sábado, fevereiro 18, 2006

A Linha de Produção

Antes de mais nada quero agradecer as palavras simpáticas pelo meu aniversário que preferi fazer assim do que por meio de um comentário.

Depois quero dizer que tenho "investigado" que programa pode fazer a tarefa de legendar as fotos num diaporama em formato compatível com os leitores de DVD doméstico. Bem, até agora todos o fazem, mas nenhum tem as características ideais que são oferecidas pelo Powerpoin, resta-me confirmar se há uma forma fácil de converter uma apresentação em formato de DVD, mas penso que sim. Quando obtiver um resultado satisfatório darei notícias.

Agora como é meu costume aqui, apresento um dos meus textos sobre a guerra colonial que poderá ser lido no meu blog.

Quando se recorda uma guerra tendemos a falar dos momentos de violência e de terror e quase nunca dos momentos em que não acontece nada, a não ser a incapacidade de dominar o pensamento, porque é nesses momentos que interiorizamos o medo.
Antes de por o pé em Moçambique, da amurada do navio, um entre milhares de soldados, dei por mim a interrogar-me sobre o que seria que um barco de tropas traria de volta para a Metrópole, como nós dizíamos quando nos referíamos a Portugal. Um guindaste içava para o convés um enorme volume coberto por um oleado, depois outro. Ninguém parecia intrigado com aqueles volumes que iriam fazer a viagem ao contrário da que acabávamos de ter feito. Mas eu não resisti à tentação de ir levantar um dos oleados para ver o que era…
Depois, alguns meses depois, a imagem dos volumes a subirem para o convés, enquanto os soldados desciam para o porto de Lourenço Marques, regressou, como um mau presságio, na madrugada do meu último dia na guerra.

Link para o texto completo
Link para o blog

1 comentário:

Joaquim Gomes disse...

Amigo Manuel:

Muito obrigado pelo seu interesse sobre as legendagens possíveis em diaporamas que possam ser legíveis num DVD doméstico.
Obrigado também por mais um belo texto sobre a guerra colonial.
Estamos todos muito felizes pelo facto de você não ter tido nenhum azar naquele seu último dia de guerra e não ter regressado à Metrópole num daqueles grandes volumes cobertos de oleado (como vieram tantos infelizes cujo sacrifício foi em vão!...).
Um grande abraço.