quarta-feira, junho 28, 2006

A Ameaça da Primavera


Onde os homens sujaram de cinza, as plantas devolveram a cor. Não desiste a Natureza de mostrar como somos exíguos e perecíveis e nós, o último estádio da evolução, logo, logo abaixo de Deus, estamos já à espera que a Natureza se distraia para transformar o Verão em Inferno e tudo ficar cinza de novo.

Talvez seja um cardo, ou a memória do fogo, ou a raiva dos prados, ou a ameaça de que a perfídia dos homens não há-de prevalecer porque as plantas já cá estavam há muito e cá hão-de ficar depois do último de nós.

Mas sempre que a Primavera me tenta ensinar a esperança eu tento aprender. Sempre, todos os anos, como se nunca tivesse duvidado e agora venho aqui partilha-la convosco em jeito de prenda de anos atrasada para o Quim e outros consumidores de primaveras e de votos de sucesso para a Joaninha, com este primaveril diminutivo, apesar da sua merecida e douta condição.

Com esperança

Manuel

1 comentário:

Joaquim Gomes disse...

Amigo Manuel:

Obrigado por este seu postal tão cheio de vida e de esperança.
Já tínhamos saudades de o ver por aqui.
As suas reflexões são sempre muito interessantes.
São tão poucas as pessoas dispostas a partilhar algo com os outros (mesmo que sejam só palavras; e mesmo no interior das famílias...)!...
Muito obrigado pela prenda e pelos votos que enviou para mim e para a minha filha.
Um abraço nosso para si e para a sua família.

Quim