Sempre tive dificuldade com as perguntas simples. Quando julgo saber razoavelmente de alguma coisa gosto de perguntas que me permitam ganhar tempo até chegar ao essencial, mas quando me fazem uma pergunta simples eu tenho que partir logo do essencial. Costuma acontecer assim com as perguntas das crianças.
A maior parte das vezes demoro tanto tempo a seleccionar o essencial que o meu interlocutor responde por mim, como foi este o caso.
Raras vezes ouvi conversas sobre a validade ou a simples justificação da guerra colonial entre os soldados com quem convivi. Nos meus textos do blog refiro as únicas frases de que me lembro. E são tudo perguntas simples que requerem respostas sobre o essencial.
Neste caso, numa das primeiras operações no mato, um cabo do meu grupo-de-combate, que eu tinha como alguém que não se perguntava sobre coisa nenhuma, fez-me a pergunta – a pergunta na negativa, como se soubesse qual era a minha opinião. Mas levei uma eternidade a responder, pela minha cabeça foram-se desfolhando argumentos contraditórios como era cada vez mais contraditória a minha situação naquela guerra.
Pensando bem, não era sequer uma pergunta, era uma constatação e eu não me lembro de lhe ter respondido, senão com um silêncio cúmplice, só me lembro bem da constelação do Cruzeiro do Sul a mostrar-me que eu estava no hemisfério errado.
Ver texto original aqui.
domingo, agosto 28, 2005
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1 comentário:
Amigo Manuel:
Continuo a ler com muita atenção e interesse os seus «posts» sobre a guerra colonial (e não só).
Suponho que o mesmo se passará com os outros membros do blog e com todas as pessoas que por aqui passam.
Acho que esses «posts» são bem esclarecedores do que foi no terreno aquela guerra de África que Portugal nunca poderia ganhar e que - por isso - devia ter sido evitada na altura própria.
Muito obrigado.
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