domingo, março 21, 2010
Dia Mundial da Poesia - 2010
sábado, março 21, 2009
Dia Mundial da Poesia - 21/03/2009
Hoje comemora-se o Dia Mundial da Poesia!...
O meu sogro, Manuel Vicente Lapa (que faleceu em 25/01/2007), também foi um poeta popular e um amante da poesia.
Aqui ficam dois poemas dele ainda inéditos.
Esta é uma homenagem simples a uma pessoa que também era simples e boa.
Dois olhos pretos tristinhos
Dois olhos pretos, tristinhos,
Por não poderem mostrar
As ternuras e carinhos
Que tinham para me dar!...
Eu fingindo, distraído,
Sem me mostrar desgostoso.
Por não ter correspondido
Julgava ser venturoso!...
Hoje arrasto a existência
Muito a custo e infeliz.
Pesando-me a consciência
O quanto de mal eu fiz!...
Querido Anjo adorado,
Perdoa-me, por favor.
Bem sabes não ser culpado,
Mas o destino traidor!...
O Céu também faz partidas
Por consentir que o Demónio
Proíba que duas vidas
Se unam por matrimónio!...
Em respeito e adoração
Não há flor desabrochada
Que não seja visitada
Pela abelha diligente.
Como gosta ser beijada
Sempre que é visitada!
Como se mostra contente!...
Seu desejo é que seu néctar
Se venha a transformar
Num mel delicioso.
Perdoa até ser cortada
Se no altar colocada
Por honra ao Deus bondoso!...
Murcha, pende para o chão
Em respeito e adoração
Que deve ao seu Criador.
Deu odor à criatura.
E agora com a maior ternura
Se fina, a meiga flor!...
quarta-feira, julho 30, 2008
Um outro poema lindo!...
Este senhor é avô de uma grande amiga da Joana que se chama Madalena, que o avô dela trata por Lenita, e que nós conhecemos e tratamos por Madagui.
Flash
à Gracinha
1. Flor de nenúfar à tona
com achigãs lá no fundo;
quietude verde sobre águas
quase alheada do mundo!
na sombra sempre apartada!
De porcelana o rosto
com céus nos olhos de fada!
No peito guarda um segredo!
Do seu jardim ninguém sabe,
Vai segura e vai sem medo!
Mouro Serpa
Julho de 2008
O amor é uma companhia.

"O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."
sexta-feira, março 21, 2008
Dia Mundial da Poesia - 21/03/08
Indiferentes vinham. Solitários.
No rumo igual movidos e parados.
Vinham definitivos e precários.
(“Mantenham os seus cintos apertados»).
Indiferentes. Diferentes. Vários.
Por faixas de aparência amordaçados.
Vinham coincidentes e contrários.
Distantes. Lado a lado. Separados.
Súbito, o instante fez-se estrondo e morte.
E bocas, rostos, dedos, pernas, braços,
Plasmou-os num só barro a mesma sorte.
E unidos se fundiram, siderais,
Etéreos renasceram nos espaços,
Irmãos agora e para sempre iguais.
Miguel Trigueiros - «Tempo Comum»
Os finos laços
Em círculos o riso se alargava.
E eram corcéis de sons galgando muros.
E eram vagas de chamas e de lava
Ondeando os montes dos seus seios puros.
E eram rios de riso. A rir se dava.
E sorriam com ela os céus escuros.
O seu riso cheirava a rosa brava
Perfumando baldios e monturos.
E ria, em risos de água transparente,
Juncava-nos com pétalas de som,
Punha aragens de riso no ar doente…
E a rir, a rir, deixámos de estar sós.
Com finos laços, o seu riso bom
Unira alegremente todos nós.
Miguel Trigueiros - «Tempo Comum»
terça-feira, março 21, 2006
Dia Mundial da Poesia 2
Lembras-te, Amor! No alvor do casamento
Baixou sobre nós dois a luz dos céus.
Nossos olhos beijaram-se um momento;
-Só um do outro e os dois de Deus!
Lutei para cumprir o prometido.
Meu corpo e a minha alma são só teus.
Quando a voz das paixões me traz vencido,
A voz do amor segreda-me ao ouvido:
-Só um do outro e os dois de Deus!
À minha volta soa, noite e dia,
A risada escarninha dos ateus...
Cravam-se os estiletes da ironia:
Eu calo e rezo a minha litania:
-Só um do outro e os dois de Deus!
Cerca-me a tentação, velha serpente!
Escondem-me o horizonte negros véus.
Que importa, meu amor? Teimosamente,
Hei-de gritar à Vida, frente a frente:
-Só um do outro e os dois de Deus!
E amanhã, quando a Morte, de mansinho,
Vier pedir ao Mundo o nosso adeus,
Hão-de os anjos cantar, devagarinho:
-Terão na eternidade um só caminho,
Pois são só um do outro e os dois de Deus!
MIGUEL TRIGUEIROS
Dia Mundial da Poesia 1
À ciprina Laís, de quem sou tributário,
A Laís, que possui compridas tranças pretas,
P’lo meu escravo mandei, no seu aniversário,
Um cacho moscatel num cabaz de violetas.
Os amantes, que dão às suas namoradas
Fulgurantes anéis de riqueza estupenda,
Luminosos rocais e redes consteladas,
Hão-de sorrir, bem sei, da minha humilde of’renda.
Pensei em dar-lhe, é certo, um precioso colar
E um anel com mais luz do que o incêndio de Tróia,
Mas reconsiderei de pronto, ao atentar
Que ainda ninguém viu dar jóias a uma jóia…
Eugénio de Castro
quarta-feira, junho 29, 2005
A poesia não é um luxo supérfluo
Na tropa conhecem-se todo o género de pessoas, mas há pessoas que nunca se conhecem; convivemos com elas todos os dias, partilhamos a comida, a água e o medo, por esta ordem de importância, mas um dia surpreendem-nos com uma atitude que não encaixa na construção que ao longo do tempo fomos fazendo dentro de nós, usando as palavras, os risos, os gestos, as atitudes que eles nos forneceram.
O soldado, que crismei com o nome de Rodrigues, pouco me forneceu para construir uma imagem sobre si, mas fez-me sentir um imbecil por achar estranho que chorasse quando lhe transmiti uma ordem que recebera: destruir a plantação dos turras.
Milho, mandioca, já não me lembro. Em vez de cumprir a ordem como os outros, ficou a olhar para mim como se eu lhe tivesse pedido para matar alguém.
E quem disser que a poesia não tem utilidade, senão como um luxo intelectual para entreter os momentos de ócio depois de ter a barriga cheia, talvez aprenda alguma coisa lendo o Poema de Sophia que transcrevo abaixo e que o alferes do meu pelotão achou adequado para decorar o seu quarto, bem no meio daquela guerra, no mínimo dos mínimos prosaica, e que o colocou a ele um passo à frente para entender aquele soldado.
Pranto pelo dia de hoje
Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas
Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto, 1962
Ver o post original
segunda-feira, junho 13, 2005
Eugénio de Andrade
O «post» anterior presta-lhe homenagem com um belo poema dedicado à Mãe.
Em resposta ao nosso amigo Manuel, eu também quero homenagear aqui o poeta com um outro poema que é também muito conhecido.
Eu devo dizer que gosto mais da poesia que rima do que da poesia que não rima. A meu ver, é isso o que distingue a poesia da prosa (até porque a prosa também pode conter em si imensa poesia...).
Mas, Eugénio de Andrade também fez poemas com rima (como se pode ver abaixo).
A pouco e pouco, eu também vou começando a apreciar os poemas sem rima.
E é pela mão de Eugénio de Andrade que esta minha aprendizagem se vem fazendo desde há alguns anos.
Um grande obrigado a Eugénio de Andrade por tudo o que nos deixou.
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
(extraído de uma das várias colectâneas de poesia)
Os poetas não morrem
POEMA À MÃE
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
in «Os Amantes Sem Dinheiro» (1950)
quarta-feira, janeiro 05, 2005
Aniversário
Parabéns pelo teu aniversário. Oxalá contes muitos (pelo menos outros tantos...), sempre com saúde e boa disposição.
Aqui fica um poema como prenda de anos.
Com pequenas alterações do texto, ele também pode aplicar-se a ti.
A uns anos
Dura a vida como a flor;
Mas dura uma eternidade
Passada na ansiedade,
Passada no dissabor.
Quando a fortuna bafeja
O frágil batel da vida,
Nunca parece comprida,
Por mais comprida que seja.
Ora tendo vós a sorte
De ver hoje a vosso lado
O vosso filho adorado,
Vossa adorada consorte,
A natural alegria
Vos faz cair num engano;
Vós não fazeis mais um ano.
Fazeis mas é... mais um dia.
João de Deus - «Campo de Flores - I»
quinta-feira, dezembro 16, 2004
Dia de Natal
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
António Gedeão – “Poesias Completas (1956-1967)”
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Fernando Pessoa
“O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente,
Que chega a fingir que é dor,
A dor que deveras sente.”
Agora leiam o excerto outra vez mas mais lento…
Digam-m 1 coisa, vocês percebem o k é k ele ker dizer com aquilo, so podia tar maluco, a tradução para português deste excerto é:
“O Pessoa está maluco,
Foi-o desde criança,
De tanto escrever está rouco
K já a mim me cansa”
É para verem o k eu tenho de aturar nas aulas, os pensamentos escritos de um louco…
Mas para dar um espírito natalício a este post (que é o k se tem visto nos posts deste blog), vou digitar 1 poema de natal do FP intitulado “Ó sino da minha aldeia”.
“Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.”
Não era bem isto k estavam a espera, é verdade, isto não e um poema de natal nem tem nada a ver com tal tema, mas achei k os sinos da aldeia do FP (estranho, porque FP vivia na cidade) vos fizesse lembrar os sinos de natal… LOL