domingo, fevereiro 27, 2005
Minha querida mãe
Ela é linda por fora e é também linda dentro.
Tenho alguma dificuldade em escrever porque me sensibilizo muito e as lágrimas me enchem os olhos sempre que penso ou falo dela.
A minha mãe é o meu modelo de vida.
Foi ela que formou a minha personalidade e fez de mim o que hoje sou.
Sempre aspirei a ser como ela foi toda a vida.
Ela é uma mulher muito prudente e inteligente e eu sempre a admirei por isso.
Ela foi e ainda é o sustentáculo da família, o elo de união e a ponte entre todos os elementos.
Ela está sempre presente, nunca me faltou até hoje. Se eu telefonasse, se eu tocasse à campainha da casa, se eu a chamasse, ela lá estava sempre disponível e solícita.
A minha mãe deu-me segurança para toda a minha vida.
Sempre tentei ser como ela.
Por isso, procuro ser o elo de ligação entre toda a minha família, tento fazer a paz e a união entre todos.
Foi isso o que a minha mãe sempre fez.
Era a ela que, já depois de casada e em épocas de dificuldade, eu recorria a pedir ajuda económica ou a pedir conselhos.
E ela lá estava sempre… sempre!
A minha mãe nunca me faltou nas horas em que mais precisava.
Era com ela que eu partilhava as minhas alegrias e sonhos e que eu desabafava as minhas angústias e receios. Ela sempre soube guardar tudo, tentando ajudar-me conforme as suas possibilidades. Nunca guardou rancor aos que me faziam sofrer e sempre me ensinou a proceder da mesma maneira.
A minha mãe só me traz à memória coisas boas.
Gosto muito, mas mesmo muito, da minha mãe.
Ela pode contar comigo para sempre.
Querida mamã:
Um milhão de beijos muito repenicados é o que, por este meio, te manda a tua filha que te ama muito
Rosa
A minha mãe volta à vida
Eu vinha do colégio de Santo António, na Lousã. O frio era intenso. Entrei pelo portão do fundo do quintal, atravessei a eira e subi as escadas da varanda a correr. Chamei pela minha mãe. Era hora do lanche e eu vinha cheia de frio e de fome. Abri a porta da cozinha, dei a volta à casa, pousei os livros, e saí de novo para a varanda pela porta do quarto dos meus pais.
O único ruído que se ouvia era o da tesoura que podava as videiras.
Voltei a chamar a minha mãe, enquanto me dirigia para o quarto da roupa, onde ela costumava coser e passar a ferro.
Abri a porta do quarto e vi logo a minha mãe sentada no divã com os pés sobre o estrado que suportava a braseira de carvão. Olhei para ela e apercebi-me logo que a mesma não estava bem porque se limitava a fazer-me gestos e não articulava qualquer palavra. Dirigi-me a ela, agarrei-a por baixo dos braços e puxei-a para mim para evitar que ela caísse na braseira. A minha mãe – quase sem forças e suspensa em mim – inclinou-se em direcção à porta do compartimento. Eu arrastei-a como pude até à varanda. Aí, ela estendeu os braços e agarrou-se com ambas as mãos ao parapeito da varanda.
Neste momento, apercebi-me que as mãos da minha mãe perderam toda a força e estavam a escorregar lentamente para o chão da varanda. De imediato, vi o corpo dela a cair, batendo com a cabeça na parede da casa e estatelando-se no chão. Tinha desmaiado.
Peguei-lhe nos braços e, gritando como louca pelo meu pai que estava a trabalhar no lanço, tentei arrastá-la pelo chão da varanda em direcção ao seu quarto. Mas, ela era tão pesada que a deixei e corri sempre a gritar pelo meu pai para a porta que dava acesso ao lanço.
Quando abri esta porta, já o meu pai estava no cimo das escadas.
Ao vê-lo, eu gritei-lhe:
- A mamã está morta!...
O meu pai puxou a minha mãe até ao meio da varanda, junto à janela do quarto dos meus irmãos.
Nesta altura, eu notei que a minha mãe estava completamente roxa e com os olhos abertos e todos brancos.
O meu pai meteu as mãos na boca da minha mãe e tentou separar-lhe os maxilares, enquanto dizia:
- Lurdes, abre a boca… Não me trinques…
O esforço do meu pai foi enorme, mas lá conseguiu abrir a boca dela o suficiente para lhe introduzir o lenço de assoar, a fim de impedir que ela voltasse a fechar a boca.
Logo a seguir, com os dedos, aquele puxou-lhe a língua que se encontrava enrolada.
Ao mesmo tempo, ia dizendo sempre:
- Lurdes, não morras, não morras. Eu não te deixo morrer.
Depois de o meu pai conseguir abrir totalmente a boca e desenrolar a língua da minha mãe, eu verifiquei que ela começava a ficar menos roxa, ao mesmo tempo que ouvia alguém atrás de mim a dizer:
- Ela já respira, Sr. Lapa. Já não morre, já não morre.
Era o senhor que andava a podar as videiras e que tinha acorrido, ao aperceber-se de que algo de grave se estava a passar.
O meu pai continuava a chamar pela minha mãe e a tentar dialogar com ela, enquanto as lágrimas caíam abundantemente sobre o peito da esposa.
Passados longos minutos, a minha mãe fixou os olhos no meu pai. Mas, continuava deitada no chão e ainda não conseguia falar.
Nesta altura, o meu pai pediu-me:
- Vai buscar qualquer coisa para cobrir a tua mãe.
Eu fui buscar um cobertor e cobri-a, enquanto o meu pai continuava sempre a manter-lhe a boca aberta e a segurar-lhe a língua.
Para mim, que na altura tinha onze ou doze anos, tudo isto durou uma eternidade.
A pouco e pouco, notámos que a minha mãe começava a recuperar a sua cor natural, a mexer a cabeça e os olhos, e a mostrar sinais de consciência e de profundo cansaço.
Durante este tempo de espera, eu narrei ao meu pai como tinha encontrado a minha mãe e tudo o que tinha acontecido antes de ele chegar.
Foi então que o meu pai me disse:
- Ó filha, foste tu que salvaste a tua mãe!...
Com a ajuda do senhor podador, o meu pai levou a minha mãe para a cama.
Passado mais algum tempo, a minha mãe tirou o lenço da boca, olhou em volta, e perguntou:
- O que é que me aconteceu?!... Só me lembro de estar à braseira…
Nesta altura, o meu pai explicou-nos que a minha mãe tinha sido intoxicada pelos gases libertados pela combustão do carvão na braseira e por se encontrar num compartimento fechado.
Só há pouco tempo, quando recordava este acontecimento, é que fiquei a saber que a Rosa e o Henrique – que andavam no quintal a ver podar as videiras – tinham também assistido a este regresso da nossa mãe à vida.
Para terminar, gostava de referir apenas o seguinte:
Se é verdade que a minha mãe teve alguns momentos menos felizes na sua convivência com o meu pai - quase todos por causa da educação dos filhos - também é verdade que este homem toda a vida a adorou e que só teve olhos para a ela.
Em relação a este episódio, parece-me que o mesmo mostra bem que a minha mãe deve a vida ao meu pai e não a mim, como ele na altura afirmou. [8]
Aniversário
É um dia de festa para os seus filhos e filhas, para os seus genros e noras, e para os seus netos e netas.
Infelizmente, o marido dela não pode associar-se à festa. Mas sabemos que ele está muito bem tratado e que aparenta não ter dores.
Todos aqueles desejam que a sua mãe, sogra ou avó tenha um dia de aniversário muito feliz, que a sua saúde melhore cada vez mais e que continue connosco durante muitos e bons anos.
Para comemorar esta data, vamos fazer o seguinte:
A filha Graça recorda um episódio da vida da mãe (que será colocado no blogue já em seguida).
A filha Rosa inscreveu-se no blogue e vai recordar também os melhores momentos que viveu com a mãe.
À tarde, vamos ver se é possível uma ligação por MSN (áudio e vídeo) com o Brasil, onde se encontra o Sr. Polívio – irmão da D. Lurdes – e respectiva família.
À noite, vamos cantar-lhe os parabéns e fazer uma pequena festinha, onde não faltará um bolo de aniversário com muitas velas e um bocadinho do seu manjar preferido (o leitão assado à moda da Bairrada).
Pode ser que tiremos também uma fotografia para pôr aqui no blogue.
Quem quiser associar-se a nós pode fazê-lo pelo blogue, pelo MSN, por telefone, ou então estar presente na tal festinha.
Muitos parabéns, D. Lurdes.
sábado, fevereiro 26, 2005
A prova de honestidade
E rematou a sua pretensão da seguinte forma:
- Mas tem de ser uma pessoa de absoluta confiança, porque neste serviço manuseiam-se milhares e milhares de contos e eu tenho tido muitos problemas com o pessoal que me mandam para lá.
Quando se dirigia já para a porta, o Director perguntou-lhe de uma forma simples e directa:
- Tem preferência por algum dos contínuos? É que eu só posso dispensar funcionários dessa categoria.
O pagador parou, deu um passo em direcção ao Director, e indicou-lhe então o nome de um dos contínuos.
O Director respondeu-lhe que estava de acordo com a escolha. Mas, advertiu o pagador que este teria de assumir pessoalmente toda a responsabilidade por eventuais desencontros de contas (ou seja, desvios de dinheiro), como os que vinham acontecendo habitualmente.
Ao ouvir isto, o pagador retorquiu:
- Não, senhor Director. Isso nunca! Está fora de questão. Eu não me responsabilizo por nenhum homem que vá para lá. Estou farto de me enviarem para a tesouraria ajudantes desonestos que só me criam problemas.
Perante uma tal resposta, o Director olhou calmamente o pagador e observou-lhe:
- Então, vou propor que o seu ajudante seja o Lapa.
Com um ar admirado, o pagador perguntou:
- Porquê esse homem, se ele não tem experiência nenhuma de contabilidade?
O Director respondeu:
- Porque eu só confio no Lapa. E, por ele, sou eu próprio que me responsabilizo.
- Então, está decidido. Vai o Lapa para junto de mim – disse o pagador.
Deve dizer-se, em abono da verdade, que o pagador não tinha deste homem (o Manuel Lapa) a mesma impressão que o Director. Para além de ele ser muito pobre, tinha ainda uma ranchada de filhos…
O tempo foi decorrendo e chegou o momento das férias do pagador.
Este deixou no cofre o dinheiro dos salários de todos os trabalhadores. Mas, para além do que era devido, deixou ali um excedente bastante grande.
Ao despedir-se do seu ajudante, o pagador disse a este:
- Ó Lapa, o dinheiro do cofre está certo. Não quero que haja quaisquer falhas na minha ausência.
Quando regressou das férias, o pagador encontrou o seu ajudante a trabalhar tranquilamente.
- Então, novidades? Correu tudo bem na minha ausência? – perguntou. As contas bateram todas certas?
Ao ouvir esta última pergunta, algo inquietou o espírito do pobre ajudante, que lhe respondeu de imediato:
- Não, senhor pagador. As contas não bateram certas. Eu acho que não me enganei no pagamento dos salários aos trabalhadores porque todos vieram aqui buscar os seus envelopes, confirmaram as quantias, e nenhum deles se queixou. O certo é que ainda sobrou muito dinheiro, o qual está ali guardado no cofre. O senhor pagador saberá que rumo lhe há-de dar.
O pagador dirigiu-se ao cofre, contou o dinheiro, e disse ao Lapa:
- O teu Director confiava plenamente em ti. Agora, também eu confio.
Naquele momento, o meu pai compreendeu que tinha sido posta à prova a sua honestidade. E contava muitas vezes este episódio aos seus filhos.
A este propósito, e a título pessoal, devo acrescentar que foi este senhor pagador que me deu a mais bonita boneca que eu alguma vez tive, com a qual os meus filhos também brincaram, e que ainda hoje guardo com gosto.
A essa boneca eu dei o nome de Leonilde, por assim se chamar a minha professora da terceira classe, que eu adorei e de quem tenho uma grata recordação.
Mas, nunca poderei esquecer também a profunda tristeza que a minha irmã Rosa sentiu naquela altura por não ter sido contemplada com um presente igual. Esse sentimento impediu que a minha alegria tivesse sido total, já que eu fiquei dividida entre o amor que nutria pela minha irmã e a paixão que tinha pela boneca. [7]
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
Aniversário
A família Lapa e Cruz do Carmo residente em Portugal deseja que você tenha um dia de aniversário muito feliz aí no Brasil, na companhia de sua esposa Regina e de todos os seus entes mais queridos.
Parabéns!
sábado, fevereiro 19, 2005
Um jantar estragado
A minha mãe começou a servir a sopa e cheirou-me de imediato a nabos. Eu nem queria acreditar que tinha de comer sopa de nabos!... O estômago revoltava-se-me e todos sabiam que eu não conseguia comer um tal manjar. Diante do prato da sopa, eu nem pegava na colher. Ouvia os meus irmãos a comerem, mas eu nem tirava os olhos do prato nem segurava a colher.
De repente, o meu pai grita-me:
- Fazes o favor de pegar na colher e de começar a comer?
E ficou a olhar fixamente para mim.
A minha mãe balbuciou algumas palavras para me incentivar a comer (do género “Eu já te pus tão pouca sopa…”). Mas, para mim, aquilo era uma imensidão de sopa de nabos.
Sentia os olhos do meu pai fixos em mim. E, de cotovelos na mesa, segurava a cabeça.
O meu pai voltou a dizer-me com cara de poucos amigos:
- Fazes o favor de começar a comer? Ou queres que eu me levante?
Eu arredei para trás o banco, levantei-me, e – do alto dos meus nove ou dez anos – bati com o pé no chão, dizendo:
- Esta sopa eu não como!...
O meu pai apareceu de repente ao pé de mim, puxou-me por um braço, afastou-me da mesa e deu-me um par de chapadas que ainda hoje me doem.
Perante isto, a minha reacção instantânea foi a de me abraçar fortemente ao meu pai e gritar-lhe:
- Papá querido, eu gosto tanto de ti.
O meu pai acalmou-se um pouco e tirou as minhas mãos da sua cintura, enquanto eu repetia vezes sem conta:
- Papá, eu gosto tanto de ti.
De seguida, o meu pai saiu da cozinha.
Voltei a sentar-me à mesa e a minha mãe tirou-me a sopa da frente.
Já não recordo o que comi a seguir. Mas sei que, enquanto eu comi alguma coisa juntamente com os meus irmãos, a minha mãe – que tinha ido ver do marido e que regressara – pegou no prato do meu pai e voltou a pôr a sopa na panela.
Olhámos todos uns para os outros e ninguém ousou dizer uma única palavra.
Findo o jantar, chegou a hora de nos deitarmos.
Para me dirigir ao meu quarto, eu tinha que passar pelo quarto dos meus pais. Então, descobri que o meu pai já se tinha deitado há muito.
Naquela noite, ele ficou sem jantar por minha causa.
Posso dizer que o meu pai nunca me tinha batido antes e que nunca mais me voltou a bater. Mais tarde, ele explicou-me que o que o magoara mais foi eu ter-lhe batido o pé.
Daí em diante, sempre defendi as minhas convicções. Mas, nunca mais ousei bater o pé a ninguém.
Hoje não tenho qualquer dúvida de que aquelas duas chapadas custaram bem mais ao meu pai do que a mim própria.
E assim aprendi que, afinal, os pais também sofrem quando castigam os filhos. [6]
domingo, fevereiro 13, 2005
Imprimir o blog
É o seguinte:
Eu comecei a imprimir cada um dos «posts» deste blog e fiz uma pasta de argolas (ou um dossiê), organizando-a da mesma forma que está o blog (os «posts» mais antigos em baixo; os mais recentes em cima).
Para a coisa ficar bem feita, deve proceder-se assim:
Do lado direito da página do blog aparece uma coluna que diz «previous posts». Aparecem ali os últimos «posts» (mas é possível fazer aparecer mais clicando - nos «Archives» - no mês de Fevereiro ou nos meses anteriores).
Ao clicarmos sobre um «post», abre-se apenas esse «post».
Depois de aberto esse «post», mandamos imprimir (só é impresso esse «post» e os respectivos comentários).
Se não se fizer assim, o computador imprime todos os «posts» a seguir uns aos outros.
Ora, o ideal é que fique um «post» em cada página (só os maiores é que ocupam várias).
Depois, proceder da mesma forma para todos os outros «posts» até ao primeiro.
A impressão pode ser feita a preto e branco ou a cores (as fotografias serão impressas de qualquer maneira).
Qual é o interesse disto?
É que nós podemos ter sempre à mão o blog, e consultá-lo ou mostrá-lo em qualquer situação.
Depois, há pessoas que não têm computador ou não sabem ver lá o blog.
Assim, essas pessoas podem ler os «posts» com toda a calma e guardar todo o blog.
É o que sucede no blog «Lapa-Mundi» em relação à minha sogra D. Lurdes (e também sucede isso em casa da minha tia e minha mãe com o outro blog que eu tenho - que é chamado «Todos-os-Gomes», sendo igual o resto do endereço).
Espero que gostem desta ideia e que ela vos traga muitas alegrias.
Um abraço para todos.
Quim
sábado, fevereiro 12, 2005
Um dia de anos diferente
Até a escola me parecia ser um lugar mais agradável naquele dia.
Passei pelo quarto dos meus pais. A minha mãe dormia ainda, mas o meu pai já tinha saído para a serra em serviço de fiscalização.
Ia passando pelos meus irmãos e a todos anunciava:
- Hoje faço anos!
Alguns davam-me os parabéns. Outros apressavam-se a comer o pão para irem apanhar o comboio que os levava para o Liceu em Coimbra.
Aquele dia parecia ser igual ao anterior. E, como acontece em todos os dias de anos, é só no nosso espírito (na nossa esperança) que eles são diferentes.
A noite chegou e o meu pai tardava em regressar.
Estávamos a jantar quando sentimos bater a porta da varanda que dava acesso ao lanço (escritório do meu pai).
- O vosso pai chegou – disse a minha mãe.
Eu fiquei toda contente, à espera de um presente de anos.
Quando entrou, o meu pai dirigiu-se imediatamente a mim e, ao mesmo tempo que despia a gabardina, disse-me:
- Levanta a aba do teu vestido.
Depois, começou a tirar castanhas de todos os bolsos e a pôr-mas no regaço.
E acrescentou:
- Estas castanhas foram todas apanhadas por mim nos ouriços que encontrei no caminho. O meu guarda-rios, ao ver-me fazer isto, e porque já estava a fazer-se tarde, ainda me disse: - “Ó meu chefe, quando chegarmos a minha casa, eu dou-lhe um saco delas. Não precisa de estar a perder tempo a apanhá-las. É coisa que de que não tenho falta”. Mas, eu disse-lhe apenas que tinha de encher os bolsos com castanhas que fossem apanhadas por mim.
Depois, o meu pai prosseguiu:
- E assim apanhei mais algumas castanhas. É que eu não tinha outro presente para te dar pelos teus anos. Por isso, resolvi dar-te algo que obtivesse pelo meu esforço, pelo meu trabalho, enquanto pensava em ti.
Por fim, dirigiu-se à minha mãe e acrescentou:
- Tens um grande saco de castanhas no lanço. Podes ir lá buscá-lo.
Então, eu senti que as castanhas que o meu pai me deu eram muito especiais e que tinham muito valor. Elas mostravam bem que ele não se tinha esquecido de mim (que me teve presente no seu coração) e que queria dar-me alguma coisa que fosse mesmo dele.
Afinal, aquele dia de anos foi bem diferente!...
E eu aprendi que, mesmo os que são pobres, podem com pequenos gestos mostrar aos seus filhos o amor que têm por eles. [5]
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Carnaval (2)
Não se conhece verdadeiramente a origem da palavra Carnaval.
Para uns, compreendia a terça-feira gorda, dia em que começava a proibição de ingestão de carne pela Igreja, como preparação para a Páscoa. Outros, procuram no latim a explicação para o vocábulo: carnelevamen, depois carne, vale ("adeus, carne").
Carnelevamen pode significar igualmente carnis levamen, "prazer da carne", antes das abstinências e prescrições que marcam a Quaresma.
No calendário cerimonial anual português, o Carnaval é um dos mais importantes "ciclos" festivos.
Assume particular destaque actualmente nos meios urbanos, mas possui, ao mesmo tempo, ainda características muito próprias nos meios rurais tradicionais.
As características comuns do Carnaval em Portugal são essencialmente quatro:
1 – Ausência completa de restrições alimentares quantitativas e qualitativas, com a ingestão de carnes de toda a espécie, desde a orelheira no Norte ao galo em outras regiões, para além das sobremesas da quadra como o arroz doce e as filhoses. Os bodos são um exemplo festivo desta componente alimentar. Os excessos alimentares carnavalescos são entendidos, por outro lado, como contraponto aos jejuns e abstinências quaresmais.
2 – Uso de máscaras, essenciais nos festejos, mas sem relação alguma com rituais específicos, como noutras regiões da Europa (Veneza, Colónia...).
3 – Exibição e destruição de manequins/bonecos de tipo burlesco, com carácter jocoso, visível nas paródias aos enterros (como o do "João").
4 – As "pulhas" carnavalescas, ou sátiras de acusação e provocação, directa e humorística, por vezes com tom ofensivo.
(extraído da «Diciopédia»)
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
Aniversário
Salve Regina quer dizer saudação à Rainha.
Saudação significa desejar saúde a alguém.
Na religião católica, a Salve-Rainha é uma oração a Nossa Senhora que começa com aquelas palavras de saudação.
Esta breve introdução serve apenas para dizer que – com esse seu nome – a Regina poderá ser considerada a Rainha desta grande família que une os «Lapas» de Alcouce (Vila Seca – Condeixa-a-Nova) e os «Cruz do Carmo» de Vilamar (Cantanhede).
E serve ainda para desejar que a Regina tenha um dia de aniversário muito feliz e cheio de saúde; que este dia se repita por muitos anos; e que isso aconteça sempre na companhia daqueles que lhe são mais queridos.
São estes os votos da sua família de Portugal.
Beijos de nós todos.
sábado, fevereiro 05, 2005
Uma prenda de anos
E todos os anos, no final do Verão, o meu pai trazia para casa – provenientes de várias localidades da serra que ele visitava no serviço de fiscalização – vários cestos de maçãs de diversas qualidades.
Estas maçãs eram espalhadas no chão de um compartimento por cima de vários papelões.
Só os pais é que davam aquela fruta aos filhos. Nenhum destes estava autorizado a servir-se daquelas maçãs autonomamente.
No dia 21 de Outubro de um certo ano, aconteceu que o meu pai – como era habitual – chegou muito tarde a casa.
Todos os filhos estavam já a dormir.
Ele não se esqueceu que nesse dia a minha irmã Rosa fazia anos. Então, foi ao quarto em que eu e a Rosa dormíamos e acordou a sua menina, tentando não me acordar a mim. Pegou nela ao colo e saiu do quarto.
Daí a pouco, apareceu de novo no quarto com a minha irmã. Mas, agora, a Rosa trazia nas mãos uma enorme e bela maçã vermelha.
O meu pai deitou-a novamente e disse-lhe:
- Agora dorme. E amanhã comes a tua maçã.
Quando ficámos sós, eu perguntei à minha irmã o que tinha acontecido.
Antes mesmo de eu terminar a pergunta, a Rosa – que estava louca de contente – disse-me:
- O papá levou-me às maçãs. E, como não tinha outro presente para me dar, disse-me para eu escolher a maçã que eu quisesse. Eu vi lá tantas!... Mas, escolhi esta!...
Jamais esquecerei a felicidade que então vi no rosto da minha irmã e na maneira como ela me contou o sucedido.
E tenho quase a certeza que, no dia seguinte, devo ter comido uma grande parte daquele presente. É que a minha irmã Rosa – tal como sucede ainda hoje – dava tudo o que tinha a quem lho pedia.
A alegria daquela prenda de anos é vivida por nós ainda nos dias de hoje. E serve para entendermos o afecto que o meu pai – que em certos momentos parecia ser um pouco severo – verdadeiramente sentia pelos seus filhos. [4]
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
Carnaval (1)
As tradições carnavalescas específicas de Portugal são um misto de paganismo e de religiosidade.
Assim, a par da preparação para a Quaresma, o carnaval em Portugal bebeu de muitos ritos pagãos ligados a celebrações da natureza, sobretudo de recomeço da vida purificada na Primavera, com a morte das culturas antigas e o germinar das novas.
Por isso, enraizado no folclore português está o enterro de uma personagem, de um animal ou de uma coisa comum (o mais constante é o Enterro do Bacalhau), para depois se celebrar a vida, com danças, cortejos, muita cor, luz e música. Assim se vislumbram os motivos da morte que se projectam da festa da vida que é o Carnaval.
Em muito locais, associado ao Enterro do Bacalhau, surge um Julgamento, que funciona como sátira à imposição eclesiástica de abstinência e jejum durante a Quaresma. A origem destas celebrações perdeu-se no tempo.
No Brasil
Os festejos carnavalescos, com o nome de Entrudo, foram levados para o Brasil pelos portugueses.
Durante estes festejos eram levadas a cabo brincadeiras violentas, com os foliões a lançarem farinha, tintas e água suja uns aos outros. Estas práticas foram proibidas por lei e, por isso, passaram a ser utilizadas serpentinas de papel e confetti coloridos.
Aos poucos, o entrudo português foi sendo adaptado, ao assimilar as tradições africanas. A tradição dos desfiles tem origem nas reuniões de escravos, que organizavam cortejos com bandeiras e improvisavam cantigas ao ritmo de marcha. Aos escravos devem-se os ritmos e instrumentos de percussão usados no Carnaval brasileiro.
No século XIX, os operários urbanos começaram a juntar-se em grémios (associações profissionais), que continuaram e desenvolveram a tradição dos desfiles.
Ao mesmo tempo que se desenvolviam as futuras escolas de samba, institucionalizadas no Rio em 1935, as classes altas importavam da Europa os sofisticados Bailes de Máscaras e as Alegorias. Em 1870 foi criado o Maxixe, um tipo de música específico para o Carnaval.
Hoje em dia, o Carnaval é um dos expoentes máximos do Brasil, atraindo anualmente turistas de todo o mundo.
(extraído da internet)
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Aniversário
Este é o dia em que os meus irmãos Vítor e Henrique comemoram os seus aniversários.
O Vítor faz 58 anos. O Henrique faz 49 anos.
Será que fiz bem as contas?
Se estão erradas, desculpem. Não foi falta de vontade em acertar.
Aliás, quando nós chegamos a uma certa e determinada idade, já não são muito importantes estes lapsos...
O que desejo do fundo do coração é que seja um dia Feliz para ambos, um dia mais para a vossa realização pessoal.
Realização de sonhos?
Não acredito neles. Só acredito no trabalho.
Por isso, desejo-vos um dia de inspiração; e que algo de novo e bom vos encha a alma de alegria.
São estes os desejos sinceros da irmã que vos ama
Graça
sábado, janeiro 29, 2005
É muito fácil escrever no blog
Aqui vai mais uma tentativa para vos ajudar a escreverem no blog.
Vocês já estão inscritos nele. Isso era o mais difícil.
Para escrever é muito mais fácil e rápido.
Eu explico melhor as instruções que dei aqui no blog em 29/12/2004:
....................................................
1 – Abrir o site (sítio da net) «www ponto blogger ponto com»;
(ver a nota ao fundo)
2 – Escrever o username (nome de utilizador) e a password (palavra-passe);
3 – Clicar em «Sign in»;
4 – Abre-se a página que diz «Dashboard»;
5 – Clicar sobre a cruzinha verde (debaixo de «new post»);
6 – Escrever o título e, mais abaixo, o post (ou seja, o texto);
7 – Para ver como vai ficar, clicar em «Preview» (escrito a azul);
8 – Para sair do Preview, clicar em «Hide Preview» (escrito a azul);
9 – Para publicar, clicar em «Publish post» (escrito a vermelho);
10 – Esperar que a publicação esteja completa (100%);
11 – Para ver o blog já escrito por vocês, clicar em «View Blog»;
12 – Para sair, clicar em «Sign out».
....................................................
Nota:
Na instrução nº 1 eu escrevi «www ponto blogger ponto com».
Onde está escrito ponto é para vocês porem mesmo um pontinho .
Eu não pus ali um ponto porque transformava logo o endereço num link. E o blog não me autorizou a fazer isso.
O nome de utilizador e a palavra-passe são as mesmas que vocês usaram para se inscreverem.
Espero que agora consigam escrever algo no blog.
Estou ansioso por ver o que têm a dizer aos «Lapas» e aos seus familiares e amigos.
Um abraço
Quim
Mudar de nome
Vivíamos na Lousã. Eu tinha cerca de 11 anos. Uma tarde, cheguei da catequese e fui ao escritório do meu pai (lanço). Ali, dirigi-me a ele dizendo que o Sr. Padre me tinha dito na catequese para as crianças entregarem aos pais uns documentos, a fim de estes preencherem. Disse ainda que, se quisessem, as crianças podiam aproveitar o crisma para mudarem o seu nome.
O meu pai parou o que estava a fazer, ouviu-me com muita atenção, e disse-me:
- Está bem. Eu preencho esses papéis. Mas, porque me disseste que se pode mudar de nome?
Eu respondi-lhe:
- Não gosto do meu nome porque as minhas colegas estão sempre a gozar com ele, por ele significar piada e à borla (gratuito, sem valor).
O meu pai disse então:
- Mas olha que o teu nome tem um sentido bíblico muito bonito. Significa sagrado, luz, claridade, pureza, dom divino. As tuas colegas são umas ignorantes.
Depois, voltou a perguntar-me:
- Então, qual era o nome que tu gostavas de ter?
Eu disse-lhe:
- Ana Maria (este era o nome da minha melhor amiga).
O meu pai ficou em silêncio durante algum tempo. Depois disse:
- Muito bem. Se é isso que tu queres, fala com a tua mãe e logo resolveremos isso. Porém, eu gostava de te contar a história do teu nome.
E prosseguiu:
- Quando tu nasceste, foi uma alegria muito grande para todos. Não foi fácil escolher um nome para a primeira menina, porque todos (padrinhos, tias, família) queriam que o nome escolhido fosse o que cada um propunha. Mas, eu tinha muito pouco tempo para fazer o registo. Então, fui eu que decidi qual seria o teu nome. Escolhi o de Graça Maria. Portanto, tu ficas a saber que sou eu o responsável pelo teu nome. Se o quiseres mudar, mudas o nome que o teu pai escolheu para ti.
Depois disto, eu subi para minha casa e pus-me a pensar no que o meu pai me tinha dito.
À noite, o meu pai chamou-me para, na minha presença, falar com a minha mãe sobre este assunto.
A minha mãe apenas me disse isto:
- Olha, filha. Tu podes não gostar do teu nome. Mas, quando eras pequenina e nós fomos viver para S. João do Campo, todas as meninas que lá nasceram depois de nós ali chegarmos tiveram no seu nome a palavra Graça.
O meu pai disse-me então:
- Filha, devolvo-te os papéis do Sr. Padre para que sejas tu a escrever o que entenderes.
Quando chegou a altura de eu entregar os papéis, o meu pai ajudou-me a preenchê-los.
Mas, quando chegámos ao lugar do nome a escolher, fui eu que o preenchi sem hesitação.
E ali escrevi: - Graça Maria da Cruz Lapa. [3]
sábado, janeiro 22, 2005
O dinheiro do Sr. Director
Quando o facto ocorreu pela segunda vez, o Director chamou à sua presença todos os funcionários dos escalões mais baixos, entre os quais se contava o Sr. Lapa.
Esses funcionários eram três e tinham em comum o facto de possuírem a chave do gabinete do Director.
Então, o Director deu-lhes conhecimento da ocorrência, mostrou-lhes a sua preocupação e perguntou a cada um se tinha sido ele o autor do desvio.
O Sr. Lapa foi o último a ser ouvido. O Director fez-lhe as mesmas perguntas. Mas acrescentou que um dos colegas daquele lhe dissera que desconfiava que tivesse sido o Lapa, porque o viu por várias vezes a entrar no gabinete do Director fora das horas de expediente.
Convém referir que o Director era muito amigo do Sr. Lapa. Esteve na origem da sua admissão, pagava as propinas e os livros deste no curso comercial nocturno e dava-lhe mesmo algumas explicações de matemática.
Mas, o Director referiu-lhe que, apesar da confiança que tinha nele, teve de o chamar e fazer-lhe as mesmas perguntas que fizera aos outros.
O Sr. Lapa ficou “sem pinga de sangue” com toda esta situação. E disse que era verdade que tinha ido ali por várias vezes fora das horas de expediente para praticar dactilografia na máquina de escrever do Sr. Director, conforme lhe fora autorizado expressamente por este. Mas, jurou-lhe pela sua honra que não tinha sido ele o autor do furto.
Ao ver a reacção do Sr. Lapa, o Director disse-lhe:
- Conheço-te bem a ti e à tua família. Sei que és uma pessoa honesta. Por isso, nunca me passou pela cabeça que me tivesses tirado o que quer que fosse. Mas, tinha que te chamar aqui porque preciso de descobrir quem me anda a tirar o dinheiro.
Então, o Sr. Lapa disse ao Director o seguinte:
- Agradeço-lhe muito a sua confiança. E, se me permite a sugestão, parece-me que V. Ex.ª poderia continuar a deixar na sua secretária dinheiro em notas pequenas e em maior quantidade. Eu vou estar atento, fazendo tudo o que puder para ajudar na descoberta do autor do furto.
Passaram-se meses de atenção e discreta vigilância.
De vez em quando, o Sr. Lapa perguntava ao Director se tinha voltado a faltar-lhe dinheiro.
O Director respondia-lhe que não. E, a certa altura, disse-lhe:
- Lapa, não te preocupes mais. Já passou muito tempo. Não voltou a acontecer nada. O assunto está encerrado.
O Sr. Lapa pensou então que o autor do furto estaria também convencido de que todos teriam já esquecido o caso. Mas, em vez de abrandar a vigilância, ele resolveu reforçá-la, indo muito cedo para a repartição e ficando no exterior a ver quem entrava.
Um dia, os seus esforços foram compensados.
O colega que o tinha acusado entrou antes da hora de início do trabalho. O Sr. Lapa não entrou logo atrás dele, como vinha fazendo antes. Deixou passar alguns minutos. Depois, dirigiu-se directamente ao corredor do gabinete do Director, verificando que o casaco do colega não se encontrava no cabide. Abriu de imediato a porta do gabinete e deu de caras com esse colega ainda a fechar a gaveta da secretária. Chamou um outro colega que ia a passar e pediu-lhe que ficassem ali os três até à chegada do Director. No meio do diálogo que se gerou, o autor do furto tirou o dinheiro do bolso e atirou-o para dentro da secretária.
Logo que chegou ao gabinete, o Director deparou-se com esta cena e ficou o caso esclarecido.
No dia seguinte, o Director chamou ao seu gabinete o Sr. Lapa e o outro funcionário, tendo este acabado por confessar ser ele o autor de todos os furtos.
Então, o Director dirigiu-se ao Sr. Lapa, dizendo:
- A minha vontade é despedir imediatamente este funcionário. Mas, como ele te acusou a ti, és tu que deves decidir o futuro dele. O que tens a dizer?
O Sr. Lapa respondeu:
- Sr. Director, se me dá licença, a minha opinião é que ele não deve ser despedido porque, se o fosse, não era só ele que sofreria mas também toda a família dele. E os filhos dele não têm culpa das asneiras do pai.
Apesar desta atitude do Sr. Lapa, o funcionário em questão nunca foi um bom colega para aquele. [2]
domingo, janeiro 16, 2005
Filha duas vezes
Trata-se de um facto que o Sr. Lapa contava muitas vezes à sua filha Graça, especialmente quando queria expressar o grande afecto que tinha por ela.
Numa altura em que a família vivia na Conchada (ainda hoje uma zona pobre da cidade de Coimbra) e o Sr. Lapa trabalhava numa loja de bicicletas situada na Baixa da mesma cidade, aquele auferia o ordenado mensal de 300$00 e pagava de renda 200$00 por mês.
O agregado familiar era constituído pelo casal e por três filhos, o mais novo dos quais tinha uma doença muitíssimo grave que exigia um tratamento diário no hospital da Universidade.
A D. Lurdes encontrava-se na altura grávida da Graça.
Então, pretendendo aumentar um pouco os seus modestos rendimentos, o Sr. Lapa dirigiu-se ao seu patrão, explicou-lhe a situação aflitiva em que se encontrava e pediu-lhe um aumento do ordenado.
O patrão respondeu-lhe que compreendia bem a situação dele, que o Sr. Lapa era um empregado exemplar e indispensável para o seu negócio, mas que não podia aumentar-lhe o ordenado. No entanto, disse-lhe que o ia ajudar.
Ao dizer isto, o patrão abriu a gaveta da sua secretária, tirou uma nota de 1.000$00 e disse-lhe:
- Toma lá este dinheiro e, com ele, diz à tua mulher que vá fazer um “desmancho” (aborto).
O Sr. Lapa respondeu:
- Muito obrigado, mas uma ajuda dessas eu não a quero - e regressou ao seu trabalho de balcão.
Ao chegar a casa, o Sr. Lapa contou o sucedido à sua esposa, tendo da conversa entre ambos resultado a decisão comum de ele se despedir imediatamente daquele emprego, o que veio a suceder no dia seguinte.
E o quarto filho veio ao mundo e foi uma grande alegria para o casal, já que era a primeira menina.
Daí em diante, sempre que a Graça realizava algo de importante na sua vida ou que alguém fazia algum elogio àquela, o Sr. Lapa voltava a contar o episódio à filha e terminava sempre o mesmo com estas palavras:
- Não te esqueças que tu és minha filha duas vezes. [1]
Outras Memórias
Em relação à sua pessoa, ele escreveu apenas isto: - “De mim nada direi, visto que os meus filhos me conheceram bem. Eles dirão, se o entenderem por bem, quanto eu fiz pela minha família”.
Pois bem. Parece-me que chegou a altura - e que este blog é o lugar próprio - para os filhos do Sr. Lapa recordarem alguns dos episódios que marcaram a vida do seu pai e que mostram bem que ele foi, de facto, um homem extraordinário.
Estas «Novas Memórias» (digamos assim) serão contadas em episódios breves e sem qualquer preocupação de respeitar a sua ordem cronológica.
Todos os contributos serão bem-vindos. Se alguém não puder ou não quiser escrever no blog, poderá ao menos indicar aqueles episódios que considere serem também merecedores deste simples registo.
quarta-feira, janeiro 12, 2005
A Página do Quim
São as cinco últimas fotografias inseridas em «Parentes Graça».
Mas, houve algum problema com o local da net em que essas fotografias foram colocadas.
Assim, essas últimas fotografias não eram visíveis (só se viam bem no meu computador).
Agora, o Miguel resolveu o problema colocando as fotografias no mesmo local da net em que já estavam as primeiras.
Espero que todas as fotografias sejam agora bem visíveis nos computadores da família Lapa, onde quer que se encontrem os seus membros.
Espero também que as referidas fotografias levem boas recordações a todos, especialmente aos que vivem longe da sua terra e do seu País.
Quim
sábado, janeiro 08, 2005
Jorge
Leio o que tu escreves nas tuas mensagens (comentários) e parece-me ouvir-te neles. Isso cria um sentimento de tranquilidade e desvanece a distância. Esqueço-me de quão longe estás.
Depois disto, já não me vem aquela velha preocupação que me invadia sempre que me lembrava de ti e me perguntava: - Como estará o meu irmão?
Este meio de comunicação, que eu ainda não sei manipular, dá-me ao menos a sensação de que - o que quer que nos aconteça – tu e eu sabê-lo-emos rapidamente.
O ano de 2005 será para mim mais tranquilo, no que a isto diz respeito.
Desejo-te, meu irmão, um ano novo cheio de saúde (porque o resto compra-se no supermercado…).
Um beijo
Graça