O que de melhor tem a beleza é não ter dono.

Paro para olhar um espelho de água à beira da estrada,
para sentir o beijo rubro de uma papoila.

Alguém quis acrescentar algo de seu à beleza natural
e colocou um pato de plástico no lago, como fazem os
poetas ou os pintores, porque o logro da arte é a única
mentira benigna.

Paro para fazer meus, os braços de uma árvore,
erguidos em direcção à luz,

Paro para partilhar da vaidade do céu, reflectida no
espelho de água, enquanto os narcisos não florescem
para oferecerem a si a própria beleza, impúdica e
duplicada pelas águas.

Parar o carro à beira da estrada e comungar da natureza
é a minha maneira de rezar.
Tirar fotos tentando fazer meu o que é de todos, é um dos
meus pecados.

Venho agora trazê-las a vós como quem devolve um furto;
que seja esta a minha redenção.