sexta-feira, março 21, 2008

Dia Mundial da Poesia - 21/03/08

Fraternidade

Indiferentes vinham. Solitários.
No rumo igual movidos e parados.
Vinham definitivos e precários.
(“Mantenham os seus cintos apertados»).
Indiferentes. Diferentes. Vários.
Por faixas de aparência amordaçados.

Vinham coincidentes e contrários.
Distantes. Lado a lado. Separados.

Súbito, o instante fez-se estrondo e morte.
E bocas, rostos, dedos, pernas, braços,
Plasmou-os num só barro a mesma sorte.

E unidos se fundiram, siderais,
Etéreos renasceram nos espaços,
Irmãos agora e para sempre iguais.

Miguel Trigueiros - «Tempo Comum»


Os finos laços

Em círculos o riso se alargava.
E eram corcéis de sons galgando muros.
E eram vagas de chamas e de lava
Ondeando os montes dos seus seios puros.
E eram rios de riso. A rir se dava.
E sorriam com ela os céus escuros.

O seu riso cheirava a rosa brava
Perfumando baldios e monturos.

E ria, em risos de água transparente,
Juncava-nos com pétalas de som,
Punha aragens de riso no ar doente…

E a rir, a rir, deixámos de estar sós.
Com finos laços, o seu riso bom
Unira alegremente todos nós.

Miguel Trigueiros - «Tempo Comum»

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