segunda-feira, junho 13, 2005

Eugénio de Andrade

Hoje morreu o nosso grande poeta Eugénio de Andrade (pseudónimo de José Fontinhas).
O «post» anterior presta-lhe homenagem com um belo poema dedicado à Mãe.
Em resposta ao nosso amigo Manuel, eu também quero homenagear aqui o poeta com um outro poema que é também muito conhecido.
Eu devo dizer que gosto mais da poesia que rima do que da poesia que não rima. A meu ver, é isso o que distingue a poesia da prosa (até porque a prosa também pode conter em si imensa poesia...).
Mas, Eugénio de Andrade também fez poemas com rima (como se pode ver abaixo).
A pouco e pouco, eu também vou começando a apreciar os poemas sem rima.
E é pela mão de Eugénio de Andrade que esta minha aprendizagem se vem fazendo desde há alguns anos.
Um grande obrigado a Eugénio de Andrade por tudo o que nos deixou.


As palavras interditas


Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.

Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.

Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.


(extraído de uma das várias colectâneas de poesia)

Os poetas não morrem

A notícia diz que Eugénio de Andrade morreu, mas é só uma forma de dizer que agora só vive nos versos que fez.

POEMA À MÃE

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

in «Os Amantes Sem Dinheiro» (1950)

domingo, junho 12, 2005

Dia dos Namorados (à Portuguesa)

Olá Regina:

Em Portugal, o dia dos namorados é comemorado a 14 de Fevereiro (dia de S. Valentim, o padroeiro dos namorados). Isso não impede que todos os dias do ano devam ser dias dos namorados.
O meu pai repetia-nos que só era feliz o casamento se o marido e a mulher namorassem todos os dias. Ele sempre tentou fazê-lo; e, por isso, escreveu num dos seus poemas que foi um homem feliz com a sua esposa.
Quanto a mim, que estou casada há 27 anos, e que namorei apenas o homem com quem casei (durante 8 anos), não consegui fazer da minha vida um namoro permanente. Mas descobri que não é nisso que consiste a felicidade. Se alguém soubesse verdadeiramente como e onde encontrar a fórmula de ser feliz, não só seria ele próprio feliz como já teria ganho o «prémio Nobel». Duvido que alguém consiga ganhar esse prémio. Porém, há quem seja feliz.
Eu entendo a felicidade não como algo que exista concretamente e que nós procuremos e possamos encontrar, mas sim como algo que nós próprios construímos todos os dias, dando aos outros e abdicando de nós, às vezes com sofrimento. A verdadeira felicidade consiste para mim em contribuirmos para tornar felizes todos os que nos rodeiam (o cônjuge, os filhos, os pais, os alunos, os amigos…). Eu sei que ser feliz é muito difícil. Talvez por isso sejam poucas as pessoas verdadeiramente felizes.
O que há mais frequentemente são pessoas que vivem momentos felizes. Dizem que o povo português é um povo triste. Não sei se é verdade. Mas, julgo que nós temos que aprender com os brasileiros a comemorar e a festejar em todas as oportunidades, vivendo desse modo momentos de felicidade.

Para ti, vão os meus votos de que a tua vida seja um namoro permanente, que sejas sempre muito feliz, e que possas fazer felizes aqueles a quem amas.

Beijos da tua prima

Graça

Dia dos Namorados à Brasileira

Hoje é dia dos namorados aqui no Brasil. Também comemoramos o dia de Santo Antonio, o Santo casamenteiro. Estamos no mês das festas juninas e por isso sempre há convites para irmos às quermesses. As igrejas e escolas adoram comemorar aos finais de semana, mas a mulherada gosta mesmo é do dia de Santo Antonio. Não sei se em Portugal também há essa tradição, mas o que sei é que as solteironas vão na igreja de Santo Antonio só pra pegar um tal de pãozinho bento. Andam falando que quem come deste pão não fica pra "titia", sei lá eu nunca comi e já casei duas vezes, imaginem se tivesse comido!!!
Eu sempre fui muito namoradeira, quando era adolescente, isso já faz uns 22 anos, teve uma época que tinha três namorados, meu pai quase teve um troço. Mas não me arrependo não. Só sei que namorar é muito bom.
Nós aqui no Brasil namoramos muito, tem gente que fica 20 anos namorando e quando casa, separa em dois meses, era melhor ter ficado namorando. Acho que isso acontece porque as pessoas depois que casam se acomodam e pensam que aquela pessoa que esta do seu lado nunca vai ter a coragem de se separar. Mas um belo dia ela se enche da rotina que se instaurou e manda tudo às favas!!! E ai arruma outro que faz a mesma coisa e o ciclo se repete.
Aqui tem um tal de "ficar", mas isso é pra moçada. Pessoas na minha idade querem mesmo é encontrar a cara-metade e tentar a sorte e ser feliz pro resto da vida.
Ser feliz é uma coisa que lutamos a vida inteira. Será que encontrar a outra metade da laranja significa encontrar a felicidade? Será que nós precisamos mesmo passar a vida toda procurando essa outra metade para sermos felizes realmente ou será que podemos ser felizes só amando a gente mesmo?
Não sei responder. O que sei é que lutamos pra encontrar o par perfeito e ai, quando estamos diante dele, casamos, e então vem aquelas conversas "não aguento essa mulher... não aguento esse homem"... Vai entender ne? O Próprio ser humano é um bicho esquisito, nem ele se entende como é que vamos querer entender o outro não é mesmo?
Só sei de uma coisa: namorar é muito bom, por isso, se há dia dos namorados ai em Portugal então a dica é para aqueles que estão namorando, estão casados ou estão à procura de um amor: NO DIA DE HOJE NAMOREM MUITO, CUIDEM DA PESSOA AMADA COMO SE FOSSE O ÚLTIMO DIA JUNTOS. E NÃO SE ESQUECEÇAM: TODO DIA É DIA DE SE APAIXONAR SEJA PELA PESSOA AMADA OU SEJA POR VOCÊ MESMO! NINGUÉM CONSEGUE AMAR NINGUÉM SENÃO SE AMAR PRIMEIRO.
FELIZ DIA DOS NAMORADOS PRA TODOS
Bjs
Regina

sábado, junho 11, 2005

Mais uma história do Natal

Vivíamos durante todo o ano com uma ideia que era mil vezes repetida pelos meus pais: - “O Menino Jesus dá-vos as prendas conforme o vosso comportamento. Se tu te portares bem, tens uma bonita prenda. Por isso, és tu que escolhes”.
Havia que obedecer aos pais em tudo e sempre, apenas com o objectivo de receber em troca um brinquedo correspondente ao nosso comportamento.
Quantas vezes, da minha cama, eu ouvia o meu pai a despedir-se dos meus irmãos, antes de se deitar: - “Não se esqueçam de que hoje se portaram mal”.
Todos percebíamos o que aquilo queria dizer: - o Menino Jesus tudo via e tudo apontava. Eu metia a cabeça debaixo dos lençóis e, muitas vezes, chorava com pena dos meus irmãos que se tinham portado mal.
A mim, pertenciam-me certas tarefas que ainda hoje não sei como conseguia levá-las a cabo. Uma delas era a de lavar, durante todas as férias, a loiça das refeições.
Para que fosse capaz de fazer esta tarefa, a minha mãe punha no chão da cozinha três alguidares de plástico: - um tinha a água com o «Omo»; outro, água limpa; e o terceiro, para escorrer a loiça já lavada.
Toda a loiça que era para lavar – dos talheres aos copos, aos pratos, ao fervedor, à panela da sopa – estava sobre a banca da cozinha, junto ao forno de cozer a broa.
Sempre que acabava de lavar uma peça, eu tinha que me levantar e ir à banca buscar outra. Ajoelhava-me no chão, lavava-a, passava-a e punha-a a escorrer.
Este penoso trabalho, feito por uma criança que não tinha mais de 6 ou 7 anos, prolongava-se por uma tarde inteira.
Por vezes, o cansaço era tanto que eu me sentava nos calcanhares para suavizar a dor dos joelhos, onde ficava vincada a fisga das tábuas do soalho.
Tudo isto acontecia enquanto os meus irmãos brincavam e corriam. E, muitas vezes, ao passarem pela cozinha, eles andavam à minha volta e cada um deles empurrava-me ou dava-me uma palmada ou um safanão na cabeça.
Nunca percebi porque é que eu tinha de trabalhar, e eles (todos mais velhos do que eu) podiam brincar.
Recordo que, algumas vezes, ouvia a minha mãe na varanda do meu quarto em conversa com outras pessoas. Outras vezes, passava a ferro ou passajava meias.
Houve um dia das férias do Natal que foi particularmente penoso para mim.
Tudo aconteceu como de costume. Só que o meu pai tinha levado com ele os meus irmãos mais velhos e eu tinha ficado a lavar a loiça.
A noite chegou e eu mal via o que fazia. Ainda me faltava lavar o fervedor do leite. As mãos estavam enrugadas por estarem há tantas horas mergulhadas em água com detergente. A palha de aço queimava-me a ponta dos dedos. Eu assentei o fervedor nos joelhos e não conseguia – por mais que me esforçasse – tirar o leite queimado. E, quando me pareceu que o fervedor já estava lavado, eu passei-o e pu-lo a escorrer. Tinha terminado a minha tarefa.
Nisto, entra a minha mãe na cozinha, acende a luz e diz:
- Ainda estás nisso?
Eu respondi:
- Mamã, acabei mesmo agora.
Ela fez o que sempre fazia. Despejava na pia da cozinha as águas dos alguidares e levava o alguidar da loiça lavada para cima da banca.
E, como sempre, a primeira coisa que fez foi verificar se o fervedor estava bem ou mal lavado.
O coração começou a bater-me forte.
De imediato, eu levei uma estalada e caí redonda no chão.
Ao mesmo tempo que eu me levantava, a minha mãe disse-me:
- Vê o que ainda aqui está. Não lavaste isto em condições. Para castigo, vais voltar a lavá-lo.
E pôs-me no alguidar água ainda mais fria do que já estava a anterior.
As minhas mãos ardiam-me na água fria tanto como a cara me ardia de quente.
Nunca mais posso esquecer o que então chorei.
Sei que o meu pai chegou com os meus irmãos já de noite. E que todos ficaram especados ao verem-me no chão da cozinha ainda a lavar a loiça.
Pensei que o Menino Jesus talvez me recompensasse de tanto trabalho e de tanto sofrimento.
Mas, o dia de Natal chegou.
E, no meu sapato, não havia nada que me compensasse de todo aquele sofrimento!... Ali só havia objectos para eu trabalhar na escola!...
Deve ter sido nessa altura que eu fiquei a saber que Deus se esquece de algumas pessoas. E que eu era uma delas.
Por isso, ainda hoje não me admiro da pouca sorte que me coube. E do grande esforço que sempre tive que fazer para adquirir alguma coisa. Afinal, esta é a vida que está reservada a algumas pessoas...
Verdade seja dita: - foi assim que eu aprendi a cuidar de tudo quanto pertence a uma casa de família. Por isso, hoje dou valor ao que a minha mãe me ensinou. Mas... nunca mais poderei esquecer a tristeza e o sofrimento de toda essa aprendizagem. [15]

sexta-feira, junho 10, 2005

DIA DE PORTUGAL

Hoje, dia 10 de Junho, é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Aqui fica, na voz dos nossos maiores poetas, uma bela indicação do que significa Portugal e de qual a sua localização na Europa e no Mundo.


Luís de Camões

(«Os Lusíadas», Canto III, estrofes 20 e 21)


Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.

Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá, que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
De Luso ou Lisa, que de Baco antigo
Filhos foram, parece, ou companheiros
E nela antam os íncolas primeiros.


Fernando Pessoa

(«Mensagem», I parte)


A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

segunda-feira, junho 06, 2005

Aniversário

Rosângela:

A família Lapa e Cruz do Carmo que mora em Portugal deseja que você tenha um dia de aniversário muito feliz, na companhia de seu marido (Sérgio), dos seus filhos (Lucas e Paula) e de toda a família Cruz do Carmo aí do Brasil.

Parabéns! Muitos anos de vida!

Abraços e beijos de nós todos.

PARABÉNS BEM ATRASADO

PARABÉNS QUIM!!!

Minha Nossa!!! O Muro de Berlim caiu e ninguém me avisou???

Pois é gente eu sou desta galáxia, e ainda estou viva!!! Mas não fiz a lição de casa direitinho e por isso não fiquei sabendo que teve mais um integrante da família fazendo aniversário!!!

Mas tudo bem antes tarde do que nunca (rsrsrs)

QUIM MUITOS ANOS DE VIDA PRA TI QUE DEUS TE ILUMINE E QUE ELE ESTEJA SEMPRE CONTIGO!!!

Desculpe-me pelo esquecimento, quero dizer, por não ter vindo visitar o blog estes dias, pos estou numa correria danada!!

Mas aqui vai um parabéns pra você nesta data querida de toda a sua famíla aqui do Brasil!!!

Fica com Deus

Bjs em teu coração

Obs.: Teve pastéis de Belém na festa? (rsrsrs)

Da Prima (esquecida) Regina

quinta-feira, junho 02, 2005

Lapa honoris causa

Sinto-me como se tivesse recebido um título honoris causa, ou simplesmente, como um dia em África quando um macua me convidou a sentar junto ao fogo à frente da palhota, indicando-me o tijolo vazio a seu lado.
Fazer parte de uma família, partilhando o seu espaço íntimo só extensível aos verdadeiros amigos é a maior honra que há.
Seja no espaço cibernáutico; seja na adega da casa, onde na minha terra talvez por pudicícia se disfarça a verdadeira amizade com o álibi da bebida; seja ao redor do fogo; o convite tem o mesmo valor e espero que o merecimento do convidado lhe esteja à altura.
Por mim, para já, puxo o tijolo, ergo o copo ou penduro ao pescoço a condecoração de membro honoris causa desta tertúlia e comprometo-me a partilhar do calor que as palavras trazem consigo quando são francas, como sei que são, não por ter, mais que uma vez, espreitado o blog, a apetecer-me meter conversa, mas porque já conheço o calor que elas dão.
Quando as palavras são o único consolo e alguém no-las diz, está autenticado o mais imponderável contrato de todos: a amizade, mas também o mais duradouro, porque é o único que por vezes antecede e sobrevive ao amor.
O contrato fica firmado: esta é a minha assinatura.

Cristina e Manuel

Pretende-se que este blog continue a ter um carácter familiar.
Mas, como já disse antes, há certos amigos que são para nós como pessoas da família.
Assim, justifica-se que esses amigos sejam admitidos a participarem activamente neste convívio da família «Lapa».
É este o caso da Cristina Machado e do seu marido Manuel Bastos.
Ela é colega da Graça (professora de filosofia) há muitos anos. E a amizade, confiança e partilha que surgiu entre ambas alargou-se naturalmente aos respectivos cônjuges e filhos.
Também será interessante a participação da filha de ambos (a Inês), que tem 10 anos e já está a terminar o 1º ano do ciclo preparatório.
Os muitos conhecimentos do Manuel em matéria de computadores e a grande cultura e riqueza de espírito deste casal amigo são a garantia de que o convívio entre todos será salutar e muito enriquecedor para os membros desta grande família «Lapa».
Por isso, aqui fica este convite para trazerem até aqui o que acharem interessante (textos, fotos, desenhos, música, ligações a outros sítios ou blogs, etc.) quando acharem isso oportuno ou os vossos afazeres o permitirem.
Desde já o nosso muito obrigado.

Quim

terça-feira, maio 31, 2005

Parabéns, Quim!

Olá meu querido amigo!
Diz-se que "mais vale tarde do que nunca"! Ora, apesar do teu dia de anos ir já bem avançado, queria dizer-te, nesta data, que te adoro (e a Graça não tem ciúmes, porque sabe que é verdade!). Adoro-te pela pessoa que és e que fazes os outros, que contigo lidam, ser. Não estranhes, portanto, que digamos que gostamos de ti e que nos fazes muita falta - és a nossa garantia de autencidade, de bondade, de verdade e de amizade.
Obrigado por seres meu amigo, por seres nosso amigo!

Um beijo

Rosária

Parabéns...

Depois deste espaço de tempo sem aqui escrever, quero "postar" sobre o aniversário do nosso membro favorito, o nosso adorado Administrador, Dr. Joaquim Gomes. A inequiparável capacidade de nos alegrar, conduzir e aconselhar. De opinião pessoal, esta é, das pessoas que conheço, a que mais me agrada e a que mais me influencia. É, sem dúvida, uma das pessoas mais louváveis que podemos encontrar nesta "família" (não desfazendo os outros elementos), tanto, que não posso descrever propriamente, nesta linguagem falada. Todos os que conhecem, sabem do que falo e, por isso, não estarei a ocupar mais espaço no "blog" e a fazer desperdiçar o tempo de quem o lê.

Parabéns!


PostScriptum: Tal como já tinha sido pedido, e na medida de enriquecer culturalmente este "blog", estou na disposição de partilhar convosco a frase enigmática que divulgarei posteriormente. Como 2005 é o "Ano Internacional da Física", escolhi a individulidade Austríaca de Albert Einstein para referir a citação:

"Deus não joga aos dados com o Universo."

Albert Einstein

Aniversário (agradecimento)

É verdade. Também calhou a mim a vez de fazer anos!...
E já tenho uma bonita conta deles (já são 53).
Não me posso queixar da minha sorte. Quantos e quantos neste mundo ficaram pelo caminho antes de chegarem a esta idade?!... E, se calhar, com muito mais merecimento do que eu!...
As minhas prendas (para além dos vários livros de poesia que recebi) são as melhores que eu poderia ter:
- A minha esposa e os meus dois filhos;
- A família Gomes (de onde provenho);
- A família Lapa (em que me integrei); e
- Os meus amigos (que não são muitos, mas são muito bons).
Este «post» destina-se a agradecer, de uma forma geral, a todos os que escreveram textos muito bonitos nos blogs, que me mandaram mensagens de SMS ou que me telefonaram a dar-me os parabéns ou a perguntar-me pela minha saúde.
A todos vocês o meu agradecimento muito sincero.
Muito obrigado. Bem hajam.

Um grande abraço

Quim

Meu Marido

Parabéns, Kim, pelos 53 anos de idade que completas hoje.
Encontrámo-nos aos 18 anos e nunca mais nos separámos.
Em breve faremos 27 anos de casados.
Refiro aqui estas datas não só porque sei que esqueces estes pormenores com muita facilidade, mas também porque – para mim – não são pormenores mas “pormaiores”, ou seja, são os marcos onde assenta a nossa vida.
Agradeço-te do coração por me teres escolhido para mãe dos teus filhos e, assim, me teres dado a oportunidade de viver, de conhecer e amar o melhor pai do mundo, o pai que todos gostariam de ter tido.
Não sei se a vida é algo que, em si mesma, valha a pena viver. Mas, aprendi contigo que nada há nela que seja completamente bom ou completamente mau. Sei também que, ao teu lado, os momentos difíceis se tornam mais suaves. Espero, por isso, viver a minha vida até ao fim sempre ao teu lado.
É com toda a ternura e toda a esperança que possa caber num coração que ama de verdade que hoje te desejo muitos anos de vida, com saúde, pois quero que estejas junto de mim para tornar mais leve o momento da minha partida.
De facto, como tantas vezes juntos concordámos, a vida não é senão um “entretanto” entre o nada que já fomos e o nada que uma dia seremos.

Beijos da tua mulher

Graça

Parabéns «Pappi»

O gatiti (bola de pêlo) mandou muitos beijinhos no nariz. Só não tos deu pessoalmente, ou gatitialmente, porque tem medo de levar um chuto voador!!
É a primeira vez que escrevo no blog porque acho que não fui feita para escrever mas sim para analisar a escrita dos outros.
No entanto, vou escrever umas palavrinhas neste dia tão especial em que a avó Dina deu à luz o seu filho primogénito tão loirinho e tão fofinho! Parabéns também para ti avó! Este dia também é teu!!
Pappi, resumindo, quero agradecer-te pelas memórias que me vais deixando. Obrigada por me teres levantado sempre que as ondas do mar da praia de Mira chegavam aos meus pés. Lembras-te? Gosto muito de ti e quero que saibas que me sinto muito feliz por ter um pappi tão lindo e tão loirinho.

Beijinhos.

Joaninha

Feliz Aniversário

Kinas é sinónimo de "amor pela boa música", "amor pelos familiares e conhecidos", "ajudante de necessitados" pois estás sempre lá pronto a ajudar no k for preciso, é também sinónimo de "amizade", "alegria", "brincadeira saudável", entre muitos outros, só nao escrevo + porque não tenciono escrever um testamento. Testamento: neste momento esta palavra está carregada de simbolismo para todos os k estão de alguma maneira ligados a ti. Só espero que não tragas um desgosto a todos os que te amam e idolatram (tomo "eu" como um grande exemplo dessa admiração por ti), entretanto aproveita da melhor maneira que tu possas considerar possível para a tua pessoa esta tua valorosa vida, realiza-t, aproveita-t. Eu não me importo de retribuir tudo o que fizeste por mim porque é este ano que obenho a independência por que tenho esperado: não depender do meu pai para fazer deslocações. Há um concerto que tu gostarias de ver na Figueira da Foz? Se for preciso eu levo-t, e vamos ver o concerto. Vai haver um grande concerto com famosas personalidades estrangeiras no Porto? Se for preciso eu levar-te-ei, e apreciaremos o concerto juntos pois gostava muito de retribuir tudo o que fizeste por mim.
Podes não te ter apercebido, mas tiveste um grande impacto na vida de todos os que conheceste, de tal maneira que te considero o pai que nao tive mas sempre desejei ter. Se havia dúvidas da existência de Deus, forma logo postas de parte a partir do momento em que vieste ao mundo, pois nesse dia ocorreu um milagre, surgiu a pessoa perfeita, não fisicamente (que neste caso é irrelevante) mas a nível moral.
A tua simples presença mostrou que ainda há gente de bem, gente gloriosa e se não incentivaste os outros a tentarem ser tão grandes como tu, é porque essas pessoas não se aperceberam verdadeiramente da tua grandeza, mas há pelo menos uma pessoa que notou, que se apercebeu de ti, e que por fim mostrou a todo o mundo o significado da tua simples presença. Em nome de todos os que tiveram a felicidade de te conhecer, bom aniversário e não te eskeças: realiza-t, aproveita-t.

sábado, maio 28, 2005

Outra história do Natal

Quantos anos é que eu teria? Não sei. Mas tinha os que bastavam para eu nunca mais esquecer, e ainda hoje sentir que sou fruto do que me aconteceu então.
Sei que ainda não sabia falar o suficiente para reclamar o que era meu. E que me limitava a olhar sem perceber o que acontecia e porque acontecia.
A noite de Natal chegou.
E, como de costume, só na manhã seguinte teríamos o direito de saber o que nos tinha reservado o Menino Jesus.
Os meus irmãos mais velhos atravessaram o meu quarto – onde eu dormia na cama de grades – e correram para o quarto dos meus pais, cada um com um carro de plástico de cores diferentes.
Eu acordei e, ainda trôpega, comecei a descer com dificuldade por cima da grade da cama.
Era a minha vez de correr para a cozinha.
Durante estes minutos, ouvia claramente os meus irmãos a dizerem uns para os outros:
- A Graça é que teve sorte. Tem uma bola de futebol tão linda!...
Todos repetiam a mesma coisa.
Eu corri para a cozinha para ver o meu sapato. E constatei com espanto que eles tinham razão: - eu tinha a bola mais linda do mundo!
Abracei-me a ela. Não sei se era do tamanho da bola ou se era do meu contentamento. Só sei que não conseguia ver o caminho até ao quarto dos meus pais. Mas, a memória conduziu-me até eles. E quando lá cheguei, pousei a bola em cima da cama como se tivesse pousado o mundo. O mundo era meu!...
Com tristeza posso afirmar aqui hoje: - foi a primeira vez que lhe peguei e também deve ter sido a última!
O que é que aconteceu? Qual era o sentido verdadeiro do meu presente tão lindo?...
É que o meu pai (compreendi-o mais tarde) não podia comprar uma bola para cada um dos três filhos. E como não sabia a qual deles atribuir esta – pois isso provocaria um conflito de interesses e era motivo para o dono da bola se vingar de qualquer irmão e não o deixar brincar com ela – a bola foi dada a quem não podia dar-lhe uso, mas apenas e tão-só admirá-la.
Na minha inocência, percebi naquele dia de Natal que o verdadeiro dono da bola era o meu pai quando este declarou:
- Agora, quem manda na bola sou eu porque a menina, afinal, não precisa dela.
Não tenho palavras para descrever o primeiro momento de plena infelicidade que vivi na minha vida. O que era meu deixou de o ser! O mais belo deu lugar ao absolutamente nada!...
Isto foi o que eu senti. E, embora não o soubesse expressar nessa altura, ficou para sempre gravado na minha memória depois de o meu pai ter respondido a esta pergunta do meu irmão mais velho:
- Porque é que o Menino Jesus deu a bola à Graça (uma menina)?
A resposta do meu pai foi clara:
- Porque ela foi, de todos vocês, a que se portou melhor durante o ano.
Justificada a atitude, aparentemente desconexa, do Menino Jesus, o pensamento repetia-me sem que eu tivesse capacidade de dizê-lo alto: “Então como é que, sendo eu a que me portei melhor, e tendo recebido o melhor presente, acabei por não ter absolutamente nada?”
Ainda hoje sonho com esta amargura de ter alguma coisa e de ma tirarem. Talvez isso explique o amor que eu sinto por tudo quanto é meu e a dificuldade que tenho em dar o que me pertence. Isso caracteriza a minha personalidade: - o apego ou amor que tenho ao que é meu; e a ausência total de inveja dos outros em relação ao que lhes pertence.
Aliás, quero recordar aqui o que já é do conhecimento de alguns: - a primeira palavra que o meu filho Miguel disse foi a palavra “Meu”.
Quem pensa que as crianças – por serem pequenas – não sofrem porque não entendem, e que não ficam marcadas com as suas experiências, está completamente enganado. São experiências ainda mais dolorosas e mais marcantes aquelas que não conseguimos compreender.
Ao educar os meus filhos, eu tive sempre o cuidado de lhes explicar porque agia deste ou daquele modo porque sabia bem que eles me compreendiam. [14]

terça-feira, maio 24, 2005

Rosária e Carlos

No passado dia 5 de Maio eu escrevi que era possível que aparecessem outros amigos a escreverem também neste blog dos «Lapas». E disse que isso se devia ao facto de haver alguns amigos que eram como pessoas da família.
É este o caso da Rosária e do seu marido Carlos.
Ela é professora de filosofia, foi colega da Graça desde os bancos da Faculdade, e é uma amiga fiel e dedicada há mais de 30 anos.
Trata-se de uma pessoa de grande bondade e altruísmo, uma vez que está sempre pronta (às vezes com prejuízo dela própria e da sua família) para ajudar todos os que precisam dela.
Também o Carlos é uma pessoa de grande compreensão e tolerância que nos honra com a sua simpatia e amizade há muitos anos.
Por isso, eu convidei-os a escreverem aqui alguma coisa (sobre qualquer tema que achassem oportuno e interessante).
Estou certo de que todos os membros deste blog poderão aproveitar muito com os seus conhecimentos, com a sua maneira de ser e com a partilha da sua amizade.
Espero que este convívio seja enriquecedor para eles e para todos nós.
Aqui fica um grande abraço de boas-vindas para eles.

sábado, maio 21, 2005

Uma história do Natal

O meu irmão Jorge teria 8 ou 9 anos quando, pelo Natal, pediu ao Menino Jesus uma caneta de tinta permanente.
Uma caneta destas era coisa rara porque as canetas de pau e aparo sujavam os dedos e a pedra-pomes era áspera e dolorosa.
A caneta de tinta permanente era, pois, um presente muito apreciado.
Chegou a noite de Natal.
E, antes de nos deitarmos, havia algo que era «sagrado»: - todos corriam com o coração ansioso a porem os seus sapatos na banca a cujo canto estava o forno de cozer a broa.
Feito isto, a ordem era de irmos todos para a cama. E, por maiores que fossem as nossas expectativas, não tardávamos a cair no sono.
Mas, o Jorge sonhava com a sua bonita caneta de tinta permanente. E hoje sei que ele foi o primeiro a acordar e a ir ver o seu presente.
Mas, ao chegar ali… Desilusão!... Espanto!... A “sua” caneta de tinta permanente não estava nos seus sapatos, mas sim nos do Vítor!... Tinha sido, de certeza, um engano do Menino Jesus!...
Por isso, sem que ninguém desse conta do sucedido, o Jorge resolveu fazer a troca “justiceira”. O seu irmão mais velho nunca tinha pedido ao Menino Jesus uma caneta de tinta permanente. Por isso…
Mal a troca acabou de ser feita, já a cozinha era invadida pelas outras crianças, todas elas com os corações ansiosos.
E, como era habitual, cada uma delas correu para os respectivos sapatos.
Desembrulhadas as prendas, era também «sagrado» o ritual de irem todos a correr até ao quarto dos pais, a informar estes da prenda que o Menino Jesus lhes trouxera.
Quando o Jorge mostrou a sua linda caneta com uma tonalidade verde, ele reparou que os pais se entreolharam admirados... E teve mesmo a impressão de que o «engano» do Menino Jesus se devia a um qualquer erro da minha mãe.
É que ele ouviu o meu pai a dirigir-se à minha mãe e a perguntar a esta:
- Ó Lurdes, tens a certeza de que não te enganaste a pôr as prendas nos sapatos?
Até agora, o Jorge manteve esta história em segredo.
E ainda hoje continua sem saber explicar o que naquela altura foi pior para ele: - ou o saber que a caneta que pedira ao Menino Jesus não era, afinal, para ele; ou a descoberta de que... não era o Menino Jesus que trazia as prendas às crianças!!!...
Esta história mostra que a inocência de uma criança – ao pretender emendar aquele «engano» do Menino Jesus – acabou por tornar justa uma atitude dos pais que era apenas lógica (o filho mais velho é aquele que deve ter primeiro uma caneta de tinta permanente).
Ou, por outras palavras, o Menino Jesus pôs e a criança dispôs… [13]

Aniversário


Para a Sónia Catarina (filha da Rosa Lapa):
De Joaquim Gomes (tio)


Olá querida:

Sei que tu fazes hoje 16 aninhos.
É uma linda idade para uma menina também muito linda!
Espero que tenhas um dia de anos muito feliz, que tenhas boas prendas, que o jantar com os teus amigos corra muito bem, e que este dia se repita por muitos anos, sempre com saúde e com a alegria que nós te conhecemos.

Muitos beijinhos do tio, da tia e dos primos

Tio Quim