segunda-feira, dezembro 19, 2005

Uma modesta prenda de Natal

Aprendi a gostar do Natal pela razão mais materialista possível: os presentes.

Com o tempo ganhei o espírito da confraternização com a família e penso que o transmiti razoavelmente às minhas filhas, mas no fundo de mim mesmo, ainda sobrevive aquela ansiedade gulosa que antecede o rasgar do papel em busca da coisa nova.

O Menino Jesus nunca foi pródigo em grandes surpresas. Mais tarde a sociedade de consumo trouxe o Pai Natal e ele lá abriu mais os cordões à bolsa, mas não se pode dizer que tenha perdido o juízo alguma vez, com as prendas que me deu.

Habituei-me à frase feita de que o que conta é a intenção, o espírito da quadra e tal… e lá tenho gerido este deve-haver natalício, mas não me sai da cabeça aquela promessa que fiz a mim mesmo quando era criança…

Os meus pais diziam-me que o Menino Jesus não dava prendas muito caras e que portanto eu não poderia receber o triciclo que tanto queria e eu pensava que um dia iria arranjar dinheiro para comprar um, demorasse o tempo que demorasse. Apesar de uma leve dúvida quanto à viabilidade desse prazer serôdio, dizia a mim mesmo que haveria de ter um.

Bem… nunca andei de triciclo na minha vida, nunca recebi muitas outras coisas que desejei pelos natais da minha existência, mas houve uma prenda que desejei ardentemente receber num certo Natal, afinal não custava nada ao Pai Natal dar-ma, era uma prenda bem modesta essa, a mais modesta que alguma vez desejei…

Claro, é mais uma história da guerra colonial, meia ficção, meia realidade; um pequeno conto de Natal que recebeu um prémio do Diário de Coimbra. Para lê-lo clique aqui.

1 comentário:

Joaquim Gomes disse...

Amigo Manuel:

Muito obrigado por este «post» que é também um verdadeiro presente de Natal para todos nós.
O conto de Natal - para onde nos remete o «link» final - é muito bonito, está muito bem escrito, e bem mereceu o prémio que lhe foi atribuído.
Para toda a sua família vão os nossos desejos sinceros de um Feliz Natal e e de um Bom Ano Novo.
Quanto a prendas, espero que o Pai Natal se redima e lhe traga desta vez... o Euromilhões!...

Um grande abraço para todos.