segunda-feira, junho 27, 2005

Saudação e esclarecimento

Eu fico maravilhado ao ver que este blog está cada vez mais concorrido! O meu post «Portugal saúda o Brasil» (de 25/6/05) já tem 6 comentários!...
Isso significa que – apesar de separados pela distância – nós estamos cada vez mais unidos pelas nossas palavras e pela amizade que demonstramos uns pelos outros.
Em vez de fazer mais um comentário a esse post, eu preferi escrever este novo post para ser mais visível por todos.


Saudação

Olá Miriane. Olá Campinas.
Como diz o Jorge, os primos dos meus primos também são meus primos.
De acordo com a explicação da Regina, você é filha da tia Yvete e irmã da Liliane e da Rosane.
Já escreveram neste blog você e sua irmã Rosane (já só falta escrever a sua irmã Liliane…rsrs).
Muito obrigado pelo seu comentário. Espero que ele se repita sempre que você julgar oportuno.
Se você e sua irmã Rosane quiserem inscrever-se como membros deste blog, para poderem escrever posts nele, devem enviar-me [só através de e-mail] o vosso endereço de correio electrónico para eu poder fazer-vos o convite formal.
O meu endereço de e-mail é do conhecimento da Regina (eu não o indico aqui para ele não se tornar demasiado conhecido e ser utilizado por pessoas indesejáveis).
Um grande abraço para si e para a sua família.


Esclarecimento

Olá Jorge:

Hoje fizeste vários comentários, todos eles muito interessantes.
É bom que o nosso blog te faça companhia e te mantenha ligado à nossa grande família, para não te sentires aí tão sozinho.
Em resposta ao teu pedido, venho esclarecer-te que a prima Rosane de A Fernandes Feres (filha da tia Yvete) resolveu colocar o seu comentário no «post» de aniversário da Rosângela (que tem a data de 06/06/05).
Eu só tive conhecimento dele porque o computador me notifica através de e-mail de todos os comentários que são feitos no blog.
E também tive dificuldade em encontrá-lo porque estava num post já um pouco antigo.
Um grande abraço de nós todos.


Nota final: - Chamo a vossa atenção para os interessantes «posts» sobre a guerra colonial que são aqui colocados pelo nosso amigo Manuel Bastos (ver o anterior, por exemplo). Eles ajudam-nos a compreender um pouco o que foi aquela guerra inútil e o que sofreram e ainda sofrem os que foram obrigados a combater nela.

domingo, junho 26, 2005

Duas palavras apenas

Em todas as linhas que escrevo para o jornal Elo está sempre a mesma coisa, que poderia ser dito com duas palavras, se não me tivesse guiado a presunçosa intenção do exercício literário: desencanto e solidariedade. Podiam ter sido escritas repetidamente até ocuparem o espaço que lá me é destinado. Mais do que isto não consigo dizer, quando falo da guerra colonial.
Descobri que me haviam mentido e o desencanto fez com que a arma que trazia nas mãos começasse a aumentar de peso e a escaldar-me como um ferro em brasa. Ao mesmo tempo que encetava um processo de desaprendizagem de todos os valores que já faziam parte de mim, acho que ia ocupando esse espaço com a aprendizagem de um valor que é hoje cada vez mais raro: a solidariedade.
Quando pensamos em solidariedade, muitos de nós pensam nos donativos que se entregam para organizações de caridade com o intuito de ficar de bem com a consciência e de abater no IRS, ou que Deus esteja olhando para nós e no Deve-Haver dos pecados nos aumente os nossos créditos. Mas do que eu me lembro quando falo de solidariedade é de um princípio que no meu grupo-de-combate estabelecemos entre nós: "O último cigarro é para dividir por todos".
É claro que isto era uma frase-feita: não se limitava aos cigarros, a divisão equitativa dos últimos recursos. Na guerra éramos frequentemente confrontados com o último de todos recursos, a vida, e não deixámos nenhum ferido para trás para pouparmos o nosso último recurso. Nem em nome da primária lei da sobrevivência nem em nome de algum obscuro desígnio patriótico. Quantas vezes somos aconselhados a abandonar os outros, ao desemprego, á fome e à exclusão social, quando os recursos são poucos, para cumprirmos objectivos patrióticos. Gostaria de pedir a alguém que tivesse acesso ao presidente Sampaio, quando ele apela ao nosso patriotismo para trabalharmos mais e por mais tempo, tirando necessariamente trabalho a outros, só para lhe dizer que o último cigarro é para dividir por todos. Não sei porquê, mas acho que ele entenderia.

Posted by Hello
Este grupo de crianças jogava à bola. Nada tinham, e aqui "nada" significa que não tinham as primeiras cem coisas que acharmos essenciais, por ordem de importância até chegarmos à bola para o jogo, que não era de trapos, porque os trapos eram para vestirem: era um novelo de folhas de bananeira.
Estas crianças jogavam como se não houvesse guerra, como se a modesta igrejinha que mal se vê lá ao fundo, os protegesse dos morteiros e rockets, e eu vinha sentar-me a vê-los jogar, como se eles me protegessem de mim próprio, com as minhas dúvidas existenciais e os meus complexos de culpa, e me restituíssem a inocência perdida e saía dali com uma nova acepção para o conceito de solidariedade: mesmo quem nada tem, tem sempre algo para dar aos outros, nem que seja a inocência. Sinceramente, isto, não acredito que um político possa entender.

Desculpem o abuso, mas eu precisava de dizer isto a alguém.

sábado, junho 25, 2005

Portugal saúda o Brasil

Olá Regina:

Muito obrigado pelo grande e bonito «post» em que você nos apresenta quase toda a sua família brasileira.
Gostámos de conhecer as suas tias maternas – Odete e Yvete – os seus primos Ivany, Ivone e Pedro (filhos da primeira) e Liliane, Miriane e Rosane (filhas da segunda), e ainda os respectivos cônjuges e filhos.
Os laços de amizade que unem as famílias Lapa e Cruz do Carmo (de Portugal) e a família Carmo e Baptista (do Brasil) estendem-se naturalmente a toda essa família brasileira que você nos apresentou.
Por isso, aproveitamos esta oportunidade para mandar os nossos sinceros parabéns para a sua tia Odete e para desejar que ela continue a celebrar o seu aniversário por muitos anos, sempre com a saúde e a alegria que se podem ver nas fotografias que você nos enviou por e-mail.
Em breve irei mostrar todas essas fotografias à D. Lurdes da Cruz do Carmo (sua tia e minha sogra). Ela irá, por certo, gostar de ver todas essas fotografias tal como nós gostámos aqui na minha casa.

Você diz que direccionou o site (ou o blog; ou serão ambos?) a todos os seus primos por parte da sua mãe e que os convidou a fazerem uma visita.
Foi por isso, creio, que apareceu no blog um comentário feito por Rosane de A Fernandes Feres no «post» de aniversário da Rosângela (ver em 06/06/2005).
Ela diz que é a sua prima mais velha por parte da sua mãe.
Eu penso que esta Rosane de A Fernandes Feres é precisamente a sua prima Rosane, filha de sua tia Yvete, que mora em Vinhedo, perto de Campinas (esposa de Maurício e mãe de Caio e Lígia).
De qualquer modo, aqui vai um grande abraço para esta sua prima Rosane e o agradecimento de nós todos por ela ter participado neste blog com o seu comentário (que esperamos se repita).

Quanto à colocação de fotografias no blog, a Regina precisa de ir ao site do Hello –
www.hello.com – fazer o downlowd do programa para o seu computador, registar-se, e depois seguir as instruções.
Verá que não é muito difícil (só é preciso compreender o inglês e experimentar).
Com uma ajudinha do seu marido, será ainda mais fácil.
Isso não pode ser feito a partir daqui de Portugal.
Se for necessário, poderei vir a colocar aqui algumas instruções breves como fiz antes para a inscrição no blog.



Abraços e beijos da família de Portugal para a família do Brasil.

sexta-feira, junho 24, 2005

Minha Família Brasileira

Pois é cá estou novamente a contar minhas histórias.

Hoje direcionei este site a todos os meu primos, por parte de minha mãe, e pedi que façam uma visita para ver como é linda a união entre os povos. Contei sobre as experiências e encatamentos que este blog tem trazido a minha vida e o quanto é bom termos um FAMÍLIA.

Nós aqui também somos unidos, a nossa moda é claro, pois deixamos de ser crianças para sermos pais e mães e cada um tomou o seu rumo, mas sempre que podemos nos reunimos.

A última reunião em família foi no domingo dia 19/06/05, para comemorarmos o aniversário da irmã de minha mãe, minha Tia Odete, ela completou 70 anos e os filhos lhe ofereceram uma feijoada que tiveram como anfitriôes um casal de amigos dela, o Hashid e a Cida.

Lá estiveram eu, meus pais, minha cunhada Rosângela, meu irmão Sergio, meus sobrinhos Lucas e Paula, a aniversariante Odete, seus três filhos Ivany, com seu filho Fábio, Ivone com seu marido Maurício e seus filhos Marina e Vitor e Pedro, acompanhado de sua esposa Lucimara e a inusitada Maria Fernada, filha do casal e tb muito simpática (ela é a mais nova da família) e moram em Capão Bonito (longe pra burro de São Paulo). Estava lá também minha outra tia e também irmã de minha mãe, a Tia Yvete acompanhada de duas filhas, das três que ela tem, a Liliane (Lica) e a Miriane, estas por sua vez não moram na capital de São Paulo, mas sim no interior e vieram especialmente para comemorar o aniversário de nossa Tia. A minha Tia Yvete mora em Campinas, perto da casa da Miriane e a Lica mora em outra cidade perto, que não me lembro o nome agora. Elas têm outra irmã a Rosane que mora em Vinhedo, perto de Campinas, que não pode comparecer, deixaram de vir também os filhos dela Caio e Ligia e seu marido Maurício.

O meu filho Vinicius não foi porque estava na casa do pai passando o final de semana, apesar da aniversariante ser sua madrinha, mas ele ligou pra ela para comprimentá-la e o meu atual marido Sergio também não foi, por frescura mesmo, de vez em quando ele tem isso.

Só sei dizer que foi muito gostoso, nada supera a sensação de se poder estar ao lado da família. Podemos ter uma vida agitada, sem tempo pra nada, mas nem sempre foi assim, acho que sempre fui muito privilegiada, pois tive uma infância muito rica de carinhos e gente boa do meu lado, é que sempre tivemos uma avó materna que fazia questão da união.

O nome dela tem cheiro, ela se chamava ROSA, faleceu há alguns anos, mas está sempre presente em nossas vidas, o nome dela é sempre lembrado, assim como a saudade que sentimos quando estamos juntos e percebemos que na cabeceira da mesa está faltando alguém. Mas essa é uma história muito rica que precisa ser contatada devagar, assim, deixemos pra depois.

Por hora, só queria apresentar aos integrantes desse blog e a minha família portuguesa, minha outra família, a brasileira. Não aprendi ainda adicionar fotos aqui, quem sabe alguém até possa me ensinar, assim deixo de colocar as fotos do encontro acima descrito. Mas numa outra oportunidade, quem sabe.


Por ora é só fiquem todos com Deus


Regina

Mil Visitas Mil

Este pequeno «post» destina-se apenas a assinalar o facto de terem sido atingidas hoje as 1000 visitas ao nosso blog.
É claro que este número se refere apenas ao número das visitas que foram feitas depois de ter sido colocado aqui um contador.
Para um blog pequeno e despretensioso como este dos «Lapas» parece-me que já é um número de visitas muito interessante.
Mas, com o número e a qualidade dos actuais participantes no blog, parece-me que os visitantes dele serão cada vez mais.

Um grande abraço para todos os que por aqui têm passado.

Worten Sempre.

quinta-feira, junho 23, 2005

Parabéns, poesia e "seca"

Cá vai mais uma "seca" sobre a guerra colonial.
Aproveito para endereçar os meus parabéns à Ana, e claro os da Inês, pelo belo lançamento do belo livro da ternurenta Geraldina, se a Ana não tiver a pachorra de vir ler isto, o que abona a seu favor, nós dar-lhos-emos pessoalmente numa próxima oportunidade.

Parabéns também para o Luís. – Olha que o Ricardo Reis era um "homem" avisado.
Miguel Torga também…Já agora, esta é a minha prenda:

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.


Agora a "seca"
Eu costumava dizer que usava uma 7,35 às costas (referindo-me ao calibre da G3) e uma 35mm nas mãos (referindo-me à película usada pela minha máquina). Era uma piada que resultava naquele ambiente militar em que a potência das armas se reconhece pela medida do cano e em que uma foto da guerra podia ter a força de uma arma.

Os meus camaradas habituaram-se a ver-me de câmara na mão e de arma às costas e ainda hoje, parece, é assim que me recordam. E o que é mais lisonjeiro, é que recordam isso – a julgar pela forma como, alguns pelo menos, o referem – não como uma excentricidade irresponsável, mas como uma atitude corajosa.
Confesso que às vezes, vezes demais, tive que trocar a posição desses dois objectos e confesso que o fiz quando essa coragem, se coragem era, dava lugar ao primário instinto de sobrevivência. Mas a guerra é o último lugar onde se deve procurar um herói.
É esse conflito, presumo, que está na origem do distúrbio psiquiátrico, conhecido como PTSD, ou stress de guerra, como se tornou comum dizer em Portugal e, mais comummente ainda, "apanhados do clima" ou "cacimbados".

As fotos foram tiradas durante um golpe-de-mão (assalto) a uma "suposta" base da FRELIMO. Na de cima, o soldado à minha frente avança disparando de modo a fazer uma barreira de fogo ao seu avanço. Na de baixo um "suposto" guerrilheiro sai ferido de uma palhota. Vê-se mal, ou o rolo teria sido apreendido pelo controlo do correio de Mueda como outros que nunca me chegaram às mãos. (Eu mandava-os para Hamburgo para revelar.)

PTSD, stress de guerra, cacimbo, ou seja lá o que for, só em determinado grau de gravidade é que se considera uma doença, mas a fronteira nem os técnicos sabem ao certo onde se encontra. É uma doença da memória, que nos meus fracos dotes poéticos tive a ousadia de evocar neste post, felizmente, apenas como exercício literário.
As restantes fotos que o ilustram foram igualmente tiradas no referido ataque à referida base da FRELIMO no meio da mata virgem da África profunda. Olho para elas e, sinceramente, não acredito que estive lá.
Posted by Hello

quarta-feira, junho 22, 2005

Aniversário

Meu caro Luís:

É verdade que tu conseguiste antecipar-te ao dar aqui a notícia do teu aniversário.
Eu atrasei-me um pouco e, por isso, fui ultrapassado (ver o «post» anterior).
Antes de mais, espero que te tenha corrido bem o exame de matemática que fizeste hoje.
Depois, espero que este dia seja muito feliz, que ele se repita por muitos anos, e que tu tenhas sempre muita saúde, muitas alegrias e êxitos (também para o nosso FCP), na companhia da tua mãe (D. Isabel) e da restante família.

* * *

Como prenda deste teu 15º aniversário, deixo-te aqui um pequenino poema de
Fernando Pessoa/Ricardo Reis


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Aniversário

Pois é, também eu tenho o direito de aqui "publicitar" o meu aniversário, antecipando-me a outros. Quero fazer apenas um pequeno "post" para dizer que sou um membro (pouco) activo neste "blog". Continuem a escrever, porque o "blog" está quase nas mil visitas.

terça-feira, junho 21, 2005

Geraldina - uma outra borboleta


Hoje, pelas 17 horas, teve lugar o lançamento do livro infantil «Geraldina - A Borboleta Medrosa».
Esse lançamento ocorreu ao ar livre no famoso parque infantil de Coimbra que tem o nome de «Portugal dos Pequenitos» e que pertence à Fundação Bissaya Barreto.
No local estiveram presentes muitas crianças acompanhadas pelos seus pais.
Foram lidos vários excertos da história, acompanhados por música a condizer.
No final, a autora do texto e a ilustradora deram uma sessão de autógrafos.
Porque é que o acontecimento em causa merece uma referência neste blog?
A razão é só esta:
A autora do texto é a Ana Margarida Albuquerque - a namorada do meu filho Joaquim Miguel.
Este é o primeiro livro da Ana.
Mas, já dá para ver que ela tem um imenso jeito para comunicar com as crianças.
Assim, ficam aqui os votos de que o livro tenha muito sucesso junto do público infantil e que a Ana tenha oportunidade de escrever outros livros, para continuar a deliciar-nos com as histórias que inventa.
Muitas felicidades para ela.


domingo, junho 19, 2005

Aniversário

Hoje (dia 19/06/2005) faz anos a nossa querida Alice.
Eu sei quantos anos ela faz, mas não sei se ela gostará que eu diga isso aqui...
A verdade é que ela está igualzinha à jovem Alice que eu conheci há cerca de vinte anos!...
Para quem não saiba, a Alice é a esposa do Henrique Lapa e a mãe de duas "crianças" adoráveis: - o Nuno e a Salomé.

Alice:

Espero que o teu dia de aniversário tenha corrido maravilhosamente e que ele se repita por muitos e muitos anos, sempre com saúde, com alegria e com o amor de toda a tua família.

Muitos abraços e beijos de nós todos, hoje especialmente para ti.

Quim

sábado, junho 18, 2005

Só tem filhos quem os merece

O meu tio André e a minha madrinha Natália nunca tiveram filhos porque não podiam tê-los, se tivermos em conta as inúmeras tentativas que eles fizeram (e que se prolongaram durante muito tempo) de me perfilharem.
O casal visitava com muita frequência os meus pais, que tinham já uns 5 ou 6 filhos.
Destas visitas resultavam sempre duas coisas. A primeira era a vinda de um brinquedo para mim, o que era coisa rara em minha casa devido à escassez de dinheiro com que se debatiam os meus pais. Porém, aqueles não tinham quaisquer dificuldades económicas. A segunda coisa era que – com o brinquedo – aqueles convenciam-me a ir com eles para a sua casa.
Num destes momentos, eles conseguiram levar-me para Leiria, onde o meu tio dava aulas no Liceu.
Por essa altura eu tinha cerca de 4 anos.
Não me recordo da chegada. Mas, ainda me recordo da minha estadia naquela casa e dos degredos que ali passei.
O primeiro degredo a que eu era sujeita era o de ter que comer exageradamente. O segundo era o de que a comida era sempre acompanhada pela ladainha de: - “tens que comer muito para engordar esses ossos e para que os teus pais saibam que nós te tratamos bem”. O terceiro era o de que em todos os dias ao lanche eu devia comer uma gema de ovo misturada com açúcar. O quarto degredo era não poder fechar os olhos (ou sequer pender a cabeça) enquanto se rezava o terço a altas horas da noite, sendo certo que o horário das crianças não se compadece com o horário dos adultos. E o quinto era o de ir para um quarto dormir sozinha (em minha casa eu dormia com a minha irmã). Quando eles me fechavam a porta do quarto, o medo apoderava-se de mim, o sono fugia, e eu chorava até conseguir adormecer, com muitas saudades dos meus pais e dos meus irmãos.
Eu vivia num dilema e num desequilíbrio emocional que era intraduzível. De facto, sempre que a minha tia me encontrava a chorar e eu dizia que queria ir para minha casa, ela respondia-me sempre da mesma maneira:
- Não foste obrigada a vir. Ninguém te trouxe à força. Afinal, não mereces o bem que nós estamos a fazer por ti.
Ainda hoje pergunto a mim mesma que bem era esse. Nunca consegui compreendê-lo…
O silêncio regressava à minha alma, sem palavras para responder. Mas, as lágrimas não obedeciam a qualquer lógica. E a minha tia continuava a ter que me procurar e correr todos os cantos da casa a chamar por mim. Um dia, ela teve de chamar o meu tio que estava no Liceu porque não conseguia encontrar-me em lado nenhum. De facto, ao subir as escadas do prédio (que eram estreitas e escuras como breu), o meu tio tropeçou em mim porque era ali que eu me tinha escondido a chorar.
Quando isto aconteceu, os meus tios convenceram-se finalmente que o melhor era mandarem-me de volta para casa dos meus pais.
E, como aqueles não tinham carro, ainda hoje me recordo do que eles disseram ao condutor da camioneta na qual me ajudaram a subir e a sentar:
- Então, fica esta menina entregue aos seus cuidados. E, em Coimbra, não se esqueça de a mudar para o transbordo que vai para S. João do Campo, onde os pais a vão esperar.
Era noite. Lembro-me que acordei quando o senhor me pegou ao colo e me foi sentar no banco de outra camioneta, dizendo-me:
- Não tenhas receio. É um outro senhor que vai a conduzir esta camioneta. Agora, já falta pouco para chegares a casa.
A camioneta parou mesmo em frente da porta da minha casa. O meu pai foi buscar-me dentro do veículo. Cá fora, estavam todos os meus irmãos à minha espera.
A alegria da chegada traduzia-se num sentimento de paz, de tranquilidade e de equilíbrio, ao qual eu associei sempre o conceito de família, de lar. Agora eu já não tinha medo de correr dentro de casa, de pular para cima da cama, de arrastar uma cadeira, de comer sem lavar as mãos, de pegar em qualquer fruta sem pedir licença para tal, e sem ter de comer gemadas e sopa de feijão verde… Eu já podia brincar com alguém e agarrar-me ao pescoço do meu pai…
Ainda não há muitos anos que o meu pai – a propósito destes episódios que eu recordava com ele – me confessou:
- Mesmo que tu te tivesses afeiçoado aos teus tios, eu nunca teria deixado que eles te perfilhassem.
Resta apenas dizer que os meus tios fizeram muitas outras tentativas semelhantes a esta. Mas, nunca conseguiram cativar-me. Pelo contrário, essas tentativas eram cada vez mais traumatizantes para mim.
Eles não sabiam lidar com crianças e, por isso, não mereciam tê-las
Eu só me sentia bem dentro da minha casa e com a minha família. Entre nós todos havia um sentimento de cumplicidade e de interajuda total.
Ainda hoje, é este o entendimento que eu tenho do que é uma família, sejam quais forem as vicissitudes que a vida traga a cada um dos seus membros. [16]

terça-feira, junho 14, 2005

O Sortilégio da Borboleta

O convite para incluir alguns dos meus textos e fotos da guerra colonial neste blog é, por assim dizer, a segunda condecoração que recebo aqui.
A foto que encima estas palavras e que ilustra um dos textos do blog "Cacimbo" tem uma história por si só. Ela representa o conflito que lentamente tomou forma dentro de mim durante os dias da guerra.
Poucas imagens na minha vida me fizeram sonhar, como esta. A borboleta a pousar sobre a minha mão sem medo e eu a tirar lentamente a minha Alina de 35 mm do bolso do dólmen para a fotografar.
Quando eu achava que iria ser um pintor, fiz um quadro inspirado nesta foto a que dei o nome de "Borboletas da paz". Depois do 25 de Abril mudei-lhe o nome para "Prenúncio de Abril". Mas dê-lhe eu o título que der, o que tem de bela esta imagem é que ela passou a simbolizar os sentimentos antagónicos que justamente naquele dia eu tinha decidido resolver. Num acto simbólico tinha acabado de virar o carregador da G3 ao contrário onde colara um símbolo da paz, aquele que era usado contra a guerra do Vietname.

Quando um dia perguntaram a um certo alemão se ele tinha sido nazi quando jovem, ele respondeu: "Então, não éramos todos?"
Não seremos todos nós, aquilo que nos ensinaram? Eu aprendi que Portugal começava no Minho e acabava na Índia e quando me disseram para ir defendê-lo a Moçambique fiquei feliz por mo pedirem. Mas o que descobri em Moçambique foi racismo, escravatura e sofrimento inútil e justamente no dia em que decidira que haveria de desertar, este contraste entre a forma bruta e obscena de uma G3 e a silhueta delicada e pura de uma borboleta foi como que uma revelação.
Nós somos também aquilo que pomos nas coisas que vemos, é a nossa obrigação de seres pensantes. Seremos completamente dispensáveis se não acrescentarmos algo aos ensinamentos que recebemos.
Não cheguei a desertar porque fui ferido em combate pouco tempo depois; não cheguei a ser pintor porque foi preciso ganhar a vida atrás do balcão de um banco, mas no que depender de mim, nem que seja apenas com palavras simples como estas, não haverá falta de informação para quando convocarem o genuíno heroísmo dos vinte e poucos anos de um jovem, para combater por aquilo em que ele não acredita.

O texto original e as respectivas fotos podem ser vistos clicando aqui.

Posted by Hello

segunda-feira, junho 13, 2005

Eugénio de Andrade

Hoje morreu o nosso grande poeta Eugénio de Andrade (pseudónimo de José Fontinhas).
O «post» anterior presta-lhe homenagem com um belo poema dedicado à Mãe.
Em resposta ao nosso amigo Manuel, eu também quero homenagear aqui o poeta com um outro poema que é também muito conhecido.
Eu devo dizer que gosto mais da poesia que rima do que da poesia que não rima. A meu ver, é isso o que distingue a poesia da prosa (até porque a prosa também pode conter em si imensa poesia...).
Mas, Eugénio de Andrade também fez poemas com rima (como se pode ver abaixo).
A pouco e pouco, eu também vou começando a apreciar os poemas sem rima.
E é pela mão de Eugénio de Andrade que esta minha aprendizagem se vem fazendo desde há alguns anos.
Um grande obrigado a Eugénio de Andrade por tudo o que nos deixou.


As palavras interditas


Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.

Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.

Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.


(extraído de uma das várias colectâneas de poesia)

Os poetas não morrem

A notícia diz que Eugénio de Andrade morreu, mas é só uma forma de dizer que agora só vive nos versos que fez.

POEMA À MÃE

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

in «Os Amantes Sem Dinheiro» (1950)

domingo, junho 12, 2005

Dia dos Namorados (à Portuguesa)

Olá Regina:

Em Portugal, o dia dos namorados é comemorado a 14 de Fevereiro (dia de S. Valentim, o padroeiro dos namorados). Isso não impede que todos os dias do ano devam ser dias dos namorados.
O meu pai repetia-nos que só era feliz o casamento se o marido e a mulher namorassem todos os dias. Ele sempre tentou fazê-lo; e, por isso, escreveu num dos seus poemas que foi um homem feliz com a sua esposa.
Quanto a mim, que estou casada há 27 anos, e que namorei apenas o homem com quem casei (durante 8 anos), não consegui fazer da minha vida um namoro permanente. Mas descobri que não é nisso que consiste a felicidade. Se alguém soubesse verdadeiramente como e onde encontrar a fórmula de ser feliz, não só seria ele próprio feliz como já teria ganho o «prémio Nobel». Duvido que alguém consiga ganhar esse prémio. Porém, há quem seja feliz.
Eu entendo a felicidade não como algo que exista concretamente e que nós procuremos e possamos encontrar, mas sim como algo que nós próprios construímos todos os dias, dando aos outros e abdicando de nós, às vezes com sofrimento. A verdadeira felicidade consiste para mim em contribuirmos para tornar felizes todos os que nos rodeiam (o cônjuge, os filhos, os pais, os alunos, os amigos…). Eu sei que ser feliz é muito difícil. Talvez por isso sejam poucas as pessoas verdadeiramente felizes.
O que há mais frequentemente são pessoas que vivem momentos felizes. Dizem que o povo português é um povo triste. Não sei se é verdade. Mas, julgo que nós temos que aprender com os brasileiros a comemorar e a festejar em todas as oportunidades, vivendo desse modo momentos de felicidade.

Para ti, vão os meus votos de que a tua vida seja um namoro permanente, que sejas sempre muito feliz, e que possas fazer felizes aqueles a quem amas.

Beijos da tua prima

Graça

Dia dos Namorados à Brasileira

Hoje é dia dos namorados aqui no Brasil. Também comemoramos o dia de Santo Antonio, o Santo casamenteiro. Estamos no mês das festas juninas e por isso sempre há convites para irmos às quermesses. As igrejas e escolas adoram comemorar aos finais de semana, mas a mulherada gosta mesmo é do dia de Santo Antonio. Não sei se em Portugal também há essa tradição, mas o que sei é que as solteironas vão na igreja de Santo Antonio só pra pegar um tal de pãozinho bento. Andam falando que quem come deste pão não fica pra "titia", sei lá eu nunca comi e já casei duas vezes, imaginem se tivesse comido!!!
Eu sempre fui muito namoradeira, quando era adolescente, isso já faz uns 22 anos, teve uma época que tinha três namorados, meu pai quase teve um troço. Mas não me arrependo não. Só sei que namorar é muito bom.
Nós aqui no Brasil namoramos muito, tem gente que fica 20 anos namorando e quando casa, separa em dois meses, era melhor ter ficado namorando. Acho que isso acontece porque as pessoas depois que casam se acomodam e pensam que aquela pessoa que esta do seu lado nunca vai ter a coragem de se separar. Mas um belo dia ela se enche da rotina que se instaurou e manda tudo às favas!!! E ai arruma outro que faz a mesma coisa e o ciclo se repete.
Aqui tem um tal de "ficar", mas isso é pra moçada. Pessoas na minha idade querem mesmo é encontrar a cara-metade e tentar a sorte e ser feliz pro resto da vida.
Ser feliz é uma coisa que lutamos a vida inteira. Será que encontrar a outra metade da laranja significa encontrar a felicidade? Será que nós precisamos mesmo passar a vida toda procurando essa outra metade para sermos felizes realmente ou será que podemos ser felizes só amando a gente mesmo?
Não sei responder. O que sei é que lutamos pra encontrar o par perfeito e ai, quando estamos diante dele, casamos, e então vem aquelas conversas "não aguento essa mulher... não aguento esse homem"... Vai entender ne? O Próprio ser humano é um bicho esquisito, nem ele se entende como é que vamos querer entender o outro não é mesmo?
Só sei de uma coisa: namorar é muito bom, por isso, se há dia dos namorados ai em Portugal então a dica é para aqueles que estão namorando, estão casados ou estão à procura de um amor: NO DIA DE HOJE NAMOREM MUITO, CUIDEM DA PESSOA AMADA COMO SE FOSSE O ÚLTIMO DIA JUNTOS. E NÃO SE ESQUECEÇAM: TODO DIA É DIA DE SE APAIXONAR SEJA PELA PESSOA AMADA OU SEJA POR VOCÊ MESMO! NINGUÉM CONSEGUE AMAR NINGUÉM SENÃO SE AMAR PRIMEIRO.
FELIZ DIA DOS NAMORADOS PRA TODOS
Bjs
Regina

sábado, junho 11, 2005

Mais uma história do Natal

Vivíamos durante todo o ano com uma ideia que era mil vezes repetida pelos meus pais: - “O Menino Jesus dá-vos as prendas conforme o vosso comportamento. Se tu te portares bem, tens uma bonita prenda. Por isso, és tu que escolhes”.
Havia que obedecer aos pais em tudo e sempre, apenas com o objectivo de receber em troca um brinquedo correspondente ao nosso comportamento.
Quantas vezes, da minha cama, eu ouvia o meu pai a despedir-se dos meus irmãos, antes de se deitar: - “Não se esqueçam de que hoje se portaram mal”.
Todos percebíamos o que aquilo queria dizer: - o Menino Jesus tudo via e tudo apontava. Eu metia a cabeça debaixo dos lençóis e, muitas vezes, chorava com pena dos meus irmãos que se tinham portado mal.
A mim, pertenciam-me certas tarefas que ainda hoje não sei como conseguia levá-las a cabo. Uma delas era a de lavar, durante todas as férias, a loiça das refeições.
Para que fosse capaz de fazer esta tarefa, a minha mãe punha no chão da cozinha três alguidares de plástico: - um tinha a água com o «Omo»; outro, água limpa; e o terceiro, para escorrer a loiça já lavada.
Toda a loiça que era para lavar – dos talheres aos copos, aos pratos, ao fervedor, à panela da sopa – estava sobre a banca da cozinha, junto ao forno de cozer a broa.
Sempre que acabava de lavar uma peça, eu tinha que me levantar e ir à banca buscar outra. Ajoelhava-me no chão, lavava-a, passava-a e punha-a a escorrer.
Este penoso trabalho, feito por uma criança que não tinha mais de 6 ou 7 anos, prolongava-se por uma tarde inteira.
Por vezes, o cansaço era tanto que eu me sentava nos calcanhares para suavizar a dor dos joelhos, onde ficava vincada a fisga das tábuas do soalho.
Tudo isto acontecia enquanto os meus irmãos brincavam e corriam. E, muitas vezes, ao passarem pela cozinha, eles andavam à minha volta e cada um deles empurrava-me ou dava-me uma palmada ou um safanão na cabeça.
Nunca percebi porque é que eu tinha de trabalhar, e eles (todos mais velhos do que eu) podiam brincar.
Recordo que, algumas vezes, ouvia a minha mãe na varanda do meu quarto em conversa com outras pessoas. Outras vezes, passava a ferro ou passajava meias.
Houve um dia das férias do Natal que foi particularmente penoso para mim.
Tudo aconteceu como de costume. Só que o meu pai tinha levado com ele os meus irmãos mais velhos e eu tinha ficado a lavar a loiça.
A noite chegou e eu mal via o que fazia. Ainda me faltava lavar o fervedor do leite. As mãos estavam enrugadas por estarem há tantas horas mergulhadas em água com detergente. A palha de aço queimava-me a ponta dos dedos. Eu assentei o fervedor nos joelhos e não conseguia – por mais que me esforçasse – tirar o leite queimado. E, quando me pareceu que o fervedor já estava lavado, eu passei-o e pu-lo a escorrer. Tinha terminado a minha tarefa.
Nisto, entra a minha mãe na cozinha, acende a luz e diz:
- Ainda estás nisso?
Eu respondi:
- Mamã, acabei mesmo agora.
Ela fez o que sempre fazia. Despejava na pia da cozinha as águas dos alguidares e levava o alguidar da loiça lavada para cima da banca.
E, como sempre, a primeira coisa que fez foi verificar se o fervedor estava bem ou mal lavado.
O coração começou a bater-me forte.
De imediato, eu levei uma estalada e caí redonda no chão.
Ao mesmo tempo que eu me levantava, a minha mãe disse-me:
- Vê o que ainda aqui está. Não lavaste isto em condições. Para castigo, vais voltar a lavá-lo.
E pôs-me no alguidar água ainda mais fria do que já estava a anterior.
As minhas mãos ardiam-me na água fria tanto como a cara me ardia de quente.
Nunca mais posso esquecer o que então chorei.
Sei que o meu pai chegou com os meus irmãos já de noite. E que todos ficaram especados ao verem-me no chão da cozinha ainda a lavar a loiça.
Pensei que o Menino Jesus talvez me recompensasse de tanto trabalho e de tanto sofrimento.
Mas, o dia de Natal chegou.
E, no meu sapato, não havia nada que me compensasse de todo aquele sofrimento!... Ali só havia objectos para eu trabalhar na escola!...
Deve ter sido nessa altura que eu fiquei a saber que Deus se esquece de algumas pessoas. E que eu era uma delas.
Por isso, ainda hoje não me admiro da pouca sorte que me coube. E do grande esforço que sempre tive que fazer para adquirir alguma coisa. Afinal, esta é a vida que está reservada a algumas pessoas...
Verdade seja dita: - foi assim que eu aprendi a cuidar de tudo quanto pertence a uma casa de família. Por isso, hoje dou valor ao que a minha mãe me ensinou. Mas... nunca mais poderei esquecer a tristeza e o sofrimento de toda essa aprendizagem. [15]

sexta-feira, junho 10, 2005

DIA DE PORTUGAL

Hoje, dia 10 de Junho, é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Aqui fica, na voz dos nossos maiores poetas, uma bela indicação do que significa Portugal e de qual a sua localização na Europa e no Mundo.


Luís de Camões

(«Os Lusíadas», Canto III, estrofes 20 e 21)


Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.

Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá, que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
De Luso ou Lisa, que de Baco antigo
Filhos foram, parece, ou companheiros
E nela antam os íncolas primeiros.


Fernando Pessoa

(«Mensagem», I parte)


A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

segunda-feira, junho 06, 2005

Aniversário

Rosângela:

A família Lapa e Cruz do Carmo que mora em Portugal deseja que você tenha um dia de aniversário muito feliz, na companhia de seu marido (Sérgio), dos seus filhos (Lucas e Paula) e de toda a família Cruz do Carmo aí do Brasil.

Parabéns! Muitos anos de vida!

Abraços e beijos de nós todos.

PARABÉNS BEM ATRASADO

PARABÉNS QUIM!!!

Minha Nossa!!! O Muro de Berlim caiu e ninguém me avisou???

Pois é gente eu sou desta galáxia, e ainda estou viva!!! Mas não fiz a lição de casa direitinho e por isso não fiquei sabendo que teve mais um integrante da família fazendo aniversário!!!

Mas tudo bem antes tarde do que nunca (rsrsrs)

QUIM MUITOS ANOS DE VIDA PRA TI QUE DEUS TE ILUMINE E QUE ELE ESTEJA SEMPRE CONTIGO!!!

Desculpe-me pelo esquecimento, quero dizer, por não ter vindo visitar o blog estes dias, pos estou numa correria danada!!

Mas aqui vai um parabéns pra você nesta data querida de toda a sua famíla aqui do Brasil!!!

Fica com Deus

Bjs em teu coração

Obs.: Teve pastéis de Belém na festa? (rsrsrs)

Da Prima (esquecida) Regina