domingo, maio 31, 2009

Respostas que levantam outras tantas perguntas

Hoje o meu marido faz 57 anos.
Ele é o meu companheiro há quase 31 anos e é o pai dos meus filhos.
Não me tenho como uma pessoa vivida; mas conheço o suficiente dele para afirmar que hoje escolhe-lo-ia de novo como o homem da minha vida. Só ele me atura o mau feitio que tenho; e, embora não seja o marido ideal, ele é o pai PERFEITO.
Sinto-me feliz. E, se mais não tivesse, isso bastava para dar sentido e valer a pena ter vivido.
Ele não é homem para gastar dinheiro e não atribui valor a prendas, úteis ou inúteis, agradáveis ou nem por isso. Para ele isso não tem valor porque eu lhe dei as melhores prendas que um pai pode receber: o Miguel e a Joana.
Neste momento eles não estão "aqui presentes". Mas estão e são os mais preciosos bens que o pai poderia desejar na vida. Os nossos filhos são a nossa vida. E, quanto a mim, respiro para que eles vivam; e eles sorriem para que eu continue viva.
O mesmo acontece com o Quim. Eles são os seus olhos, a sua alegria, a sua razão de ser.
Gosto de pensar que o Quim é o meu sol, o fogo que me aquece; o Miguel o ar que eu respiro; a Joana a terra que me dá força; eu sou apenas a água que os incomoda (a Rosa diz: a água que refresca).
O meu marido é o esteio dos meus dias, por muitas dúvidas que embaracem o meu pensamento. Eu e o Quim encontramo-nos nos nossos filhos e aí somos realmente um só.
Este homem de 57 anos conheço-o há 39. Ele é um homem peculiar: é sensível mas envergonhado, ama mas não o confessa, gosta e não o mostra, aprecia mas nada diz, está contente mas diz que não, fala muito pouco e nunca pede desculpa. Só o sorriso nos revela alguma coisa, e o seu sentido de humor.
Não sei explicar o motivo pelo qual me atribui a responsabilidade do que nos corre mal, mas desconfio que a razão deve estar no facto de ele ser muito exigente consigo mesmo e de conviver mal com o erro e com a culpa.
É, acima de tudo, um homem que se refugia na poesia e na música clássica. Assim se protege de mim e da vida. É de facto um homem peculiar mas muito especial.
Tenho como desejo chegar com ele a velhinha (o Zé Afonso diz: - o desejo está quase a realizar-se...) e passear com ele todos os fins-de-tarde em ameno convívio e apoiada no seu braço, porque tenho a certeza que então ele me dirá a cada passo:
-Tem cuidado! Vê lá, tem cuidado!

A tua mulher

1 comentário:

Joaquim Gomes disse...

O título é muito filosófico mas está de acordo com a reflexão que consta do texto.
Eu gosto bastante deste texto.
Acho que ele é uma boa prenda de aniversário.
Mas, eu já ficaria contente com um simples "Parabéns a você" e com "Desejos de saúde e muitos anos de vida".
Muitos abraços e beijos para a minha esposa, para os meus filhos, para a minha nora, para o netinho (ou netinha?) que lá vem, e para os restantes membros da família Lapa e da família Gomes.

Quim