Miguel, hoje completas 27 anos.
Para mim, e comigo, já vives há 27 anos e nove meses. E estes últimos foram só comigo, só para mim, só meus.
Um irmão meu disse-me que eu não devia expôr a minha vida no blog porque toda a gente ficava a conhecê-la... Eu tenho uma opinião diferente. Escrevo o que sinto, o que sou, precisamente para que a minha vida não seja esquecida. O nada dizer, o nada narrar da experiência da minha vida é uma condição para que dela ninguém tire proveito, e que ela se perca na bruma do esquecimento, mesmo antes que eu morra.
É por isso, meu filho, que te digo novamente o que já sabes: És a minha vida, és o meu Sol.
Agora que o meu pai não pode cuidar de mim, só contigo me sinto tranquila e segura. Só tu me dás a protecção de que eu necessito para viver.
Fica aqui um episódio da nossa vida, que recordo com um carinho enorme:
Quando tinhas 3 anos e vivíamos em Viseu, estavas a ver televisão e eu ao teu lado. Gostavas muito dos episódios do «D’Artacão». Quando a música anunciava o início de mais um desenho animado, era acompanhada pela imagem do Planeta Terra que se ia afastando no ecran, e tu perguntaste-me:
- Aquilo é a Lua?
- Não. Aquilo é a Terra – respondi.
- Porque é que as casas não caem? – perguntaste tu.
Fiquei surpreendida e atrapalhada porque não sabia bem como explicar-te e resolvi responder:
- Sabes, a Terra é um planeta que tem dentro dela uma força que puxa os objectos...
Olhaste-me com um ar de pena pela minha ignorância e respondeste:
- Ó mãe, as casas não caem porque têm cola por baixo.
Calei-me!!! Quando o teu pai chegou, contei-lhe logo o acontecido na esperança de que pudesse alterar um pouco a tua ideia; e ele brincou contigo com um carrinho de íman que conseguia estar seguro ao irradiador de metal mesmo quando estava por baixo dele. O teu pai explicou-te então que acontecia o mesmo com as casas e a Terra. E tu correste para mim e disseste:
- Afinal, não é cola. As casas têm íman, mamã.
Aqui fica isto escrito para que um dia os teus filhos leiam e saibam como tu conseguias fazer-me perguntas mais difíceis que os meus alunos de Filosofia.
Parabéns, meu Filho.
P.S. – Aproveito este momento para dar também os parabéns à Ana Margarida, tua namorada, pelo seu aniversário de ontem.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário