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sábado, maio 04, 2013

Um passeio com o Sr. Lapa

Hoje, sábado, estou com pouca vontade de dormir e, por isso, resolvi ir em pensamento dar um passeio com o meu bom amigo Sr. Manuel Vicente Lapa.
(...) Quando cheguei junto dele, dirigi-me ao meu querido sogro com todo o respeito como fiz sempre e como acho que ainda devo fazer mais agora, tendo em conta a actual condição dele.
- Olá, Sr. Lapa, como tem passado estes últimos seis anos?
- Olá, meu querido amigo e senhor Joaquim. Não tenho passado lá muito bem… Sabe como é estar para aqui seis anos deitado sempre na mesma posição? É uma grande maçada. O que me vale é que vou dizendo umas “larachas” aqui com os meus colegas mais próximos…
- Olhe, Sr. Lapa, por isso mesmo é que eu resolvi vir até aqui e convidá-lo a dar um passeio de carro comigo. O carro é o meu “velhinho” Opel Corsa que vai completar 19 anos já no mês que vem. Mas, ele é muito confortável, como você sabe muito bem. Sabe até onde vamos?
- Não faço ideia.
- Pois olhe. Eu achei interessante que fôssemos até à zona de Alcouce (freguesia de Vila Seca, concelho de Condeixa-a-Nova) que é a terra da sua naturalidade (claro), e vermos umas coisas bonitas que por lá há agora… Que me diz a esta proposta?
- Eu acho bem. Para mim, tudo o que seja sair desta rotina já é muito bom.
- Então vamos lá, Sr. Lapa. O carro está ali fora, mesmo junto ao portão de entrada deste recinto.
Uma vez acomodados no velho Corsa, dirigimo-nos sem quaisquer pressas para a zona da Quinta da Portela. As vias circulares da cidade de Coimbra são agora largas e estão ainda em bom estado de conservação. Por isso, chegámos lá rapidamente.
Uma vez atravessado o grande rio Mondego, passámos pela localidade de Ceira, virámos à direita e atravessámos desta vez o belo rio Ceira, chegando ao sítio da Conraria.
Começando a subir a serra, chegámos perto do Hospital de Sobral Cid. Ao encontrarmos um entroncamento, eu virei logo à nossa esquerda mas depressa me apercebi que me tinha enganado no caminho.
Mas, o Sr. Lapa fez uso do seu profundo conhecimento de todas aquelas paragens (que foram percorridas a pé - de dia e de noite -quando ele era mais novo e vinha todos os dias trabalhar para a cidade de Coimbra). E logo me tranquilizou, dizendo:
- Não se preocupe, Sr. Joaquim. O meu amigo pode continuar por esta estrada secundária porque ela dá a volta e vai encontrar de novo a estrada principal lá mais em cima, junto à Central Elétrica.
E assim aconteceu, “como de facto” (como diria na sua linguagem gongórica o seu ilustre irmão Padre Lapa).
Retomada a estrada principal, lá continuámos a subir lentamente a serra até à zona mais alta do concelho de Coimbra e à fronteira com o concelho de Condeixa-a-Nova.
E estamos quase a chegar à zona das novidades.
O meu amigo Sr. Lapa estava visivelmente satisfeito com o passeio e muito desejoso de voltar a ver as terras onde viveu em solteiro e as estradas e caminhos que conhecia como a palma das suas mãos (ou melhor, as plantas dos seus pés).
Mas, nesta altura, o Sr. Lapa começa a estranhar por já não estar a conhecer bem a paisagem que se estendia diante dos seus olhos inteligentes e experimentados.
- Mas… eu já não estou a conhecer bem isto!... O que se passa, Sr. Joaquim?
- Calma, Sr. Lapa. Vamos por partes – respondi eu.
Então, comecei a explicar sem pressas ao meu amigo Sr. Lapa que – apesar da grande crise económica que o país atravessa neste momento (e que tanto desemprego e tantos sacrifícios está a causar aos portugueses) – alguém decidiu construir com recurso às famosas PPP (parcerias público-privadas) a autoestrada A13 entre a cidade de Tomar e a vila de Condeixa-a-Nova, com ligação aqui à autoestrada A1.
Quando chegámos ao Nó de Almalaguês (ainda com algumas pequenas obras a decorrer), os olhos do nosso amigo arregalavam-se, cheios de satisfação.
- Mas... Eu estou a ver ali ao fundo a povoação de Almalaguês. Disso não tenho dúvidas, embora note que há bastante progresso a registar ali… Mas… Todo este Nó tão grande, com um viaduto e o arranjo de todas as vias principais e secundárias!… E a autoestrada que passa em frente de Almalaguês e, vinda de Condeixa-a-Nova, faz uma grande curva para a direita dirigindo-se à Vila de Penela…
Depois de se admirar com tudo isto o tempo que lhe apeteceu, o Sr. Lapa quis ir ver o terreno que calhou em partilhas à sua filha Graça.
Este é um terreno que o Sr. Lapa conhece muitíssimo bem porque fez dele inúmeros esboços destinados a tratar da sua inscrição na matriz predial onde o mesmo na altura se achava ainda omisso.
A este propósito, basta referir que – graças aos esforços e ao interesse do Sr. Lapa e à minha modesta ajuda – o terreno em questão está hoje devidamente inscrito na matriz predial da freguesia de Almalaguês, na 1ª repartição de finanças de Coimbra.
Assim, lá entrámos de novo para o velho Corsa e subimos o resto da serra até ao limite do concelho de Coimbra (de notar que uma das confrontações do terreno acima indicado é precisamente o limite da freguesia de Almalaguês e do concelho de Coimbra).
O Sr. Lapa observou com vagar o terreno da filha e o do vizinho, e aproveitou-se aquela ocasião para tirar algumas fotografias do dito terreno e de toda a paisagem circundante.
Depois de uma breve visita à povoação de Alcouce para “matar” saudades, voltámos a subir até à estrada principal.
Neste ponto mais alto da serra, reparámos demoradamente nas obras que lá ao longe continuam a decorrer a bom ritmo e que em breve farão uma pequena extensão da A13 que será uma ligação direta entre Almalaguês e Ceira (Coimbra).
A este propósito, o Sr. Lapa manifestou a sua enorme admiração e orgulho pelo facto de – embora esta extensão da autoestrada seja pequena em número de quilómetros – a mesma tem viadutos cuja altura dos pilares nos deixa boquiabertos e absolutamente espantados com estas proezas da engenharia portuguesa!…
Aqui chegados, descemos de novo até ao Nó de Almalaguês da autoestrada A13.
E estava na altura de sermos nós a “inaugurarmos” esta nova autoestrada.
E lá entrámos em direção a Condeixa-a-Nova e à autoestrada A1.
Foi deste modo que aprendemos que há muitas maneiras de pagarmos as portagens das novas autoestradas. Mas, que há maneiras que dão muito mais trabalho e que ficam mais caras do que outras…
E pronto. Chegámos a Coimbra num instantinho.
Lá fui levar o Sr. Lapa ao seu lugar de repouso.
Antes de entrarmos no recinto mais densamente povoado de Coimbra, o meu amigo Sr. Lapa ainda teve a conversa que já trazia na garganta há muito:
- Meu amigo senhor Joaquim, como está o nosso “migalhinhas” (Miguel) e a nossa querida Joaninha?
Eu apressei-me a satisfazer-lhe a curiosidade ansiosa:
- Sr. Lapa, o Miguel casou há cerca de 5 anos com uma mulher muito linda e muito meiguinha. E neste momento eles já têm um menino lindíssimo que se chama Simão e que tem quase 3 anos e meio...
- Qual é o nome todo do menino? – perguntou ele.
- Simão de Albuquerque Gomes – respondi eu.
Pareceu-me ver um bocadinho de tristeza nos olhos do velhinho. Mas, se calhar, foi impressão minha…
- E a Joaninha? – continuou o amigo Sr. Lapa.
- Ó Sr. Lapa, disse eu, a sua querida netinha apanhou em cheio com a crise da economia… Tirou o curso de Português-Inglês e está a ver que nunca vai conseguir dar aulas em qualquer escola do Estado Português. E o namorado dela, apesar de ter muitas habilitações académicas (mestrados, doutoramentos, trabalhos publicados, etc.) parece ir pelo mesmo caminho…
 - Ao que isto chegou!... – exclamou ele. Na minha juventude nós vivíamos bastante mal; mas parece que a juventude de hoje nem tem presente nem tem futuro… Lamento muito, muito o que está a passar-se com todos vocês.
- Muito obrigado, amigo Sr. Lapa.
Enquanto caminhávamos vagarosa e silenciosamente pelo recinto, notei que o Sr. Lapa tinha os seus olhos rasos de lágrimas… E disse-me baixinho o seguinte:
- Eu vou rezar muito por eles.
E pronto.
Por breves instantes, eu distraí-me a ver um passarinho pousado em cima de uma campa…
E, quando me voltei, já não vi de novo o meu amigo Sr. Lapa…
Então, dirigi-me à campa da minha mãe (situada a poucos metros da do Sr. Lapa), beijei-a repetida e sentidamente… e saí apressadamente do recinto.

Joaquim Moreira Gomes (1952-       )

segunda-feira, julho 20, 2009

Poesia e Memórias de Manuel Vicente Lapa

No dia 21 de Março do corrente ano (Dia Mundial da Poesia), eu coloquei neste blogue 2 poemas do meu sogro Sr. Manuel Vicente Lapa (falecido no dia 25/01/2007).
O meu sogro foi um grande amante da poesia e era também um poeta popular.
Ao longo da sua vida ele escreveu um grande número de poemas.
Uma boa parte deles veio a ser reunida numa colectânea familiar a que se deu o nome de «Testamento Poético».
O Sr. Lapa escreveu ainda as suas memórias, de que foi feita igualmente uma edição familiar (precisamente com o título de «Memórias») no já longínquo ano de 1996.
Agora, é possível colocar à disposição de todos, e em formato PDF, o «Testamento Poético» e as «Memórias» do Sr. Manuel Vicente Lapa.

Quem quiser pode fazer o downloud gratuito destes dois livros em:

http://rapidshare.com/files/257003403/Testamento_Poetico.pdf

http://rapidshare.com/files/257003884/Memorias_de_Manuel_Vicente_Lapa.pdf


O procedimento a seguir é o seguinte:

1 – Clicar no respectivo link
2 – Clicar em «Free user»
3 – Esperar alguns segundos até que apareça a tecla «Downloud»
4 – Clicar nesta tecla «Downloud»

Esperamos que todos gostem destes textos como nós gostamos.

sábado, março 21, 2009

Dia Mundial da Poesia - 21/03/2009

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Poesia!...

O meu sogro, Manuel Vicente Lapa (que faleceu em 25/01/2007), também foi um poeta popular e um amante da poesia.

Aqui ficam dois poemas dele ainda inéditos.

Esta é uma homenagem simples a uma pessoa que também era simples e boa.



Dois olhos pretos tristinhos


Dois olhos pretos, tristinhos,

Por não poderem mostrar

As ternuras e carinhos

Que tinham para me dar!...


Eu fingindo, distraído,

Sem me mostrar desgostoso.

Por não ter correspondido

Julgava ser venturoso!...


Hoje arrasto a existência

Muito a custo e infeliz.

Pesando-me a consciência

O quanto de mal eu fiz!...


Querido Anjo adorado,

Perdoa-me, por favor.

Bem sabes não ser culpado,

Mas o destino traidor!...


O Céu também faz partidas

Por consentir que o Demónio

Proíba que duas vidas

Se unam por matrimónio!...



Em respeito e adoração


Não há flor desabrochada

Que não seja visitada

Pela abelha diligente.

Como gosta ser beijada

Sempre que é visitada!

Como se mostra contente!...


Seu desejo é que seu néctar

Se venha a transformar

Num mel delicioso.

Perdoa até ser cortada

Se no altar colocada

Por honra ao Deus bondoso!...


Murcha, pende para o chão

Em respeito e adoração

Que deve ao seu Criador.

Deu odor à criatura.

E agora com a maior ternura

Se fina, a meiga flor!...

sexta-feira, janeiro 25, 2008

25 de Janeiro

Faz hoje 1 ano que faleceu o meu sogro, o Sr. Manuel Vicente Lapa.
Neste dia, todos os que lhe são próximos o recordaram com saudade e formularam votos de que ele se encontre bem e feliz numa outra vida, junto de todos os seus parentes e amigos que o precederam.
Ele foi sempre um homem trabalhador, honesto e piedoso.
Bem merece a recompensa em que sempre acreditou e para a obtenção da qual sempre se esforçou.
É neste entendimento que os familiares encaram com serenidade a sua passagem.
Em sua intenção, vai ser celebrada pelas 18,30 horas uma Missa na igreja paroquial de Nossa Senhora de Lurdes, nesta cidade de Coimbra.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Manuel Vicente Lapa

"Hoje o avô Lapa completaria 88 anos de vida.

A vida dele foi repleta de experiências que lhe deram um saber que nós jamais alcançaremos. A sua infância – cheia de irmãos –, a sua precária e inconstante aprendizagem escolar nunca lhe tiraram a vontade de aprender e de ser alguém na vida. Na adolescência, como trabalhador agrícola, já sabia o que os “velhos” admiravam: – onde ir buscar a enorme capacidade de aguentar o trabalho do campo com menos esforço e mais produtividade. Dizia-me tantas vezes: “Eu era um garoto ao lado deles, mas sabia que tinha que trabalhar sempre de modo a que o sol nunca me batesse no rosto”. Senão, o esforço físico era muito maior para fazer o mesmo trabalho.

Como Pai, foi por vezes muito duro, quase desumano. Mas soube sempre compensar-nos com uma enorme ternura e muitos momentos de brincadeira. Nessas alturas nunca percebi quem do “monte” de pernas e braços era mais criança. Mas sabia quem ria mais, quase até ficar sem fôlego.

Não tenho qualquer dúvida que ele amou os seus filhos – nem sempre da maneira mais pedagógica… Fez-nos sofrer… Mas a vida dele, à excepção dos filhos, era um rio de sofrimento, de dificuldades, onde faltava quase tudo, onde uma fatia de broa realizava o seu pleno sentido e matava a fome.

Foi este Pai a única pessoa que estava ao meu lado quando senti que ia ter um filho. Do meu quarto chamei: Papá, Papá… E ele já estava ao pé de mim quando eu o chamei pela segunda vez. Foi ele que me disse tudo o que me iria acontecer. Foi ele que me acalmou. Desde as 6 e meia da manhã do dia 31 de Agosto nunca saíu do meu quarto. Não me lembro do que falámos. Mas sei que me deve ter dito o melhor que sabia.

Sozinhos conversámos imenso. Nunca senti a falta da minha mãe. Já a manhã ia alta, era perto do meio-dia, e ele disse-me: “Filha, chegou a hora, pelas tuas dores, de um pai dar lugar a uma mulher. Por isso, vou chamar a mulher do Vítor que virá para junto de ti… Assim aconteceu…

Daí em diante, ele remeteu-se ao seu canto com o terço na mão.

Foi ele e a Sãozita que assistiram ao meu “sofrimento”; e não poucas vezes chorávamos os três. De todos, a São era a mais corajosa. O pai do menino chegou tarde. Vinha de Mogadouro, de terminar o seu turno de férias como Delegado do Procurador da República. A minha mãe, não sei quando regressou de férias.

Na tarde de 31 de Agosto, pelas 8 horas, fomos até à clínica da Sofia. Ao despedir-se de mim, o meu pai disse-me: “Vai e não tenhas receio porque eu fico a rezar por ti.”

Miguel, tu sabes quanto és um ser querido e amado por todos, meu filho. Mas talvez tenhas tido um lugar especial no coração do teu avô Lapa.

Às vezes, penso que se deve a isto o facto de ele - com a sua doença - se ter esquecido do nome de todas as pessoas excepto o do Francisco e o teu.

Já não sabia bem quem eu era, mas quando me via perguntava logo: “O meu Migalhinhas? Preciso de falar com o meu Miguel.” Nunca disse apenas Miguel; era sempre “o meu Miguel”. Até a Joaninha me disse várias vezes que o avô gostava mais do Miguel do que dela. É claro que eu tentava contrariar a evidência.

Sempre que o visitava, ele perguntava: “O meu Miguel como vai? Onde está?” Repetia, repetia… “Diz-lhe que preciso urgentemente de falar com ele…” E eu não ligava. Mas tu ias vê-lo e só tu podes recordar o seu olhar quando levantava os braços ao alto com o terço na mão, sempre que te via. Lembras-te daquele rir meio misturado com lágrimas? Eu nunca me esqueço. “Ai o meu menino, o meu Migalhinhas!” Deves recordar muitas brincadeiras com ele que eu não me lembro. Mas eu não me esqueço daquela alegria que ainda se vê no olhar dele fixado pelas fotos.

Estou convencida que, ao querer falar contigo, ao querer que tu lá fosses, ao insistir na tua presença, era uma maneira, se calhar das poucas maneiras de se sentir seguro, não abandonado. O mesmo acontece comigo hoje. Sempre que tu chegas, acho que nada de mal me pode acontecer. Os sentimentos do meu pai e os meus são os mesmos: de tranquilidade, de protecção, de amparo, de cuidado e de alegria.

Hoje compreendo melhor o meu pai. Hoje amo-o mais. Tal como ele, também tu me fazes muita falta, meu filho.

Hoje, dia 12 de Outubro, o avô Manuel Vicente Lapa completaria 88 anos.

Diz-lhe – no Blog, se quiseres – que não te esqueces dele. Diz-lhe que, tal como ele amava a música, também tu a amas; e, tal como ele admirava e enaltecia a Justiça, também tu não te esquecerás de lhe seguir os passos.

Não tenho dúvida que, para além da família e de Deus, só duas coisas ele venerava: – A Música e o Direito.

Meu Miguel, o avô não está connosco, mas ensina-nos a ser um dia avós, companheiros inesquecíveis dos nossos netos."

Todos nós, cada um à sua maneira, recordamos com saudade o meu avô.
Mesmo quem nunca o conheceu pode aceder à sua personalidade através dos seus escritos, das suas histórias, e daquilo que dizem dele os que o coheciam.
Ele era de facto um grande homem; e constitui, ainda hoje, um exemplo a seguir.
Este blog foi criado também em sua homenagem, e espero que sirva para o imortalizar.
Enquanto nos lembrarmos dele, a sua presença permanecerá.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Missa do sétimo dia

Hoje, pelas 18,30 horas, foi celebrada na igreja paroquial de Nossa Senhora de Lurdes (em Coimbra) uma missa do 7º dia por alma do Sr. Lapa.
Oxalá que ela tenha sido proveitosa para o falecido e também para os que estão vivos.
Estiveram presentes alguns conhecidos e amigos do Sr. Lapa que, no final, vieram apresentar as suas condolências aos familiares que ali se encontravam.
O Sr. Lapa foi sempre um homem justo, trabalhador e piedoso.
Ele deixou neste mundo familiares e amigos que hão-de recordá-lo por muitos anos e sempre com muita saudade.
Por isso, ele partiu de junto de nós mas há-de continuar connosco (na nossa memória).
Aqui fica este breve registo dos factos e dos sentimentos.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Manuel Vicente Lapa (1919-2007)

Hoje, dia 25/01/2007, pelas 11,40 horas, faleceu no Hospital da Universidade de Coimbra o meu sogro Sr. Manuel Vicente Lapa.
Amanhã, dia 26/01/2007, o seu corpo estará em câmara ardente a partir das 11 horas na igreja paroquial de Nossa Senhora de Lurdes. E, pelas 15,30 horas, será celebrada missa de corpo presente na referida igreja, após o que terá lugar o funeral para o cemitério da Conchada, nesta cidade.
É com muita pena que eu dou esta triste notícia a todos os membros da família Lapa espalhado pelo mundo.
Este blog «Lapa-Mundi» - e também o ‘site’ www.quim.pt.to – foram feitos, em grande parte, para prestar homenagem a esse homem extraordinário.
Quem quiser conhecê-lo melhor e/ou recordá-lo pode continuar a ler o que ele nos deixou escrito no ‘site’ acima referido.
O Sr. Lapa foi sempre um homem profundamente religioso. Oxalá que ele vá encontrar-se com todos os entes queridos que partiram antes dele; e – sobretudo – que obtenha a recompensa em que sempre acreditou e em função da qual orientou toda a sua vida.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Aniversário

Aqui se repete (com pequenas alterações) o texto que no ano passado foi dedicado ao Sr. Lapa:


O Sr. Manuel Vicente Lapa faz hoje a bonita idade de 87 anos!...
Esta data não podia deixar de ser assinalada, já que este homem teve um percurso de vida extraordinário e foi sempre um exemplo para os seus familiares e para todos os que o conheceram.
Felizmente, ele ainda continua vivo e junto de nós.
Mas, infelizmente, a sua doença do foro mental já não lhe permite tomar consciência disso.
Este blog dos «Lapas» e o site do «Quim» (cujo endereço é www.quim.pt.to) inspiram-se na figura deste homem e procuram honrá-lo, dando a conhecer a todos as Memórias e os vários textos literários (poesias) que ele nos deixou escritos.
Sr. Lapa:
Apesar da situação em que se encontra, muitos parabéns por mais este aniversário.
Enquanto há vida, há esperança.
Pode ser que algum dia você nos reconheça e consiga ter consciência da nossa alegria por continuarmos a tê-lo junto de nós.
Fazemos votos para que continue connosco ainda por muito tempo.

domingo, março 19, 2006

Para o meu pai no dia de todos os pais

Embora o meu pai já não saiba que eu ainda vivo, eu sei que ele existe, que vive, onde está, e onde posso procurá-lo sempre que me sinto triste e quando a vida me custa mais que o normal.
Ele e eu tornávamos a vida um pouco mais leve um ao outro...
Agora, quando lhe pergunto ao ouvido alguma coisa, sei que jamais me responderá. Agora, quando lhe peço algum conselho ao ouvido, sei que não mo dará. Mesmo assim, não me importo. Ele, lá no fundo, há-de saber que sou eu que lhe falo. Afinal, ele é o meu pai. Aquele que sempre me ouviu e protegeu. Que sempre esteve presente para me levar ao médico quando eu estava doente. E que eu vi muitas vezes a chorar... Era ele que se alegrava particularmente quando eu tirava uma boa nota nos estudos. Mas também era a ele que o meu coração mais gostava de dar a boa nova.
Era aborrecido muitas vezes, mais vezes que as necessárias. Mas foi ele que me deu um corpo, o meu companheiro de todos os dias, nos bons e maus momentos que têm sido a minha vida. Por isso lho agradeço.
O meu pai corrigiu-me e repreendeu-me ao longo do tempo. Foi o modo que ele encontrou para me formar como pessoa, para me educar e me dar as condições para eu ser o que sou hoje, como força intelectual, profissional e moral. De tal modo me imprimiu os valores humanos que eram seus que com eles me rejo hoje e sempre. E são esses mesmos valores que eu transmiti e que transmito àqueles que mais amo: - os meus filhos. É deste modo que prolongo o meu pai, não deixando que ele morra nunca.
Muitas vezes ele me visitou na minha casa para receber de mim algumas palavras e ideias com que orientava as suas acções e comportamentos nos seus últimos anos de consciência e de plenitude intelectual.
Dizia-me nessas alturas:
-
Filha, agora que te ouvi, já posso ir-me embora. Sinto-me reconfortado e com força para mais alguns dias. Quando me sentir perdido, bato-te à porta outra vez.
Por me ter ouvido, obrigada, meu pai. Por me ter feito sentir útil, bem-haja. Obrigada também por me ter feito sentir que eu valia a pena como ser humano. Mas, como posso agradecer-lhe o brilho dos seus olhos quando eles olhavam os meus filhos? Como pode uma mãe agradecer tais coisas? Será possível manifestar por palavras a minha gratidão?
Não posso deixar de o amar por tudo, apesar de nem sempre ter estado de acordo com as suas atitudes para com os meus irmãos que eu amava igualmente e que não conseguia ver sofrer... Mesmo assim, não posso deixar de o amar.
Bem-haja, meu pai, pelo exemplo que foi toda a sua vida e por tudo o que me ensinou e deu.
Agora, da sua cama, ele olha-me com olhos vazios. Mas, quando eu lhe falo, parece-me que sorri. Ou serão os meus olhos?...
Estou certa que, lá no fundo da sua inteligência, o meu pai sabe ainda que sou eu. Que eu sou, como ele dizia, “a menina dos seus olhos”. Será que é por eu não o ter comigo que o seu olhar se tornou baço e indefinido?... No meu coração eu sei que ele me conhece, que ele me sente e ouve. Por isso eu lhe digo baixinho, ao ouvido, para que ele não duvide:
- Papá, sou eu que estou aqui. Sou eu… Eu… A sua filha Graça.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Aniversário


O Sr. Manuel Vicente Lapa faz hoje a bonita idade de 86 anos!...
Esta data não podia deixar de ser assinalada, já que este homem teve um percurso de vida extraordinário e foi sempre um exemplo para os seus familiares e para todos os que o conheceram.
Felizmente, ele ainda continua vivo e junto de nós.
Mas, infelizmente, a sua doença do foro mental já não lhe permite tomar consciência disso.
Este blog dos «Lapas» e o site do «Quim» (cujos endereços são bem conhecidos) inspiram-se na figura deste homem e procuram honrá-lo, dando a conhecer a todos as Memórias e os vários textos literários (poesias) que ele nos deixou escritos.
Sr. Lapa:
Apesar da situação em que se encontra, muitos parabéns por mais este aniversário.
Enquanto há vida, há esperança.
Pode ser que algum dia você nos reconheça e consiga ter consciência da nossa alegria por continuarmos a tê-lo junto de nós.
Fazemos votos para que continue connosco ainda por muito tempo.