.
No dia 20 de Abril nasceu o segundo filho da minha mãe, o meu irmão Jorge a quem abraço e desejo uma vida feliz e cheia de saúde. Nesse mesmo dia (uns anos depois) nasceu o meu segundo filho - a Graça Joana.
Minha filha, o teu nome é da inteira responsabilidade do pai que te adora, e muito embora naquela altura me tenha provocado um sentimento de estranheza (continha o meu nome), hoje é o nome mais doce que posso pronunciar ou ouvir. E a tua voz, quando entra em casa e chama «Mamy», enche de luz a minha alma como a lua ilumina uma noite fria.

Amo-te muito minha querida.

A tua mãe,

Graça

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