Aqui fica o texto que escrevi em 2005 e que continua a traduzir fielmente o que eu sinto por ela.
Parabéns, minha querida amiga.
Recebe muitos abraços e beijos de nós todos.
"Hoje faz anos a minha querida amiga Cristina Machado.
Desnecessário será dizer até onde e quanto me enche de alegria e de serena tranquilidade esta profunda amizade.
Nela repouso, porque me sinto mais protegida.
Nela me espanto, porque convivo continuamente com uma profunda inteligência e uma perspicácia admiráveis.
Por vezes nela sofro, porque me traz um sentimento, o sentimento humaníssimo do contraste: - alegramo-nos e sofremos juntas.
Afinal, esta é a essência da vida.
Quem ler este «post» pensará que amizades deste «tamanho», ou melhor, estas «irmandades», só podem ter nascido nos bancos da escola.
Realmente, quem assim pensa não está nem completamente certo nem completamente errado, porque é verdade que é na escola que se comunga o sofrimento e a alegria quando se é jovem. E nessa comunhão enraízam fortemente as amizades, especialmente aquelas que nem a morte separa.
Porém, esta amizade nasceu na escola José Falcão, não propriamente na sala de aula mas na sala dos professores, ou melhor, nas cadeiras do gabinete de filosofia desta mesma escola.
É que aí, como nas aulas, também se partilha o sofrimento e a traição.
Só uma amizade verdadeira nos alerta. Só a inteligência de uma Razão justa e atenta é capaz de nos consciencializar dos precipícios escavados pela inveja e pela maldade gratuita daqueles que «são ricos de espírito».
Do grupo de professores de filosofia desta escola, pântano imundo, emergiu para mim um bela flor, um nenúfar tão puro na sua brancura como na sua essência.
É esta amizade que eu agradeço a Deus: - «Ele sabe mais o que me há-de dar do que eu sei o que Lhe hei-de pedir».
Para a Cristina, eu não preciso de dizer o que ela é para mim. Nem sequer o que lhe desejo como mulher, como mãe, como esposa, como professora. Enfim, como ser humano.
Ela já o sabe.
Apenas queria dizer-lhe que está sempre presente em mim, e que com ela partilho todos os meus pensamentos, mesmo os menos sensatos (ela tudo aceita e compreende).
Queria dizer-lhe também que dialogo continuamente com ela, sempre que necessito, mesmo quando o telefone não toca, mesmo quando o trabalho nos distancia fisicamente.
Eu sei que ela está sempre aí, ao estender da mão, ou seja, sempre disponível, mesmo quando não faço ideia em que lugar se encontra.
Aqui fica, minha amiga, para além dos parabéns pelos teus 41 anos, um pouco do muito que eu gostaria de te dizer mas que não sei como fazê-lo, a não ser pelo silêncio.
Um beijo muito grande desta tua amiga que nunca te esquece,
Graça Lapa"