quinta-feira, maio 12, 2005

O meu pai voltou a falar comigo

Bem haja, Regina.
Você fez-me recordar o «burrinho» natalício que um dia veio do Brasil e que ainda deve estar guardado num qualquer recanto da casa de meus pais.
O que eu não sabia era que o meu pai, bem ao seu jeito, tinha feito um poema a esse postal de boas festas.
Ao reler todos estes poemas, eu "senti o meu pai junto de mim".
Isso foi para mim uma experiência emocionante, muitíssimo boa, já que - quando eu estou junto do meu pai - "o sinto muito distante de mim", por causa da sua doença de Alzheimer! O seu olhar distante e perdido apenas nos diz que vive, mas que o Mundo já não tem para ele nem significado nem sentido.
Obrigada por me ter permitido "ouvir" de novo o meu pai.
Ele e os seus conselhos fazem-me muita falta.

Um beijo infinito desta prima que aprendeu a gostar tanto de si

Graça

quarta-feira, maio 11, 2005

Recordações de Portugal

Pois bem
Todos devem estar a se perguntar o que eu teria de recordações de Portugal se nem ao menos conheço esse pais?
Tenho a vos informar que realmente nunca estive em Portugal, mas pelas tantas idas e vindas de meu pai (Polivio) a sua terra natal, e de tanto ele contar as coisas que viveu por lá posso dizer que em minha mente, bem como em minha vida existem recordações de Portugal.
Agora vou contar algumas delas.
Eu era bem pequena quando meu pai um belo dia disse: "Vou a Europa, estou com saudades de todos..."
E ai ele foi. Sempre que ia ficava por lá pelo menos trêes meses, e eu ficava aqui esperando seu retorno com muita espectativa, pois além dos presentes que sempre acompanhavam sua bagagem ele trazia também muitas histórias, isso quando não trazia algum parente junto, como o fez uma vez, trazendo sua irmã Laurinda.
Pois bem é sobre este epsódio que quero contar. O dia em que meu pai chegou acompanhado de sua irmã foi uma festa lá em casa, pelo menos minha mãe trocou os móveis da sala (rsrsrs) as cortinas, e os badulaques, tudo para agradar a cunhada.
Minha mãe ficou tão nervosa e preocupada com a chegada da tia Laurinda que nem parecia a mesma pessoa queria sempre agradar, mas quem disse que tia Laurinda estava preocupada com isso?
Lembro-me de que passeamos muito levamos ela para conhecer a baixada santista (nossa praia paulista) fica há 1 hora de São Paulo, levamos ela para ver nossos parentes e amigos aqui do Brasil e o mais engraçado é que quando ela estava para retornar a Portugal conseguiu convencer a minha madrinha (Tia Maria) a ir junto com ela. Achei engraçado porque com aquele leva e trás de gente eu só queria saber quem é que iria voltar com a minha tia Maria.
A tia Maria quando voltou trouxe também muitas histórias, mas a mais engraça e a que dou risada até hoje é do fato de que ela presenciou uma briga da tia Laurinda com não sei quem lá por causa de uma pedaço de pano, mas ai o padre se meteu no meio e a Tia Laurinda bateu no Padre (rsrsrsr).
Gente esta história é contada atá hoje aqui em casa, é motivo de muita risada pois ficamos imaginando o padre apanhando.
Outra coisa que me lembro é do meu pai tirando da mala um tal "estudante de Coimbra", era uma estatueta toda preta com um pano vermelho pelas costas. Pra mim naquela altura parecia mais uma padre, hoje olho para a mesma estatueta e recordo-me com alegria.
E quando meu trazia cerejas portuguesas, ai meu Deus, dá até água na boca. E as amendoas, nossa ...
Tínhamos aqui também um galo que media a temperatura, esse era a sensação lá de casa. O bichinho ficava azul, verde, rosa. Muito engraçado, todo mundo que chegava meu pai ia mostrar.
Meu pai trouxe também um tal de "Licor de Merda", niguem quis tomar o treco. A bebida ficou guardada por anos e só foi aberta no dia do baile de minha formatura em 2001 (tava bom rsrs)
Troxe também um licor com uma pera dentro, esse foi engraçado, porque ele guardou tanto a bebida e depois de muitos anos resolveu abri-la, acho que foi no seu aniversário de 70 anos, a bebida estava estraga e a pera podre, demos muitas risadas e até falamos pra ele ir até ai novamente buscar outra.
Bom, o Quim colocou no blog uma poesia de um escrito brasileiro em homenagem a união dos povos portugueses e brasileiros. Eu agora vou colocar uma poesia de um poeta que ainda está entre nós, mas infelizmente muito doente. Trata-se de uma poesia que me foi entregue pelo meu pai há mais ou menos uns 28 anos. O papel está amarelado, mas continua intacto. Essa poesia foi feita pelo Tio Lapa, a quem agora presto homenagem, ele a escreveu para mim e por isso também serve para unir os Lapas aos Cruz do Carmo.
Então lá vai:
PARA A MINHA REGINA
1
Para que hei-de eu casar,
se só prevejo castigos!,
Quasi todos os casado,
Se tornam arrempedidos!
2
Mas se eu chegar a casar,
Tenham todos a certeza,
Que não é para desbanjar,
Nem o amor, nem riqueza!
3
Mas sim para conseguir,
Mesmo que com sofrimento,
Um rico e belo provir,
Cheio de contentamento!
FIM O TIO, responde:
Tinha vinte anos, eu
Pensava de igual maneira,.....
Por isso o que sucedeu,
Foi cair na ratoeira!!!!!!
FINALMENTE
Ele também escreveu uma para o meu irmão Sergio e vale à pena todos conhecerem:
PARA O MEU SERGIO
I
Nasci pouco inclinado,
Em desistir à primeira
Morrer triste e definhado
À sombra da bananeira?,.....
II
Cuidado meus pergaminhos!,
Vós não sereis maltratados!!!!!
Eu homem de colarinhos,.....
Não vos quero enxovalhados!!!!
III
Murchando quaisquer flores
Que plantei no meu quintal,
Comprá-las-ei bem melhores
E com ODOR especial!!!!
F I M
Pela vinda de B. Festas
Encantador senário, o
Tio responde:
Um burrinho (que meiguice!)
O teu tio (burro) contemplou!
Lembrando tanta tolice,
Que em sua vida engendrou!!!!!!!!
2
Quanto vi, bém natural,....
Mas vir um BURRO, "incrivel"
Com tantos em Portugal,
E vir mais um do Brasil!!!!!
FINAL-MENTE!
Pois bem estas são as minhas primeiras palavras de saudades de uma família que não conheço, mas que gostaria muito de conhecer...
Fiquem com Deus
Bjs
Regina (Brasil)

terça-feira, maio 10, 2005

Celebração

Para celebrar o facto de a Regina conseguir escrever no nosso blog, aqui fica um poema do poeta brasileiro Álvaro Alves de Faria (nascido em São Paulo em 9/2/1942).
É um dos seus poemas escritos em Portugal nos anos de 1998, 1999 e 2000.
O poema trata da nossa querida cidade de Coimbra.
Por isso, ele parece-me apropriado para fazer a ligação afectiva que existe entre nós e que está unindo as cidades de Coimbra (Portugal) e de São Paulo (Brasil).


Coimbra


Calmo é o espanto da cara
a faca inerte que corta o dia
a poesia do dia.

Parco é o instante que morre
o ausente pressentir o nada
o tempo do nada.

Pouca é a palavra que finda
a boca que cala o lábio
o contorno do lábio.

Por estas ruas
ouço Coimbra a morrer em mim
poeta que sou de outra terra
e que estende o olhar possível
essa ave nos arcos
nas pedras
essa água desse rio que me lava
rio que me leva.

Não é tudo despir-me
como se a orar-me por dentro
por esta santa Clara
por esta Isabel de rosas vermelhas
por esta Inês de face branca
que por não ser santa é mulher.

Por este ausentar-me de mim
como se assim pudesse viver
pudesse viver.

Por estas ruas me perco
e assim será para sempre
para que me faça
à janela que me abre ao sol
ao abraço
dessa mulher que me dá adeus
que me dá adeus.

segunda-feira, maio 09, 2005

OLHA EU AQUI

Puxa conseguimos!!!
Tenho que contar a todos os colaboradores deste blog o porque de minha euforia.

Pessoal depois de muito esforço e de muitas tentativas eu, o Quim e o Luis conseguimos dar um jeito para que eu escrever um post no blog da família.
Eu to até emocionada, juro o esforço valeu à pena.

Mas recebi orientações para escrever pouquinho da primeira vez, então pessoal essa minha primeira estada no blog foi só pra testar.
Se tudo der certo estarei postando todos os finais de semana com novidades e histórias minhas para contar a todos que visitam o blog.
Por hora é só senão o Quim briga comigo.

Bjs a todos

Regina (Brasil)

Experiência

Regina:

Aqui vai a nossa primeira tentativa de escrever no blog em seu nome.

Quim

sexta-feira, maio 06, 2005

Como "postar"?

A pedido de muitas (?!) famílias que aqui se encontram, eu decidi "postar" mais uma vez. A verdade é que a parte mais difícil de escrever um bom "post" é o início: o tema. O tema deste "post" foi sugerido pelo nosso Administrador, a quem me dirijo com o maior respeito (obrigado pelo comment, mas aquela do leão...bibó fê-quê-pê!), para responder às dúvidas da família «Carmo & Baptista» e, talvez, de outros colaboradores deste excelentíssimo "blog". A dúvida com que os supracitados se deparam é a seguinte: «Como "postar" neste "blog" (ou qualquer outro em que esteja inscrito)?» Este mistério da informática e das telecomunicações será então aqui revelado, em simples passos:

1.O utilizador NÃO se deve dirigir imediatamente ao "blog", deve sim, ir a www.blogger.com

2.Nesta página inicial deverão ver, no canto superior direito, dois campos de texto: «username» e «password»

3.No campo de «username» deverão digitar o nome de utilizador do blog (por exemplo, «deophanto»)

4.No campo de «password» deverão digitar a palavra passe correspondente

5.Depois de clickarem em «Sign In», deverá aparecer o «Dashboard» no qual deverão constar os "blogs" em que estão inscritos

6.Ao lado do nome dos blogs, estará situada uma cruz verde que dirá «New Post», basta clickar para aceder ao editor de texto

7.Depois de escrito o título do "post" e o texto em si, clickar em «Publish Post» (no final da página) é o quanto basta para o "post" seguir direitinho para o nosso "blog"


Espero que todos tenham percebido como fazer "posts", o nosso "blog" fica muito pobre só com "comments". Falando nisso, gostaria, uma vez mais de deixar aqui um solene agradecimento por este "alargamento" e pelos acolhedores "comments" com os quais me brindaram nesta entrada para o "blog": obrigado!


PostScriptum: Os vossos “posts”, repito, são essenciais e um grande contributo para este “blog”. Agora que já sabem como se faz, “postem”! Só para ficar esclarecido, apesar das diferenças gramaticais e semânticas entre o Português de Portugal e o do Brasil, o meu nome, como o de todos, é universal. Esclareço então: Luís Correia.

quinta-feira, maio 05, 2005

Nova Aquisição

Boa noite senhoras e senhores membros do blog, inigualáveis "Lapas", caríssimos amigos dos mesmos, excelentíssimo Administrador do "Lapa-Mundi"...
É com grande prazer que me endereço a vós. Como comunicado anteriormente pelo nosso grande Administrador, ele que dirige este (agora) nosso "ponto de encontro", há hoje mais um a participar no blog. Esta nova aquisição nada teria de tão especial senão essa pequena/grande diferença que me separa (por vezes, aproxima) de vós. A entrada de um "não-Lapa" como "postador" é um enorme salto na caminhada do sucesso deste Web Log, estou certo. Certo estou também de que este irá ser um incentivo fortíssimo para todos os contribuintes do mesmo e que surgirão novos "posts", cada vez com mais companheirismo, amizade e fraternidade para com todos. Hoje, agradeço a todos os que puderam tornar isto possível: eles sabem quem são, e sabem o que são para mim.
"Despeço-me com amizade", até ao próximo "post"...



PostScriptum: Que este "post" vos sirva de exemplo para futuras referências. Mais uma vez, obrigado.

Amigos

São muito poucos os membros já inscritos neste blog que escreveram nele alguma coisa.
Alguns deles escreveram um post, mas fizeram-no só uma ou duas vezes.
Outros limitaram-se até agora a escrever pequenos comentários aos posts que são escritos por outras pessoas.
Sendo assim, parece-me que chegou a altura de eu convidar também alguns amigos a escreverem aqui alguma coisa, para ver se fica mais interessante o nosso blog.
É o caso de uma pessoa que me manifestou expressamente o seu interesse em escrever aqui alguns textos.
Trata-se do Luís Miguel Silva Correia, o filho da nossa empregada e amiga (D. Isabel), que é estudante, que sabe bastante de computadores, e que já apareceu neste blog em algumas fotografias.
É possível que - para além dele - surjam aqui outros amigos nossos a escreverem alguma coisa.
Isto é um lugar de convívio entre familiares.
Mas, a verdade é que certos amigos são como pessoas da família.
Por isso, é justo que este convívio seja alargado também a eles.
Disso resultarão, por certo, benefícios para todos.
Por agora, resta-me dar as boas vindas a este novo membro e desejar que ele nos traga até aqui muitas coisas interessantes.

P.S. - Tendo em conta esta nova faceta do blog, eu já alterei o subtítulo do nesmo blog (como podem verificar no cimo da página), incluindo nele também os amigos da família «Lapa».

Quim

quarta-feira, abril 27, 2005

Doença


Infelizmente, este blog também serve para transmitir notícias tristes!...
A família do Brasil tinha razão ao pensar que tinha acontecido alguma coisa...
É que eu (Quim) tive um problema no intestino (uma estenose) e tive de ser operado com urgência no Hospital da Universidade de Coimbra.
Estive ali internado entre os dias 8 e 25 de Abril de 2005.
Eu não quis preocupar as pessoas e, por isso, pedi para não dizerem nada durante algum tempo.
Agora, já estou em casa e sinto-me melhor.
Mas, ultrapassada a primeira fase do tratamento, vou começar em breve a fazer quimioterapia.
Para isso, já me implantaram um catéter fixo no peito.
Espero que a quimioterapia consiga devolver-me a saúde e que tudo corra pelo melhor.

Por agora, é só isto.

Um abraço para todos.

Quim

quarta-feira, abril 20, 2005

Mais um aniversário!

É verdade, mais um membro deste nosso respeitoso blog fez questão de celebrar mais um aniversário!
Esse membro é o meu tio Jorge!
Não sei quantos anos ele fez, mas acho que anda por volta dos quarenta e dezassete!
Tio, que tenhas um dia feliz e cheio de saúde.
Quando estiveres por cá, avisa!

Muitos beijinhos e abraços de nós todos.

Miguel

À minha Lua

«Mamy! Ter um filho custa muito?» Pergunta-me com frequência a minha filha Joana.
É fácil perceber porquê: é mulher, e não há nenhuma que resista a um «beijo de carne» quer ele vá ao colo da sua mãe, ou escondidinho num carrinho. O olhar de uma mulher procura sempre uns olhinhos - que não sei definir - que lhe façam recordar os que um dia beijou 1000 vezes e eram apenas «seus». Mas, a este ímpeto está ligado indissoluvelmente o receio, o medo da dor.
Eu respondo, como quem não dá muita importância à pergunta...«Claro que não custa muito ter um filho.» E desenvolvo um arrazoado de ideias e argumentos para descrever a beleza e o amor que se sente e vive depois desse momento e experiência inesquecíveis. Mas, neste caso às 5 horas da tarde do dia 20 de Abril, quando nasceu a Joana, a resposta é plenamente verdadeira. A Joana não custou nada a nascer. O Doutor Mário Mendes cumpriu o que me prometera... Não sofrer. E eu não sofri. A Joana nasceu através de uma cesariana, pois o cordão umbilical estava todo enrolado à sua volta, prendendo-a ao calor do ventre materno, como que advertindo-a ou a demorá-la em sinal divinatório de como a vida é difícil e cheia de sofrimento.
Ela hoje, mulher que é, sabe isso. E embora me tenha dito aos 10 anos: «Mãe, não quero crescer!», julgo que ama a vida e é feliz por ter nascido. A sua vida nunca perdeu sentido até hoje, e isso é a essência do existir. Não tenho dúvida de que terá a força, o saber, e a vontade de não desistir de construir em cada dia a sua felicidade, a sua «Eudaimonia».
Ela saberá sempre conciliar a virtude da prudência com a do conhecimento; os valores que a família lhe transmitiu com a humanidade, e a ternura que a constituem como pessoa.
Ela foi e é a minha força, a minha «caixinha dos segredos». Quando me fala é sempre para me dizer algo profundo, algo que me ensina a viver melhor.
No dia 20 de Abril nasceu o segundo filho da minha mãe, o meu irmão Jorge a quem abraço e desejo uma vida feliz e cheia de saúde. Nesse mesmo dia (uns anos depois) nasceu o meu segundo filho - a Graça Joana.
Minha filha, o teu nome é da inteira responsabilidade do pai que te adora, e muito embora naquela altura me tenha provocado um sentimento de estranheza (continha o meu nome), hoje é o nome mais doce que posso pronunciar ou ouvir. E a tua voz, quando entra em casa e chama «Mamy», enche de luz a minha alma como a lua ilumina uma noite fria.

Amo-te muito minha querida.

A tua mãe,

Graça

Aniversário

Faz hoje 21 anos que nasceu nesta cidade de Coimbra aquela que é para mim a menina mais linda de todos os tempos.
É a minha filha Graça Joana.
Naquele ano de 1984, pelas 5 horas da tarde, o dia 20 de Abril era uma sexta-feira santa.
Desde então até hoje, nunca mais a sexta-feira santa voltou a coincidir com o dia 20 de Abril. E já lá vão 21 anos. Pode ser que um dia isso ainda venha a acontecer...
Por isso, nestes anos todos, eu sempre brinquei com a minha filha dizendo que ela fazia anos duas vezes por ano - 1 vez no dia de sexta-feira santa, e outra vez no dia 20 de Abril.

Não sendo muito alta, a minha filha não aparenta ter mais de 15 ou 16 anos, o que nem sempre é do agrado dela.
Por essa razão, e também porque a adoro muito, a minha filha há-de ser sempre para mim a minha pequenina.

Aqui fica um abraço muito grande e muitos beijinhos para ela.

O papá

Quim

sexta-feira, abril 15, 2005

Parabéns Teco!

Quem já passou por nossa casa, certamente conhece esta simpática personagem, de seu nome Teco.
Ele é um gatinho persa, e embora o senhor da loja onde ele foi adoptado tenha dito que ele era um «persa inglês», a verdade é que ele sempre miou no mais perfeito português.
Ele é um bicho pacato, humilde e simpático. Nunca o vi a arranhar ninguém sem ser em legítima defesa, e curiosamente convive cordialmente com toda a espécie de cães e de ratos.
Já com gatos a coisa muda de figura... Não sei se foi trauma de infância gerado pela cirurgia que fez com que passasse para todo o sempre a miar fininho, ou se é simplesmente medo que os seus donos se enamorem por outra criatura da mesma espécie. O que é certo é que o simples vulto de outro gato faz com que ele perca o discernimento e encete uma perseguição sem tréguas, que pode até chegar a vias de facto!
A verdade é que o Teco já não é nenhum jovem... Completou no passado dia 15 de Fevereiro onze primaveras, e a razão deste post é a celebração não do aniversário do seu nascimento, mas sim o aniversário do seu aparecimento em nossa casa! É que foi no dia 15 de Abril de 1994 que a minha mãe entrou em casa com uma caixa de cartão, anunciando a adopção do felino em questão.
Este acto foi na altura interpretado como sendo uma prenda de aniversário antecipada para a minha irmã, mas ainda hoje a sua propriedade é muito discutida...
O seu principal desporto é passear no jardim e saltar e deslizar pelas ombreiras das portas e das janelas.
Também gosta muito que lhe façam festas, e nem sequer se importa de servir de bola para os chutos "carinhosos" do meu pai.
Todos nós gostamos muito dele, e, apesar de por vezes nos pregar algumas partidas e de presentemente dormir cerca de 20 horas por dia, temos noção de que sem ele não haveria tanta alegria em nossa casa!


Parabéns Teco !


sábado, março 26, 2005

Aniversário

Olá Vinícius.
Não sabemos quantos anos fazes hoje.
Mas, a família que mora em Portugal espera que tu tenhas um dia muito feliz e divertido, que te dêem muitas prendas, que te vejas rodeado e acarinhado por aqueles que te amam, e que este dia se repita por muitos anos.
Muitos parabéns para ti e também para os teus pais (Regina e Sérgio).

Um grande abraço de nós todos.


P A R A B É N S !!!

Uma profissão de risco

Vivíamos na aldeia de S. João do Campo, perto de Coimbra.
O meu pai era o responsável pela vigilância do rio Mondego e seus afluentes desde Coimbra até à Figueira da Foz. Entre as suas competências contava-se a de proteger as margens da chamada vala do norte (um braço do rio), especialmente no tempo das cheias.
Com ele trabalhavam os guarda-rios que o acompanhavam a qualquer hora do dia ou da noite.
O seu zelo profissional não era bem aceite por uma parte da população, a qual costumava aproveitar essas alturas de inundações para atravessar os diques, ir à mata do Estado cortar árvores e arrastá-las na corrente até suas casas.
Esta actividade era proibida por lei. De facto, os troncos que eram conduzidos através da corrente provocavam a destruição dos diques, que tinham de ser reconstruídos a fim de protegerem os campos e as casas daquela zona.
Ora, todas as manhãs o meu pai ia encontrar os diques destruídos em vários sítios e as pessoas na maior aflição por terem as suas propriedades inundadas.
Para obviar a isto, o meu pai resolveu fazer a vigilância dos diques durante a noite.
É necessário que se diga que o meu pai tinha – por causa das suas funções – autorização de uso e porte de arma de fogo.
Logo que foram descobertos os vários infractores, estes foram multados e participadas as ocorrências ao tribunal.
Tendo visto frustrada a sua actividade criminosa, os referidos indivíduos juraram que um dia haviam de matar o meu pai.
E diziam pela aldeia fora para quem os ouvia:
- O senhor chefe só é destemido porque anda armado. Mas, um dia ele há-de ficar sem a pistola.
Contudo, o meu pai era muito corajoso e nunca se deixou intimidar. Assim, continuou a fazer a vigilância nocturna, muitas vezes sozinho.
Uma certa noite, ele saiu de casa para trabalhar. A minha mãe foi vê-lo sair à varanda do meu quarto. É que ela ficava muito aflita sempre que ele saía em missão de fiscalização.
Quando aquele estava prestes a chegar à esquina da casa, no cruzamento da povoação, a minha mãe deu um grito de aflição, exclamando:
- Cuidado, Manel!... Eles estão na esquina da loja e vão te matar!
Eu já estava a dormir na minha cama, e foi com este grito de aflição da minha mãe que acordei.
Soube depois que quatro indivíduos (alguns dos quais já eram ex-presidiários) tinham corrido para junto do meu pai, procurando imobilizá-lo e tirar-lhe a arma.
Para se defender, o meu pai ainda disparou um tiro para o ar.
Mesmo assim, eles conseguiram agarrá-lo, deram um golpe de navalha na mão que segurava a arma e tiraram-lhe esta.
A minha mãe continuou a gritar com toda a força que podia, repetindo sempre:
- Ah, seus malandros! Deixem o meu homem que ele tem filhos para criar e nunca vos fez mal.
Ao ouvirem o barulho, outros populares vieram às janelas de suas casas e gritavam de lá:
- Deixem o senhor Lapa.
Os quatro indivíduos puseram-se de imediato em fuga, levando com eles a arma da vítima.
Estando bastante ferido, o meu pai regressou logo a casa.
No dia seguinte, ele apresentou uma queixa-crime na esquadra da Polícia Judiciária de Coimbra.
O processo seguiu os trâmites legais, os quatro indivíduos vieram a ser condenados e a arma foi restituída ao meu pai.
Resta acrescentar apenas que esta arma acompanhou o meu pai durante toda a sua vida de funcionário público, uma vez que ele tinha uma profissão de risco e precisava de defender a sua vida e integridade física dos ataques dos criminosos.
Mas, embora essa arma lhe pertencesse, ele não quis continuar na sua posse nem deixá-la para os seus filhos na altura em que se reformou, com 70 anos de idade. Por isso, aquele decidiu entregar a pistola e os respectivos documentos na esquadra da Polícia de Segurança Pública mais próxima. [12]

sábado, março 19, 2005

Uma falsa acusação

Eu ainda não teria seis anos de idade. Os meus padrinhos Natália e André trouxeram-me da casa dos meus pais em S. João do Campo para a casa em que eles viviam, na rua Augusta, em Coimbra.
O tempo estava quente e decorria a Festa do Espírito Santo, em Santo António dos Olivais.
Numa dessas noites, tínhamos ido ver os carrosséis. O meu tio comprou-me dois lindos brinquedos: - um pequeno fogareiro de barro e uma cântara pequenina do mesmo material. Senti-me feliz. Mas, essa alegria não durou muito tempo. Aliás, as minhas alegrias nunca duravam muito tempo quando eu estava junto dos meus tios.
No dia seguinte, Domingo, de manhã cedo, acordei e fui para a cozinha brincar com os meus presentes.
Aquele dia decorreu normalmente.
Na segunda-feira à tarde, a minha madrinha chamou-me e disse-me:
- Não te chegou o que te comprámos? Ainda tinhas que ir roubar o dinheiro que estava em cima do frigorífico para ires à mercearia comprar rebuçados?
Eu fiquei sem fala!... Não fazia a mínima ideia do que ela estava a falar.
- Então, ficas aí com essa cara espantada e não dizes nada? – perguntou a minha tia.
Eu, timidamente, respondi-lhe:
- Eu não tirei dinheiro nenhum. Eu não comprei nada.
- És uma mentirosa
– disse ela. Aliás, com esses dentes assim raros, quem é que pode acreditar em ti? Não só roubas como ainda mentes. Mas, quando o teu pai vier cá almoçar amanhã, podes crer que lhe contaremos este episódio.
Ao final da tarde, o meu tio chegou das suas aulas no Liceu D. João III.
A primeira coisa que a minha tia lhe disse foi:
- Sabes, André? A tua sobrinha tirou os trocos que estavam em cima do frigorífico. E não só os tirou como ainda negou tê-lo feito.
Eu estava aterrorizada porque era habitual o meu tio bater-me por qualquer motivo.
Ele sentou-se num banco, encostou-se à mesa da cozinha e disse-me:
- É verdade o que a tua tia acaba de me contar?
Com as lágrimas a rolarem-me pela cara abaixo, e aos soluços, eu disse-lhe:
- Eu não tirei dinheiro nenhum.
Ao ver-me chorar assim, o meu tio disse:
- O teu pai vem cá amanhã almoçar connosco e já resolve esse problema.
Nessa mesma noite, rezámos o terço todos juntos, como era habitual. Eu rezava em voz baixa por me sentir muito triste. De repente, levei uma grande chapada do meu tio, ao mesmo tempo que ele me dizia:
- Quero ouvir a tua voz. Reza alto, ouviste?
No outro dia, o meu pai chegou para almoçar. Ainda me lembro bem da felicidade que ele tinha no rosto ao ver-me. Eu também fiquei feliz por o ver e agarrei-me ao pescoço dele. Então, dei largas à minha tristeza e chorei convulsivamente, agarrada a ele.
Perante isto, ele perguntou-me:
- Filha, o que é que tu tens?
Eu não conseguia largar-me do pescoço dele e parar de chorar.
A minha tia apressou-se a explicar as minhas lágrimas, narrando todas as falsas acusações que já antes me tinha feito.
Depois de a ouvir, o meu pai sentou-se num banco, muito triste, tirou-me os braços do pescoço e pôs-me no chão entre as suas pernas.
E perguntou-me:
- Minha filha, tu tiraste o dinheiro à tua tia? Onde é que o tens?
Eu respondi-lhe:
- Ó papá, eu não tirei dinheiro nenhum. Não sei onde ele está.
Enquanto eu falava com o meu pai, a minha tia ia dizendo:
- Ó Manuel, é natural. São crianças. Elas nem sequer sabem o valor do dinheiro.
O meu pai disse-me então:
- Pronto, filha, não te aflijas. Mas, não voltes a tirar dinheiro nenhum porque eu fico muito magoado contigo. Não foi isso o que eu te ensinei.
Almoçámos. O meu pai foi-se embora e eu continuei a viver naquela casa.
Os dias continuaram sempre iguais. Só eu não esquecia o que tinham feito comigo.
A partir dali, eu metia-me nos cantos, atrás das portas, debaixo das camas, dentro dos guarda-vestidos, em silêncio, e sempre a chorar.
Ao ver isto, foi a minha tia que tomou a iniciativa de dizer ao marido que tinham de me levar para casa dos meus pais.
Uma certa noite, enquanto rezávamos o terço, a minha tia ia arrumando a cozinha. Terminada esta tarefa, começou a limpar o chão da mesma cozinha.
Ao passar com a serapilheira por baixo do frigorífico, ouviu-se um ruído metálico. A minha tia desencostou o aparelho e – ao ver o dinheiro no chão – disse:
- Ó André, afinal as moedas estão aqui. Caíram para trás do frigorífico.
O meu tio continuou a rezar e não disse uma palavra sobre o assunto.
Terminado o terço, fomos todos para a cama sem qualquer alusão ao acontecido.
Eles terão pensado na altura que eu não me apercebi de que aquele dinheiro encontrado no chão era o mesmo que eles afirmavam que eu tinha roubado.
Mas, eu vi bem os olhares que eles trocaram entre si e percebi que aquelas moedas eram as mesmas (duas brancas e três pretas) que eles disseram que eu tinha roubado de cima do frigorífico.
Para aqueles adultos, uma criança como eu não valia nada.
Talvez por isso, eu tratei sempre os meus filhos com seriedade e justiça, como se eles fossem pessoas adultas.
Quando regressei ao seio da minha família (deixando para trás todos os brinquedos que aqueles tios me tinham dado) eu levava esta grande alegria para contar ao meu pai:
- Papá, a madrinha encontrou as cinco moedas no chão, atrás do frigorífico. Como vês, eu não as roubei.
Nessa altura, ele abraçou-me muito e levantou-me no ar.
Depois disse-me:
- Ó minha querida filha, eu acreditei sempre em ti. Sei bem que tu nunca me mentiste. E queres saber uma coisa? Os teus tios bem querem perfilhar-te, mas eu nunca deixarei que isso aconteça. Nunca! [11]

sábado, março 12, 2005

Um homem pobre...mas feliz

O meu pai ia com frequência para longe de casa durante vários dias para fazer a fiscalização dos rios e das ribeiras. Ele ia de camioneta até certos sítios e, a partir daí, a viagem era feita a pé pelas serras, a corta-mato, seguindo aqueles cursos de água.
Os subordinados do meu pai (guarda-rios) acompanhavam-no e iam mostrando a este o trabalho por eles feito, as infracções verificadas, as multas aplicadas, as licenças concedidas, e os casos mais complicados que podiam acabar no tribunal.
Nesses longos percursos, os guarda-rios chamavam por vezes a atenção do meu pai para a necessidade de fazerem uma pausa e de comerem alguma coisa do farnel que traziam consigo.
Diziam eles:
- Meu chefe, é melhor nós pararmos aqui e aproveitarmos para comer qualquer coisa.
E tiravam dos cestos de verga que traziam pedaços de carne, de broa, e uma garrafa de vinho.
O meu pai dizia-lhes:
- Podem sentar-se e comer à vontade porque eu ainda vou dar por ali uma volta.
Isto ia-se repetindo ao longo do dia, de modo especial quando os muitos quilómetros percorridos exigiam ao corpo algum descanso e uma refeição mais substancial.
Mas, a resposta do meu pai era sempre a mesma:
- Sentem-se e comam porque eu vou comendo mesmo a andar.
E, ao dizer isto, ele continuava a andar enquanto tirava alguma coisa da sua mochila.
O meu pai nunca se sentou a comer junto aos seus funcionários. Comia sempre caminhando, o que era interpretado pelos subordinados como um excesso de zelo.
Só à noite, quando chegava a casa esgotado, é que nós ficávamos a saber que o meu pai tinha levado na sua mochila apenas três ou quatro pães que comia enquanto andava e que dobrava ao meio para que parecesse que eles tinham alguma coisa lá dentro.
O meu pai era o chefe de lanço. Mas, era muito mais pobre do que os seus funcionários (guarda-rios) que viviam nas aldeias remotas das serras e aí possuíam algumas terras que também agricultavam.
O meu pai sempre foi zeloso e cumpridor. Mas, aquilo que parecia um excesso de zelo era afinal um certo pudor em mostrar a sua pobreza.
Hoje, ao recordar estes factos, e tendo em conta as muitas ofertas que os guarda-rios faziam ao meu pai ao longo do ano (dizendo sempre “É para os seus meninos” – porque sabiam bem que este não aceitava nada para si), fico convencida de que aquele não conseguiu ocultar totalmente aos outros a pobreza de quem só tinha o seu magro ordenado de funcionário público e tinha sete filhos para criar. [10]

quinta-feira, março 10, 2005

Kinas Forever

tou a ver k este blog tem estado a crescer nao so no num de visitas como tambem na quatidade de pessoas k postam nele, parabens ao blog! vejam so k agora até a minha mae posta neste blog, ela k e dada às novas tecnologias!......
continua assim tio Kinas!

terça-feira, março 08, 2005

Aniversário

Olá Lucas:

Só hoje soubemos que tu fizeste 12 anos no passado dia 19 de Fevereiro.
Já não vamos a tempo de te desejar um feliz dia de aniversário.
Mas desejamos que todo este ano seja para ti cheio de saúde e alegria, com muito amor dos teus pais (Sérgio e Rosângela) e da tua irmã (Paula) e também com muitos êxitos nos teus estudos.
Muitos beijinhos da família de Portugal.

sábado, março 05, 2005

A verdade acima de tudo

O meu irmão Francisco tinha nascido no Hospital da Lousã.
Todos nós estávamos ansiosos por ir lá conhecê-lo.
O meu pai comprou na praça – sabe Deus com que dificuldade – um grande cacho de lindas bananas.
Depois de retirar as compras dos sacos, na cozinha, disse para os filhos ali presentes:
- Estas bananas são para nós levarmos à mamã, na visita que amanhã faremos ao Hospital.
Aquele dia passou.
No dia seguinte, um Domingo, o meu pai vestiu e arranjou os filhos. Depois, preparou-se para embalar o presente que ia levar à sua esposa. Então, deu-se conta de que tinham sido comidas muitas daquelas bananas.
Ao ver isto, o meu pai ficou muitíssimo perturbado. Assim, resolveu chamar todos os filhos à sua presença.
O tom de voz que ele utilizou era aquele que nós bem conhecíamos e que a todos aterrorizava.
Colocou os filhos em fila por ordem decrescente de idades, e a cada um deles perguntou se tinha sido ele que tinha comido as bananas.
A forma como foi feita aquela pergunta mostrava bem que o meu pai não admitia que alguém faltasse à verdade.
O interrogatório começou pelo Vítor, na altura com 18 anos. E terminou no Henrique, que então contava 7 anos.
Todos disseram que não tinham sido eles a comerem as bananas.
Perante isto, o meu pai decidiu:
- Então, vocês vão ser todos castigados. E começo já pelo mais velho que fica aqui comigo. Os outros vão embora, que eu depois vou chamando um de cada vez.
Os meus irmãos começaram a sair lentamente.
De imediato, eu resolvi dar um passo em frente e dizer ao meu pai:
- Papá, não lhes bata. Fui eu que comi aquelas bananas.
O meu pai mudou logo o seu tom de voz. E mandou que saíssem todos imediatamente da sala. Só ali fiquei eu e ele.
Aquele fixou o seu olhar no meu e disse-me:
- Nunca mais voltes a mentir. Eu conheço-te muito bem e sei que não foste tu a comer as bananas. Quem as comeu foi a Rosa e o Henrique. Mas, com a atitude que tu tomaste, impediste-me de os educar. Desta vez eu desculpo-te, porque sei que só o fizeste por amor a todos os teus irmãos.
Este episódio é um pouco triste. Sobretudo por ter acontecido num dia que devia ser só de alegria por irmos visitar pela primeira vez o meu irmão mais novo que acabara de nascer.
Hoje, porém, eu compreendo um pouco o meu pai. Ele tinha imenso gosto em levar aquelas bananas à esposa porque sabia bem que ela gostava muito delas e que se tratava de uma fruta que raramente era comprada em minha casa.
Recordo este facto porque ele mostra bem que o meu pai tudo fez para nos ensinar a nunca faltarmos à verdade.
Essa regra de conduta tem sido o princípio orientador de toda a minha vida e é também aquilo que eu procuro transmitir aos meus filhos, tendo a felicidade de verificar que eles compreenderam bem este valor. [9]