sexta-feira, junho 24, 2005

Minha Família Brasileira

Pois é cá estou novamente a contar minhas histórias.

Hoje direcionei este site a todos os meu primos, por parte de minha mãe, e pedi que façam uma visita para ver como é linda a união entre os povos. Contei sobre as experiências e encatamentos que este blog tem trazido a minha vida e o quanto é bom termos um FAMÍLIA.

Nós aqui também somos unidos, a nossa moda é claro, pois deixamos de ser crianças para sermos pais e mães e cada um tomou o seu rumo, mas sempre que podemos nos reunimos.

A última reunião em família foi no domingo dia 19/06/05, para comemorarmos o aniversário da irmã de minha mãe, minha Tia Odete, ela completou 70 anos e os filhos lhe ofereceram uma feijoada que tiveram como anfitriôes um casal de amigos dela, o Hashid e a Cida.

Lá estiveram eu, meus pais, minha cunhada Rosângela, meu irmão Sergio, meus sobrinhos Lucas e Paula, a aniversariante Odete, seus três filhos Ivany, com seu filho Fábio, Ivone com seu marido Maurício e seus filhos Marina e Vitor e Pedro, acompanhado de sua esposa Lucimara e a inusitada Maria Fernada, filha do casal e tb muito simpática (ela é a mais nova da família) e moram em Capão Bonito (longe pra burro de São Paulo). Estava lá também minha outra tia e também irmã de minha mãe, a Tia Yvete acompanhada de duas filhas, das três que ela tem, a Liliane (Lica) e a Miriane, estas por sua vez não moram na capital de São Paulo, mas sim no interior e vieram especialmente para comemorar o aniversário de nossa Tia. A minha Tia Yvete mora em Campinas, perto da casa da Miriane e a Lica mora em outra cidade perto, que não me lembro o nome agora. Elas têm outra irmã a Rosane que mora em Vinhedo, perto de Campinas, que não pode comparecer, deixaram de vir também os filhos dela Caio e Ligia e seu marido Maurício.

O meu filho Vinicius não foi porque estava na casa do pai passando o final de semana, apesar da aniversariante ser sua madrinha, mas ele ligou pra ela para comprimentá-la e o meu atual marido Sergio também não foi, por frescura mesmo, de vez em quando ele tem isso.

Só sei dizer que foi muito gostoso, nada supera a sensação de se poder estar ao lado da família. Podemos ter uma vida agitada, sem tempo pra nada, mas nem sempre foi assim, acho que sempre fui muito privilegiada, pois tive uma infância muito rica de carinhos e gente boa do meu lado, é que sempre tivemos uma avó materna que fazia questão da união.

O nome dela tem cheiro, ela se chamava ROSA, faleceu há alguns anos, mas está sempre presente em nossas vidas, o nome dela é sempre lembrado, assim como a saudade que sentimos quando estamos juntos e percebemos que na cabeceira da mesa está faltando alguém. Mas essa é uma história muito rica que precisa ser contatada devagar, assim, deixemos pra depois.

Por hora, só queria apresentar aos integrantes desse blog e a minha família portuguesa, minha outra família, a brasileira. Não aprendi ainda adicionar fotos aqui, quem sabe alguém até possa me ensinar, assim deixo de colocar as fotos do encontro acima descrito. Mas numa outra oportunidade, quem sabe.


Por ora é só fiquem todos com Deus


Regina

Mil Visitas Mil

Este pequeno «post» destina-se apenas a assinalar o facto de terem sido atingidas hoje as 1000 visitas ao nosso blog.
É claro que este número se refere apenas ao número das visitas que foram feitas depois de ter sido colocado aqui um contador.
Para um blog pequeno e despretensioso como este dos «Lapas» parece-me que já é um número de visitas muito interessante.
Mas, com o número e a qualidade dos actuais participantes no blog, parece-me que os visitantes dele serão cada vez mais.

Um grande abraço para todos os que por aqui têm passado.

Worten Sempre.

quinta-feira, junho 23, 2005

Parabéns, poesia e "seca"

Cá vai mais uma "seca" sobre a guerra colonial.
Aproveito para endereçar os meus parabéns à Ana, e claro os da Inês, pelo belo lançamento do belo livro da ternurenta Geraldina, se a Ana não tiver a pachorra de vir ler isto, o que abona a seu favor, nós dar-lhos-emos pessoalmente numa próxima oportunidade.

Parabéns também para o Luís. – Olha que o Ricardo Reis era um "homem" avisado.
Miguel Torga também…Já agora, esta é a minha prenda:

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.


Agora a "seca"
Eu costumava dizer que usava uma 7,35 às costas (referindo-me ao calibre da G3) e uma 35mm nas mãos (referindo-me à película usada pela minha máquina). Era uma piada que resultava naquele ambiente militar em que a potência das armas se reconhece pela medida do cano e em que uma foto da guerra podia ter a força de uma arma.

Os meus camaradas habituaram-se a ver-me de câmara na mão e de arma às costas e ainda hoje, parece, é assim que me recordam. E o que é mais lisonjeiro, é que recordam isso – a julgar pela forma como, alguns pelo menos, o referem – não como uma excentricidade irresponsável, mas como uma atitude corajosa.
Confesso que às vezes, vezes demais, tive que trocar a posição desses dois objectos e confesso que o fiz quando essa coragem, se coragem era, dava lugar ao primário instinto de sobrevivência. Mas a guerra é o último lugar onde se deve procurar um herói.
É esse conflito, presumo, que está na origem do distúrbio psiquiátrico, conhecido como PTSD, ou stress de guerra, como se tornou comum dizer em Portugal e, mais comummente ainda, "apanhados do clima" ou "cacimbados".

As fotos foram tiradas durante um golpe-de-mão (assalto) a uma "suposta" base da FRELIMO. Na de cima, o soldado à minha frente avança disparando de modo a fazer uma barreira de fogo ao seu avanço. Na de baixo um "suposto" guerrilheiro sai ferido de uma palhota. Vê-se mal, ou o rolo teria sido apreendido pelo controlo do correio de Mueda como outros que nunca me chegaram às mãos. (Eu mandava-os para Hamburgo para revelar.)

PTSD, stress de guerra, cacimbo, ou seja lá o que for, só em determinado grau de gravidade é que se considera uma doença, mas a fronteira nem os técnicos sabem ao certo onde se encontra. É uma doença da memória, que nos meus fracos dotes poéticos tive a ousadia de evocar neste post, felizmente, apenas como exercício literário.
As restantes fotos que o ilustram foram igualmente tiradas no referido ataque à referida base da FRELIMO no meio da mata virgem da África profunda. Olho para elas e, sinceramente, não acredito que estive lá.
Posted by Hello

quarta-feira, junho 22, 2005

Aniversário

Meu caro Luís:

É verdade que tu conseguiste antecipar-te ao dar aqui a notícia do teu aniversário.
Eu atrasei-me um pouco e, por isso, fui ultrapassado (ver o «post» anterior).
Antes de mais, espero que te tenha corrido bem o exame de matemática que fizeste hoje.
Depois, espero que este dia seja muito feliz, que ele se repita por muitos anos, e que tu tenhas sempre muita saúde, muitas alegrias e êxitos (também para o nosso FCP), na companhia da tua mãe (D. Isabel) e da restante família.

* * *

Como prenda deste teu 15º aniversário, deixo-te aqui um pequenino poema de
Fernando Pessoa/Ricardo Reis


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Aniversário

Pois é, também eu tenho o direito de aqui "publicitar" o meu aniversário, antecipando-me a outros. Quero fazer apenas um pequeno "post" para dizer que sou um membro (pouco) activo neste "blog". Continuem a escrever, porque o "blog" está quase nas mil visitas.

terça-feira, junho 21, 2005

Geraldina - uma outra borboleta


Hoje, pelas 17 horas, teve lugar o lançamento do livro infantil «Geraldina - A Borboleta Medrosa».
Esse lançamento ocorreu ao ar livre no famoso parque infantil de Coimbra que tem o nome de «Portugal dos Pequenitos» e que pertence à Fundação Bissaya Barreto.
No local estiveram presentes muitas crianças acompanhadas pelos seus pais.
Foram lidos vários excertos da história, acompanhados por música a condizer.
No final, a autora do texto e a ilustradora deram uma sessão de autógrafos.
Porque é que o acontecimento em causa merece uma referência neste blog?
A razão é só esta:
A autora do texto é a Ana Margarida Albuquerque - a namorada do meu filho Joaquim Miguel.
Este é o primeiro livro da Ana.
Mas, já dá para ver que ela tem um imenso jeito para comunicar com as crianças.
Assim, ficam aqui os votos de que o livro tenha muito sucesso junto do público infantil e que a Ana tenha oportunidade de escrever outros livros, para continuar a deliciar-nos com as histórias que inventa.
Muitas felicidades para ela.


domingo, junho 19, 2005

Aniversário

Hoje (dia 19/06/2005) faz anos a nossa querida Alice.
Eu sei quantos anos ela faz, mas não sei se ela gostará que eu diga isso aqui...
A verdade é que ela está igualzinha à jovem Alice que eu conheci há cerca de vinte anos!...
Para quem não saiba, a Alice é a esposa do Henrique Lapa e a mãe de duas "crianças" adoráveis: - o Nuno e a Salomé.

Alice:

Espero que o teu dia de aniversário tenha corrido maravilhosamente e que ele se repita por muitos e muitos anos, sempre com saúde, com alegria e com o amor de toda a tua família.

Muitos abraços e beijos de nós todos, hoje especialmente para ti.

Quim

sábado, junho 18, 2005

Só tem filhos quem os merece

O meu tio André e a minha madrinha Natália nunca tiveram filhos porque não podiam tê-los, se tivermos em conta as inúmeras tentativas que eles fizeram (e que se prolongaram durante muito tempo) de me perfilharem.
O casal visitava com muita frequência os meus pais, que tinham já uns 5 ou 6 filhos.
Destas visitas resultavam sempre duas coisas. A primeira era a vinda de um brinquedo para mim, o que era coisa rara em minha casa devido à escassez de dinheiro com que se debatiam os meus pais. Porém, aqueles não tinham quaisquer dificuldades económicas. A segunda coisa era que – com o brinquedo – aqueles convenciam-me a ir com eles para a sua casa.
Num destes momentos, eles conseguiram levar-me para Leiria, onde o meu tio dava aulas no Liceu.
Por essa altura eu tinha cerca de 4 anos.
Não me recordo da chegada. Mas, ainda me recordo da minha estadia naquela casa e dos degredos que ali passei.
O primeiro degredo a que eu era sujeita era o de ter que comer exageradamente. O segundo era o de que a comida era sempre acompanhada pela ladainha de: - “tens que comer muito para engordar esses ossos e para que os teus pais saibam que nós te tratamos bem”. O terceiro era o de que em todos os dias ao lanche eu devia comer uma gema de ovo misturada com açúcar. O quarto degredo era não poder fechar os olhos (ou sequer pender a cabeça) enquanto se rezava o terço a altas horas da noite, sendo certo que o horário das crianças não se compadece com o horário dos adultos. E o quinto era o de ir para um quarto dormir sozinha (em minha casa eu dormia com a minha irmã). Quando eles me fechavam a porta do quarto, o medo apoderava-se de mim, o sono fugia, e eu chorava até conseguir adormecer, com muitas saudades dos meus pais e dos meus irmãos.
Eu vivia num dilema e num desequilíbrio emocional que era intraduzível. De facto, sempre que a minha tia me encontrava a chorar e eu dizia que queria ir para minha casa, ela respondia-me sempre da mesma maneira:
- Não foste obrigada a vir. Ninguém te trouxe à força. Afinal, não mereces o bem que nós estamos a fazer por ti.
Ainda hoje pergunto a mim mesma que bem era esse. Nunca consegui compreendê-lo…
O silêncio regressava à minha alma, sem palavras para responder. Mas, as lágrimas não obedeciam a qualquer lógica. E a minha tia continuava a ter que me procurar e correr todos os cantos da casa a chamar por mim. Um dia, ela teve de chamar o meu tio que estava no Liceu porque não conseguia encontrar-me em lado nenhum. De facto, ao subir as escadas do prédio (que eram estreitas e escuras como breu), o meu tio tropeçou em mim porque era ali que eu me tinha escondido a chorar.
Quando isto aconteceu, os meus tios convenceram-se finalmente que o melhor era mandarem-me de volta para casa dos meus pais.
E, como aqueles não tinham carro, ainda hoje me recordo do que eles disseram ao condutor da camioneta na qual me ajudaram a subir e a sentar:
- Então, fica esta menina entregue aos seus cuidados. E, em Coimbra, não se esqueça de a mudar para o transbordo que vai para S. João do Campo, onde os pais a vão esperar.
Era noite. Lembro-me que acordei quando o senhor me pegou ao colo e me foi sentar no banco de outra camioneta, dizendo-me:
- Não tenhas receio. É um outro senhor que vai a conduzir esta camioneta. Agora, já falta pouco para chegares a casa.
A camioneta parou mesmo em frente da porta da minha casa. O meu pai foi buscar-me dentro do veículo. Cá fora, estavam todos os meus irmãos à minha espera.
A alegria da chegada traduzia-se num sentimento de paz, de tranquilidade e de equilíbrio, ao qual eu associei sempre o conceito de família, de lar. Agora eu já não tinha medo de correr dentro de casa, de pular para cima da cama, de arrastar uma cadeira, de comer sem lavar as mãos, de pegar em qualquer fruta sem pedir licença para tal, e sem ter de comer gemadas e sopa de feijão verde… Eu já podia brincar com alguém e agarrar-me ao pescoço do meu pai…
Ainda não há muitos anos que o meu pai – a propósito destes episódios que eu recordava com ele – me confessou:
- Mesmo que tu te tivesses afeiçoado aos teus tios, eu nunca teria deixado que eles te perfilhassem.
Resta apenas dizer que os meus tios fizeram muitas outras tentativas semelhantes a esta. Mas, nunca conseguiram cativar-me. Pelo contrário, essas tentativas eram cada vez mais traumatizantes para mim.
Eles não sabiam lidar com crianças e, por isso, não mereciam tê-las
Eu só me sentia bem dentro da minha casa e com a minha família. Entre nós todos havia um sentimento de cumplicidade e de interajuda total.
Ainda hoje, é este o entendimento que eu tenho do que é uma família, sejam quais forem as vicissitudes que a vida traga a cada um dos seus membros. [16]

terça-feira, junho 14, 2005

O Sortilégio da Borboleta

O convite para incluir alguns dos meus textos e fotos da guerra colonial neste blog é, por assim dizer, a segunda condecoração que recebo aqui.
A foto que encima estas palavras e que ilustra um dos textos do blog "Cacimbo" tem uma história por si só. Ela representa o conflito que lentamente tomou forma dentro de mim durante os dias da guerra.
Poucas imagens na minha vida me fizeram sonhar, como esta. A borboleta a pousar sobre a minha mão sem medo e eu a tirar lentamente a minha Alina de 35 mm do bolso do dólmen para a fotografar.
Quando eu achava que iria ser um pintor, fiz um quadro inspirado nesta foto a que dei o nome de "Borboletas da paz". Depois do 25 de Abril mudei-lhe o nome para "Prenúncio de Abril". Mas dê-lhe eu o título que der, o que tem de bela esta imagem é que ela passou a simbolizar os sentimentos antagónicos que justamente naquele dia eu tinha decidido resolver. Num acto simbólico tinha acabado de virar o carregador da G3 ao contrário onde colara um símbolo da paz, aquele que era usado contra a guerra do Vietname.

Quando um dia perguntaram a um certo alemão se ele tinha sido nazi quando jovem, ele respondeu: "Então, não éramos todos?"
Não seremos todos nós, aquilo que nos ensinaram? Eu aprendi que Portugal começava no Minho e acabava na Índia e quando me disseram para ir defendê-lo a Moçambique fiquei feliz por mo pedirem. Mas o que descobri em Moçambique foi racismo, escravatura e sofrimento inútil e justamente no dia em que decidira que haveria de desertar, este contraste entre a forma bruta e obscena de uma G3 e a silhueta delicada e pura de uma borboleta foi como que uma revelação.
Nós somos também aquilo que pomos nas coisas que vemos, é a nossa obrigação de seres pensantes. Seremos completamente dispensáveis se não acrescentarmos algo aos ensinamentos que recebemos.
Não cheguei a desertar porque fui ferido em combate pouco tempo depois; não cheguei a ser pintor porque foi preciso ganhar a vida atrás do balcão de um banco, mas no que depender de mim, nem que seja apenas com palavras simples como estas, não haverá falta de informação para quando convocarem o genuíno heroísmo dos vinte e poucos anos de um jovem, para combater por aquilo em que ele não acredita.

O texto original e as respectivas fotos podem ser vistos clicando aqui.

Posted by Hello

segunda-feira, junho 13, 2005

Eugénio de Andrade

Hoje morreu o nosso grande poeta Eugénio de Andrade (pseudónimo de José Fontinhas).
O «post» anterior presta-lhe homenagem com um belo poema dedicado à Mãe.
Em resposta ao nosso amigo Manuel, eu também quero homenagear aqui o poeta com um outro poema que é também muito conhecido.
Eu devo dizer que gosto mais da poesia que rima do que da poesia que não rima. A meu ver, é isso o que distingue a poesia da prosa (até porque a prosa também pode conter em si imensa poesia...).
Mas, Eugénio de Andrade também fez poemas com rima (como se pode ver abaixo).
A pouco e pouco, eu também vou começando a apreciar os poemas sem rima.
E é pela mão de Eugénio de Andrade que esta minha aprendizagem se vem fazendo desde há alguns anos.
Um grande obrigado a Eugénio de Andrade por tudo o que nos deixou.


As palavras interditas


Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.

Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.

Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.


(extraído de uma das várias colectâneas de poesia)

Os poetas não morrem

A notícia diz que Eugénio de Andrade morreu, mas é só uma forma de dizer que agora só vive nos versos que fez.

POEMA À MÃE

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

in «Os Amantes Sem Dinheiro» (1950)

domingo, junho 12, 2005

Dia dos Namorados (à Portuguesa)

Olá Regina:

Em Portugal, o dia dos namorados é comemorado a 14 de Fevereiro (dia de S. Valentim, o padroeiro dos namorados). Isso não impede que todos os dias do ano devam ser dias dos namorados.
O meu pai repetia-nos que só era feliz o casamento se o marido e a mulher namorassem todos os dias. Ele sempre tentou fazê-lo; e, por isso, escreveu num dos seus poemas que foi um homem feliz com a sua esposa.
Quanto a mim, que estou casada há 27 anos, e que namorei apenas o homem com quem casei (durante 8 anos), não consegui fazer da minha vida um namoro permanente. Mas descobri que não é nisso que consiste a felicidade. Se alguém soubesse verdadeiramente como e onde encontrar a fórmula de ser feliz, não só seria ele próprio feliz como já teria ganho o «prémio Nobel». Duvido que alguém consiga ganhar esse prémio. Porém, há quem seja feliz.
Eu entendo a felicidade não como algo que exista concretamente e que nós procuremos e possamos encontrar, mas sim como algo que nós próprios construímos todos os dias, dando aos outros e abdicando de nós, às vezes com sofrimento. A verdadeira felicidade consiste para mim em contribuirmos para tornar felizes todos os que nos rodeiam (o cônjuge, os filhos, os pais, os alunos, os amigos…). Eu sei que ser feliz é muito difícil. Talvez por isso sejam poucas as pessoas verdadeiramente felizes.
O que há mais frequentemente são pessoas que vivem momentos felizes. Dizem que o povo português é um povo triste. Não sei se é verdade. Mas, julgo que nós temos que aprender com os brasileiros a comemorar e a festejar em todas as oportunidades, vivendo desse modo momentos de felicidade.

Para ti, vão os meus votos de que a tua vida seja um namoro permanente, que sejas sempre muito feliz, e que possas fazer felizes aqueles a quem amas.

Beijos da tua prima

Graça

Dia dos Namorados à Brasileira

Hoje é dia dos namorados aqui no Brasil. Também comemoramos o dia de Santo Antonio, o Santo casamenteiro. Estamos no mês das festas juninas e por isso sempre há convites para irmos às quermesses. As igrejas e escolas adoram comemorar aos finais de semana, mas a mulherada gosta mesmo é do dia de Santo Antonio. Não sei se em Portugal também há essa tradição, mas o que sei é que as solteironas vão na igreja de Santo Antonio só pra pegar um tal de pãozinho bento. Andam falando que quem come deste pão não fica pra "titia", sei lá eu nunca comi e já casei duas vezes, imaginem se tivesse comido!!!
Eu sempre fui muito namoradeira, quando era adolescente, isso já faz uns 22 anos, teve uma época que tinha três namorados, meu pai quase teve um troço. Mas não me arrependo não. Só sei que namorar é muito bom.
Nós aqui no Brasil namoramos muito, tem gente que fica 20 anos namorando e quando casa, separa em dois meses, era melhor ter ficado namorando. Acho que isso acontece porque as pessoas depois que casam se acomodam e pensam que aquela pessoa que esta do seu lado nunca vai ter a coragem de se separar. Mas um belo dia ela se enche da rotina que se instaurou e manda tudo às favas!!! E ai arruma outro que faz a mesma coisa e o ciclo se repete.
Aqui tem um tal de "ficar", mas isso é pra moçada. Pessoas na minha idade querem mesmo é encontrar a cara-metade e tentar a sorte e ser feliz pro resto da vida.
Ser feliz é uma coisa que lutamos a vida inteira. Será que encontrar a outra metade da laranja significa encontrar a felicidade? Será que nós precisamos mesmo passar a vida toda procurando essa outra metade para sermos felizes realmente ou será que podemos ser felizes só amando a gente mesmo?
Não sei responder. O que sei é que lutamos pra encontrar o par perfeito e ai, quando estamos diante dele, casamos, e então vem aquelas conversas "não aguento essa mulher... não aguento esse homem"... Vai entender ne? O Próprio ser humano é um bicho esquisito, nem ele se entende como é que vamos querer entender o outro não é mesmo?
Só sei de uma coisa: namorar é muito bom, por isso, se há dia dos namorados ai em Portugal então a dica é para aqueles que estão namorando, estão casados ou estão à procura de um amor: NO DIA DE HOJE NAMOREM MUITO, CUIDEM DA PESSOA AMADA COMO SE FOSSE O ÚLTIMO DIA JUNTOS. E NÃO SE ESQUECEÇAM: TODO DIA É DIA DE SE APAIXONAR SEJA PELA PESSOA AMADA OU SEJA POR VOCÊ MESMO! NINGUÉM CONSEGUE AMAR NINGUÉM SENÃO SE AMAR PRIMEIRO.
FELIZ DIA DOS NAMORADOS PRA TODOS
Bjs
Regina

sábado, junho 11, 2005

Mais uma história do Natal

Vivíamos durante todo o ano com uma ideia que era mil vezes repetida pelos meus pais: - “O Menino Jesus dá-vos as prendas conforme o vosso comportamento. Se tu te portares bem, tens uma bonita prenda. Por isso, és tu que escolhes”.
Havia que obedecer aos pais em tudo e sempre, apenas com o objectivo de receber em troca um brinquedo correspondente ao nosso comportamento.
Quantas vezes, da minha cama, eu ouvia o meu pai a despedir-se dos meus irmãos, antes de se deitar: - “Não se esqueçam de que hoje se portaram mal”.
Todos percebíamos o que aquilo queria dizer: - o Menino Jesus tudo via e tudo apontava. Eu metia a cabeça debaixo dos lençóis e, muitas vezes, chorava com pena dos meus irmãos que se tinham portado mal.
A mim, pertenciam-me certas tarefas que ainda hoje não sei como conseguia levá-las a cabo. Uma delas era a de lavar, durante todas as férias, a loiça das refeições.
Para que fosse capaz de fazer esta tarefa, a minha mãe punha no chão da cozinha três alguidares de plástico: - um tinha a água com o «Omo»; outro, água limpa; e o terceiro, para escorrer a loiça já lavada.
Toda a loiça que era para lavar – dos talheres aos copos, aos pratos, ao fervedor, à panela da sopa – estava sobre a banca da cozinha, junto ao forno de cozer a broa.
Sempre que acabava de lavar uma peça, eu tinha que me levantar e ir à banca buscar outra. Ajoelhava-me no chão, lavava-a, passava-a e punha-a a escorrer.
Este penoso trabalho, feito por uma criança que não tinha mais de 6 ou 7 anos, prolongava-se por uma tarde inteira.
Por vezes, o cansaço era tanto que eu me sentava nos calcanhares para suavizar a dor dos joelhos, onde ficava vincada a fisga das tábuas do soalho.
Tudo isto acontecia enquanto os meus irmãos brincavam e corriam. E, muitas vezes, ao passarem pela cozinha, eles andavam à minha volta e cada um deles empurrava-me ou dava-me uma palmada ou um safanão na cabeça.
Nunca percebi porque é que eu tinha de trabalhar, e eles (todos mais velhos do que eu) podiam brincar.
Recordo que, algumas vezes, ouvia a minha mãe na varanda do meu quarto em conversa com outras pessoas. Outras vezes, passava a ferro ou passajava meias.
Houve um dia das férias do Natal que foi particularmente penoso para mim.
Tudo aconteceu como de costume. Só que o meu pai tinha levado com ele os meus irmãos mais velhos e eu tinha ficado a lavar a loiça.
A noite chegou e eu mal via o que fazia. Ainda me faltava lavar o fervedor do leite. As mãos estavam enrugadas por estarem há tantas horas mergulhadas em água com detergente. A palha de aço queimava-me a ponta dos dedos. Eu assentei o fervedor nos joelhos e não conseguia – por mais que me esforçasse – tirar o leite queimado. E, quando me pareceu que o fervedor já estava lavado, eu passei-o e pu-lo a escorrer. Tinha terminado a minha tarefa.
Nisto, entra a minha mãe na cozinha, acende a luz e diz:
- Ainda estás nisso?
Eu respondi:
- Mamã, acabei mesmo agora.
Ela fez o que sempre fazia. Despejava na pia da cozinha as águas dos alguidares e levava o alguidar da loiça lavada para cima da banca.
E, como sempre, a primeira coisa que fez foi verificar se o fervedor estava bem ou mal lavado.
O coração começou a bater-me forte.
De imediato, eu levei uma estalada e caí redonda no chão.
Ao mesmo tempo que eu me levantava, a minha mãe disse-me:
- Vê o que ainda aqui está. Não lavaste isto em condições. Para castigo, vais voltar a lavá-lo.
E pôs-me no alguidar água ainda mais fria do que já estava a anterior.
As minhas mãos ardiam-me na água fria tanto como a cara me ardia de quente.
Nunca mais posso esquecer o que então chorei.
Sei que o meu pai chegou com os meus irmãos já de noite. E que todos ficaram especados ao verem-me no chão da cozinha ainda a lavar a loiça.
Pensei que o Menino Jesus talvez me recompensasse de tanto trabalho e de tanto sofrimento.
Mas, o dia de Natal chegou.
E, no meu sapato, não havia nada que me compensasse de todo aquele sofrimento!... Ali só havia objectos para eu trabalhar na escola!...
Deve ter sido nessa altura que eu fiquei a saber que Deus se esquece de algumas pessoas. E que eu era uma delas.
Por isso, ainda hoje não me admiro da pouca sorte que me coube. E do grande esforço que sempre tive que fazer para adquirir alguma coisa. Afinal, esta é a vida que está reservada a algumas pessoas...
Verdade seja dita: - foi assim que eu aprendi a cuidar de tudo quanto pertence a uma casa de família. Por isso, hoje dou valor ao que a minha mãe me ensinou. Mas... nunca mais poderei esquecer a tristeza e o sofrimento de toda essa aprendizagem. [15]

sexta-feira, junho 10, 2005

DIA DE PORTUGAL

Hoje, dia 10 de Junho, é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Aqui fica, na voz dos nossos maiores poetas, uma bela indicação do que significa Portugal e de qual a sua localização na Europa e no Mundo.


Luís de Camões

(«Os Lusíadas», Canto III, estrofes 20 e 21)


Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.

Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá, que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
De Luso ou Lisa, que de Baco antigo
Filhos foram, parece, ou companheiros
E nela antam os íncolas primeiros.


Fernando Pessoa

(«Mensagem», I parte)


A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

segunda-feira, junho 06, 2005

Aniversário

Rosângela:

A família Lapa e Cruz do Carmo que mora em Portugal deseja que você tenha um dia de aniversário muito feliz, na companhia de seu marido (Sérgio), dos seus filhos (Lucas e Paula) e de toda a família Cruz do Carmo aí do Brasil.

Parabéns! Muitos anos de vida!

Abraços e beijos de nós todos.

PARABÉNS BEM ATRASADO

PARABÉNS QUIM!!!

Minha Nossa!!! O Muro de Berlim caiu e ninguém me avisou???

Pois é gente eu sou desta galáxia, e ainda estou viva!!! Mas não fiz a lição de casa direitinho e por isso não fiquei sabendo que teve mais um integrante da família fazendo aniversário!!!

Mas tudo bem antes tarde do que nunca (rsrsrs)

QUIM MUITOS ANOS DE VIDA PRA TI QUE DEUS TE ILUMINE E QUE ELE ESTEJA SEMPRE CONTIGO!!!

Desculpe-me pelo esquecimento, quero dizer, por não ter vindo visitar o blog estes dias, pos estou numa correria danada!!

Mas aqui vai um parabéns pra você nesta data querida de toda a sua famíla aqui do Brasil!!!

Fica com Deus

Bjs em teu coração

Obs.: Teve pastéis de Belém na festa? (rsrsrs)

Da Prima (esquecida) Regina

quinta-feira, junho 02, 2005

Lapa honoris causa

Sinto-me como se tivesse recebido um título honoris causa, ou simplesmente, como um dia em África quando um macua me convidou a sentar junto ao fogo à frente da palhota, indicando-me o tijolo vazio a seu lado.
Fazer parte de uma família, partilhando o seu espaço íntimo só extensível aos verdadeiros amigos é a maior honra que há.
Seja no espaço cibernáutico; seja na adega da casa, onde na minha terra talvez por pudicícia se disfarça a verdadeira amizade com o álibi da bebida; seja ao redor do fogo; o convite tem o mesmo valor e espero que o merecimento do convidado lhe esteja à altura.
Por mim, para já, puxo o tijolo, ergo o copo ou penduro ao pescoço a condecoração de membro honoris causa desta tertúlia e comprometo-me a partilhar do calor que as palavras trazem consigo quando são francas, como sei que são, não por ter, mais que uma vez, espreitado o blog, a apetecer-me meter conversa, mas porque já conheço o calor que elas dão.
Quando as palavras são o único consolo e alguém no-las diz, está autenticado o mais imponderável contrato de todos: a amizade, mas também o mais duradouro, porque é o único que por vezes antecede e sobrevive ao amor.
O contrato fica firmado: esta é a minha assinatura.

Cristina e Manuel

Pretende-se que este blog continue a ter um carácter familiar.
Mas, como já disse antes, há certos amigos que são para nós como pessoas da família.
Assim, justifica-se que esses amigos sejam admitidos a participarem activamente neste convívio da família «Lapa».
É este o caso da Cristina Machado e do seu marido Manuel Bastos.
Ela é colega da Graça (professora de filosofia) há muitos anos. E a amizade, confiança e partilha que surgiu entre ambas alargou-se naturalmente aos respectivos cônjuges e filhos.
Também será interessante a participação da filha de ambos (a Inês), que tem 10 anos e já está a terminar o 1º ano do ciclo preparatório.
Os muitos conhecimentos do Manuel em matéria de computadores e a grande cultura e riqueza de espírito deste casal amigo são a garantia de que o convívio entre todos será salutar e muito enriquecedor para os membros desta grande família «Lapa».
Por isso, aqui fica este convite para trazerem até aqui o que acharem interessante (textos, fotos, desenhos, música, ligações a outros sítios ou blogs, etc.) quando acharem isso oportuno ou os vossos afazeres o permitirem.
Desde já o nosso muito obrigado.

Quim

terça-feira, maio 31, 2005

Parabéns, Quim!

Olá meu querido amigo!
Diz-se que "mais vale tarde do que nunca"! Ora, apesar do teu dia de anos ir já bem avançado, queria dizer-te, nesta data, que te adoro (e a Graça não tem ciúmes, porque sabe que é verdade!). Adoro-te pela pessoa que és e que fazes os outros, que contigo lidam, ser. Não estranhes, portanto, que digamos que gostamos de ti e que nos fazes muita falta - és a nossa garantia de autencidade, de bondade, de verdade e de amizade.
Obrigado por seres meu amigo, por seres nosso amigo!

Um beijo

Rosária

Parabéns...

Depois deste espaço de tempo sem aqui escrever, quero "postar" sobre o aniversário do nosso membro favorito, o nosso adorado Administrador, Dr. Joaquim Gomes. A inequiparável capacidade de nos alegrar, conduzir e aconselhar. De opinião pessoal, esta é, das pessoas que conheço, a que mais me agrada e a que mais me influencia. É, sem dúvida, uma das pessoas mais louváveis que podemos encontrar nesta "família" (não desfazendo os outros elementos), tanto, que não posso descrever propriamente, nesta linguagem falada. Todos os que conhecem, sabem do que falo e, por isso, não estarei a ocupar mais espaço no "blog" e a fazer desperdiçar o tempo de quem o lê.

Parabéns!


PostScriptum: Tal como já tinha sido pedido, e na medida de enriquecer culturalmente este "blog", estou na disposição de partilhar convosco a frase enigmática que divulgarei posteriormente. Como 2005 é o "Ano Internacional da Física", escolhi a individulidade Austríaca de Albert Einstein para referir a citação:

"Deus não joga aos dados com o Universo."

Albert Einstein

Aniversário (agradecimento)

É verdade. Também calhou a mim a vez de fazer anos!...
E já tenho uma bonita conta deles (já são 53).
Não me posso queixar da minha sorte. Quantos e quantos neste mundo ficaram pelo caminho antes de chegarem a esta idade?!... E, se calhar, com muito mais merecimento do que eu!...
As minhas prendas (para além dos vários livros de poesia que recebi) são as melhores que eu poderia ter:
- A minha esposa e os meus dois filhos;
- A família Gomes (de onde provenho);
- A família Lapa (em que me integrei); e
- Os meus amigos (que não são muitos, mas são muito bons).
Este «post» destina-se a agradecer, de uma forma geral, a todos os que escreveram textos muito bonitos nos blogs, que me mandaram mensagens de SMS ou que me telefonaram a dar-me os parabéns ou a perguntar-me pela minha saúde.
A todos vocês o meu agradecimento muito sincero.
Muito obrigado. Bem hajam.

Um grande abraço

Quim

Meu Marido

Parabéns, Kim, pelos 53 anos de idade que completas hoje.
Encontrámo-nos aos 18 anos e nunca mais nos separámos.
Em breve faremos 27 anos de casados.
Refiro aqui estas datas não só porque sei que esqueces estes pormenores com muita facilidade, mas também porque – para mim – não são pormenores mas “pormaiores”, ou seja, são os marcos onde assenta a nossa vida.
Agradeço-te do coração por me teres escolhido para mãe dos teus filhos e, assim, me teres dado a oportunidade de viver, de conhecer e amar o melhor pai do mundo, o pai que todos gostariam de ter tido.
Não sei se a vida é algo que, em si mesma, valha a pena viver. Mas, aprendi contigo que nada há nela que seja completamente bom ou completamente mau. Sei também que, ao teu lado, os momentos difíceis se tornam mais suaves. Espero, por isso, viver a minha vida até ao fim sempre ao teu lado.
É com toda a ternura e toda a esperança que possa caber num coração que ama de verdade que hoje te desejo muitos anos de vida, com saúde, pois quero que estejas junto de mim para tornar mais leve o momento da minha partida.
De facto, como tantas vezes juntos concordámos, a vida não é senão um “entretanto” entre o nada que já fomos e o nada que uma dia seremos.

Beijos da tua mulher

Graça

Parabéns «Pappi»

O gatiti (bola de pêlo) mandou muitos beijinhos no nariz. Só não tos deu pessoalmente, ou gatitialmente, porque tem medo de levar um chuto voador!!
É a primeira vez que escrevo no blog porque acho que não fui feita para escrever mas sim para analisar a escrita dos outros.
No entanto, vou escrever umas palavrinhas neste dia tão especial em que a avó Dina deu à luz o seu filho primogénito tão loirinho e tão fofinho! Parabéns também para ti avó! Este dia também é teu!!
Pappi, resumindo, quero agradecer-te pelas memórias que me vais deixando. Obrigada por me teres levantado sempre que as ondas do mar da praia de Mira chegavam aos meus pés. Lembras-te? Gosto muito de ti e quero que saibas que me sinto muito feliz por ter um pappi tão lindo e tão loirinho.

Beijinhos.

Joaninha

Feliz Aniversário

Kinas é sinónimo de "amor pela boa música", "amor pelos familiares e conhecidos", "ajudante de necessitados" pois estás sempre lá pronto a ajudar no k for preciso, é também sinónimo de "amizade", "alegria", "brincadeira saudável", entre muitos outros, só nao escrevo + porque não tenciono escrever um testamento. Testamento: neste momento esta palavra está carregada de simbolismo para todos os k estão de alguma maneira ligados a ti. Só espero que não tragas um desgosto a todos os que te amam e idolatram (tomo "eu" como um grande exemplo dessa admiração por ti), entretanto aproveita da melhor maneira que tu possas considerar possível para a tua pessoa esta tua valorosa vida, realiza-t, aproveita-t. Eu não me importo de retribuir tudo o que fizeste por mim porque é este ano que obenho a independência por que tenho esperado: não depender do meu pai para fazer deslocações. Há um concerto que tu gostarias de ver na Figueira da Foz? Se for preciso eu levo-t, e vamos ver o concerto. Vai haver um grande concerto com famosas personalidades estrangeiras no Porto? Se for preciso eu levar-te-ei, e apreciaremos o concerto juntos pois gostava muito de retribuir tudo o que fizeste por mim.
Podes não te ter apercebido, mas tiveste um grande impacto na vida de todos os que conheceste, de tal maneira que te considero o pai que nao tive mas sempre desejei ter. Se havia dúvidas da existência de Deus, forma logo postas de parte a partir do momento em que vieste ao mundo, pois nesse dia ocorreu um milagre, surgiu a pessoa perfeita, não fisicamente (que neste caso é irrelevante) mas a nível moral.
A tua simples presença mostrou que ainda há gente de bem, gente gloriosa e se não incentivaste os outros a tentarem ser tão grandes como tu, é porque essas pessoas não se aperceberam verdadeiramente da tua grandeza, mas há pelo menos uma pessoa que notou, que se apercebeu de ti, e que por fim mostrou a todo o mundo o significado da tua simples presença. Em nome de todos os que tiveram a felicidade de te conhecer, bom aniversário e não te eskeças: realiza-t, aproveita-t.

sábado, maio 28, 2005

Outra história do Natal

Quantos anos é que eu teria? Não sei. Mas tinha os que bastavam para eu nunca mais esquecer, e ainda hoje sentir que sou fruto do que me aconteceu então.
Sei que ainda não sabia falar o suficiente para reclamar o que era meu. E que me limitava a olhar sem perceber o que acontecia e porque acontecia.
A noite de Natal chegou.
E, como de costume, só na manhã seguinte teríamos o direito de saber o que nos tinha reservado o Menino Jesus.
Os meus irmãos mais velhos atravessaram o meu quarto – onde eu dormia na cama de grades – e correram para o quarto dos meus pais, cada um com um carro de plástico de cores diferentes.
Eu acordei e, ainda trôpega, comecei a descer com dificuldade por cima da grade da cama.
Era a minha vez de correr para a cozinha.
Durante estes minutos, ouvia claramente os meus irmãos a dizerem uns para os outros:
- A Graça é que teve sorte. Tem uma bola de futebol tão linda!...
Todos repetiam a mesma coisa.
Eu corri para a cozinha para ver o meu sapato. E constatei com espanto que eles tinham razão: - eu tinha a bola mais linda do mundo!
Abracei-me a ela. Não sei se era do tamanho da bola ou se era do meu contentamento. Só sei que não conseguia ver o caminho até ao quarto dos meus pais. Mas, a memória conduziu-me até eles. E quando lá cheguei, pousei a bola em cima da cama como se tivesse pousado o mundo. O mundo era meu!...
Com tristeza posso afirmar aqui hoje: - foi a primeira vez que lhe peguei e também deve ter sido a última!
O que é que aconteceu? Qual era o sentido verdadeiro do meu presente tão lindo?...
É que o meu pai (compreendi-o mais tarde) não podia comprar uma bola para cada um dos três filhos. E como não sabia a qual deles atribuir esta – pois isso provocaria um conflito de interesses e era motivo para o dono da bola se vingar de qualquer irmão e não o deixar brincar com ela – a bola foi dada a quem não podia dar-lhe uso, mas apenas e tão-só admirá-la.
Na minha inocência, percebi naquele dia de Natal que o verdadeiro dono da bola era o meu pai quando este declarou:
- Agora, quem manda na bola sou eu porque a menina, afinal, não precisa dela.
Não tenho palavras para descrever o primeiro momento de plena infelicidade que vivi na minha vida. O que era meu deixou de o ser! O mais belo deu lugar ao absolutamente nada!...
Isto foi o que eu senti. E, embora não o soubesse expressar nessa altura, ficou para sempre gravado na minha memória depois de o meu pai ter respondido a esta pergunta do meu irmão mais velho:
- Porque é que o Menino Jesus deu a bola à Graça (uma menina)?
A resposta do meu pai foi clara:
- Porque ela foi, de todos vocês, a que se portou melhor durante o ano.
Justificada a atitude, aparentemente desconexa, do Menino Jesus, o pensamento repetia-me sem que eu tivesse capacidade de dizê-lo alto: “Então como é que, sendo eu a que me portei melhor, e tendo recebido o melhor presente, acabei por não ter absolutamente nada?”
Ainda hoje sonho com esta amargura de ter alguma coisa e de ma tirarem. Talvez isso explique o amor que eu sinto por tudo quanto é meu e a dificuldade que tenho em dar o que me pertence. Isso caracteriza a minha personalidade: - o apego ou amor que tenho ao que é meu; e a ausência total de inveja dos outros em relação ao que lhes pertence.
Aliás, quero recordar aqui o que já é do conhecimento de alguns: - a primeira palavra que o meu filho Miguel disse foi a palavra “Meu”.
Quem pensa que as crianças – por serem pequenas – não sofrem porque não entendem, e que não ficam marcadas com as suas experiências, está completamente enganado. São experiências ainda mais dolorosas e mais marcantes aquelas que não conseguimos compreender.
Ao educar os meus filhos, eu tive sempre o cuidado de lhes explicar porque agia deste ou daquele modo porque sabia bem que eles me compreendiam. [14]

terça-feira, maio 24, 2005

Rosária e Carlos

No passado dia 5 de Maio eu escrevi que era possível que aparecessem outros amigos a escreverem também neste blog dos «Lapas». E disse que isso se devia ao facto de haver alguns amigos que eram como pessoas da família.
É este o caso da Rosária e do seu marido Carlos.
Ela é professora de filosofia, foi colega da Graça desde os bancos da Faculdade, e é uma amiga fiel e dedicada há mais de 30 anos.
Trata-se de uma pessoa de grande bondade e altruísmo, uma vez que está sempre pronta (às vezes com prejuízo dela própria e da sua família) para ajudar todos os que precisam dela.
Também o Carlos é uma pessoa de grande compreensão e tolerância que nos honra com a sua simpatia e amizade há muitos anos.
Por isso, eu convidei-os a escreverem aqui alguma coisa (sobre qualquer tema que achassem oportuno e interessante).
Estou certo de que todos os membros deste blog poderão aproveitar muito com os seus conhecimentos, com a sua maneira de ser e com a partilha da sua amizade.
Espero que este convívio seja enriquecedor para eles e para todos nós.
Aqui fica um grande abraço de boas-vindas para eles.

sábado, maio 21, 2005

Uma história do Natal

O meu irmão Jorge teria 8 ou 9 anos quando, pelo Natal, pediu ao Menino Jesus uma caneta de tinta permanente.
Uma caneta destas era coisa rara porque as canetas de pau e aparo sujavam os dedos e a pedra-pomes era áspera e dolorosa.
A caneta de tinta permanente era, pois, um presente muito apreciado.
Chegou a noite de Natal.
E, antes de nos deitarmos, havia algo que era «sagrado»: - todos corriam com o coração ansioso a porem os seus sapatos na banca a cujo canto estava o forno de cozer a broa.
Feito isto, a ordem era de irmos todos para a cama. E, por maiores que fossem as nossas expectativas, não tardávamos a cair no sono.
Mas, o Jorge sonhava com a sua bonita caneta de tinta permanente. E hoje sei que ele foi o primeiro a acordar e a ir ver o seu presente.
Mas, ao chegar ali… Desilusão!... Espanto!... A “sua” caneta de tinta permanente não estava nos seus sapatos, mas sim nos do Vítor!... Tinha sido, de certeza, um engano do Menino Jesus!...
Por isso, sem que ninguém desse conta do sucedido, o Jorge resolveu fazer a troca “justiceira”. O seu irmão mais velho nunca tinha pedido ao Menino Jesus uma caneta de tinta permanente. Por isso…
Mal a troca acabou de ser feita, já a cozinha era invadida pelas outras crianças, todas elas com os corações ansiosos.
E, como era habitual, cada uma delas correu para os respectivos sapatos.
Desembrulhadas as prendas, era também «sagrado» o ritual de irem todos a correr até ao quarto dos pais, a informar estes da prenda que o Menino Jesus lhes trouxera.
Quando o Jorge mostrou a sua linda caneta com uma tonalidade verde, ele reparou que os pais se entreolharam admirados... E teve mesmo a impressão de que o «engano» do Menino Jesus se devia a um qualquer erro da minha mãe.
É que ele ouviu o meu pai a dirigir-se à minha mãe e a perguntar a esta:
- Ó Lurdes, tens a certeza de que não te enganaste a pôr as prendas nos sapatos?
Até agora, o Jorge manteve esta história em segredo.
E ainda hoje continua sem saber explicar o que naquela altura foi pior para ele: - ou o saber que a caneta que pedira ao Menino Jesus não era, afinal, para ele; ou a descoberta de que... não era o Menino Jesus que trazia as prendas às crianças!!!...
Esta história mostra que a inocência de uma criança – ao pretender emendar aquele «engano» do Menino Jesus – acabou por tornar justa uma atitude dos pais que era apenas lógica (o filho mais velho é aquele que deve ter primeiro uma caneta de tinta permanente).
Ou, por outras palavras, o Menino Jesus pôs e a criança dispôs… [13]

Aniversário


Para a Sónia Catarina (filha da Rosa Lapa):
De Joaquim Gomes (tio)


Olá querida:

Sei que tu fazes hoje 16 aninhos.
É uma linda idade para uma menina também muito linda!
Espero que tenhas um dia de anos muito feliz, que tenhas boas prendas, que o jantar com os teus amigos corra muito bem, e que este dia se repita por muitos anos, sempre com saúde e com a alegria que nós te conhecemos.

Muitos beijinhos do tio, da tia e dos primos

Tio Quim

quinta-feira, maio 12, 2005

O meu pai voltou a falar comigo

Bem haja, Regina.
Você fez-me recordar o «burrinho» natalício que um dia veio do Brasil e que ainda deve estar guardado num qualquer recanto da casa de meus pais.
O que eu não sabia era que o meu pai, bem ao seu jeito, tinha feito um poema a esse postal de boas festas.
Ao reler todos estes poemas, eu "senti o meu pai junto de mim".
Isso foi para mim uma experiência emocionante, muitíssimo boa, já que - quando eu estou junto do meu pai - "o sinto muito distante de mim", por causa da sua doença de Alzheimer! O seu olhar distante e perdido apenas nos diz que vive, mas que o Mundo já não tem para ele nem significado nem sentido.
Obrigada por me ter permitido "ouvir" de novo o meu pai.
Ele e os seus conselhos fazem-me muita falta.

Um beijo infinito desta prima que aprendeu a gostar tanto de si

Graça

quarta-feira, maio 11, 2005

Recordações de Portugal

Pois bem
Todos devem estar a se perguntar o que eu teria de recordações de Portugal se nem ao menos conheço esse pais?
Tenho a vos informar que realmente nunca estive em Portugal, mas pelas tantas idas e vindas de meu pai (Polivio) a sua terra natal, e de tanto ele contar as coisas que viveu por lá posso dizer que em minha mente, bem como em minha vida existem recordações de Portugal.
Agora vou contar algumas delas.
Eu era bem pequena quando meu pai um belo dia disse: "Vou a Europa, estou com saudades de todos..."
E ai ele foi. Sempre que ia ficava por lá pelo menos trêes meses, e eu ficava aqui esperando seu retorno com muita espectativa, pois além dos presentes que sempre acompanhavam sua bagagem ele trazia também muitas histórias, isso quando não trazia algum parente junto, como o fez uma vez, trazendo sua irmã Laurinda.
Pois bem é sobre este epsódio que quero contar. O dia em que meu pai chegou acompanhado de sua irmã foi uma festa lá em casa, pelo menos minha mãe trocou os móveis da sala (rsrsrs) as cortinas, e os badulaques, tudo para agradar a cunhada.
Minha mãe ficou tão nervosa e preocupada com a chegada da tia Laurinda que nem parecia a mesma pessoa queria sempre agradar, mas quem disse que tia Laurinda estava preocupada com isso?
Lembro-me de que passeamos muito levamos ela para conhecer a baixada santista (nossa praia paulista) fica há 1 hora de São Paulo, levamos ela para ver nossos parentes e amigos aqui do Brasil e o mais engraçado é que quando ela estava para retornar a Portugal conseguiu convencer a minha madrinha (Tia Maria) a ir junto com ela. Achei engraçado porque com aquele leva e trás de gente eu só queria saber quem é que iria voltar com a minha tia Maria.
A tia Maria quando voltou trouxe também muitas histórias, mas a mais engraça e a que dou risada até hoje é do fato de que ela presenciou uma briga da tia Laurinda com não sei quem lá por causa de uma pedaço de pano, mas ai o padre se meteu no meio e a Tia Laurinda bateu no Padre (rsrsrsr).
Gente esta história é contada atá hoje aqui em casa, é motivo de muita risada pois ficamos imaginando o padre apanhando.
Outra coisa que me lembro é do meu pai tirando da mala um tal "estudante de Coimbra", era uma estatueta toda preta com um pano vermelho pelas costas. Pra mim naquela altura parecia mais uma padre, hoje olho para a mesma estatueta e recordo-me com alegria.
E quando meu trazia cerejas portuguesas, ai meu Deus, dá até água na boca. E as amendoas, nossa ...
Tínhamos aqui também um galo que media a temperatura, esse era a sensação lá de casa. O bichinho ficava azul, verde, rosa. Muito engraçado, todo mundo que chegava meu pai ia mostrar.
Meu pai trouxe também um tal de "Licor de Merda", niguem quis tomar o treco. A bebida ficou guardada por anos e só foi aberta no dia do baile de minha formatura em 2001 (tava bom rsrs)
Troxe também um licor com uma pera dentro, esse foi engraçado, porque ele guardou tanto a bebida e depois de muitos anos resolveu abri-la, acho que foi no seu aniversário de 70 anos, a bebida estava estraga e a pera podre, demos muitas risadas e até falamos pra ele ir até ai novamente buscar outra.
Bom, o Quim colocou no blog uma poesia de um escrito brasileiro em homenagem a união dos povos portugueses e brasileiros. Eu agora vou colocar uma poesia de um poeta que ainda está entre nós, mas infelizmente muito doente. Trata-se de uma poesia que me foi entregue pelo meu pai há mais ou menos uns 28 anos. O papel está amarelado, mas continua intacto. Essa poesia foi feita pelo Tio Lapa, a quem agora presto homenagem, ele a escreveu para mim e por isso também serve para unir os Lapas aos Cruz do Carmo.
Então lá vai:
PARA A MINHA REGINA
1
Para que hei-de eu casar,
se só prevejo castigos!,
Quasi todos os casado,
Se tornam arrempedidos!
2
Mas se eu chegar a casar,
Tenham todos a certeza,
Que não é para desbanjar,
Nem o amor, nem riqueza!
3
Mas sim para conseguir,
Mesmo que com sofrimento,
Um rico e belo provir,
Cheio de contentamento!
FIM O TIO, responde:
Tinha vinte anos, eu
Pensava de igual maneira,.....
Por isso o que sucedeu,
Foi cair na ratoeira!!!!!!
FINALMENTE
Ele também escreveu uma para o meu irmão Sergio e vale à pena todos conhecerem:
PARA O MEU SERGIO
I
Nasci pouco inclinado,
Em desistir à primeira
Morrer triste e definhado
À sombra da bananeira?,.....
II
Cuidado meus pergaminhos!,
Vós não sereis maltratados!!!!!
Eu homem de colarinhos,.....
Não vos quero enxovalhados!!!!
III
Murchando quaisquer flores
Que plantei no meu quintal,
Comprá-las-ei bem melhores
E com ODOR especial!!!!
F I M
Pela vinda de B. Festas
Encantador senário, o
Tio responde:
Um burrinho (que meiguice!)
O teu tio (burro) contemplou!
Lembrando tanta tolice,
Que em sua vida engendrou!!!!!!!!
2
Quanto vi, bém natural,....
Mas vir um BURRO, "incrivel"
Com tantos em Portugal,
E vir mais um do Brasil!!!!!
FINAL-MENTE!
Pois bem estas são as minhas primeiras palavras de saudades de uma família que não conheço, mas que gostaria muito de conhecer...
Fiquem com Deus
Bjs
Regina (Brasil)

terça-feira, maio 10, 2005

Celebração

Para celebrar o facto de a Regina conseguir escrever no nosso blog, aqui fica um poema do poeta brasileiro Álvaro Alves de Faria (nascido em São Paulo em 9/2/1942).
É um dos seus poemas escritos em Portugal nos anos de 1998, 1999 e 2000.
O poema trata da nossa querida cidade de Coimbra.
Por isso, ele parece-me apropriado para fazer a ligação afectiva que existe entre nós e que está unindo as cidades de Coimbra (Portugal) e de São Paulo (Brasil).


Coimbra


Calmo é o espanto da cara
a faca inerte que corta o dia
a poesia do dia.

Parco é o instante que morre
o ausente pressentir o nada
o tempo do nada.

Pouca é a palavra que finda
a boca que cala o lábio
o contorno do lábio.

Por estas ruas
ouço Coimbra a morrer em mim
poeta que sou de outra terra
e que estende o olhar possível
essa ave nos arcos
nas pedras
essa água desse rio que me lava
rio que me leva.

Não é tudo despir-me
como se a orar-me por dentro
por esta santa Clara
por esta Isabel de rosas vermelhas
por esta Inês de face branca
que por não ser santa é mulher.

Por este ausentar-me de mim
como se assim pudesse viver
pudesse viver.

Por estas ruas me perco
e assim será para sempre
para que me faça
à janela que me abre ao sol
ao abraço
dessa mulher que me dá adeus
que me dá adeus.

segunda-feira, maio 09, 2005

OLHA EU AQUI

Puxa conseguimos!!!
Tenho que contar a todos os colaboradores deste blog o porque de minha euforia.

Pessoal depois de muito esforço e de muitas tentativas eu, o Quim e o Luis conseguimos dar um jeito para que eu escrever um post no blog da família.
Eu to até emocionada, juro o esforço valeu à pena.

Mas recebi orientações para escrever pouquinho da primeira vez, então pessoal essa minha primeira estada no blog foi só pra testar.
Se tudo der certo estarei postando todos os finais de semana com novidades e histórias minhas para contar a todos que visitam o blog.
Por hora é só senão o Quim briga comigo.

Bjs a todos

Regina (Brasil)

Experiência

Regina:

Aqui vai a nossa primeira tentativa de escrever no blog em seu nome.

Quim

sexta-feira, maio 06, 2005

Como "postar"?

A pedido de muitas (?!) famílias que aqui se encontram, eu decidi "postar" mais uma vez. A verdade é que a parte mais difícil de escrever um bom "post" é o início: o tema. O tema deste "post" foi sugerido pelo nosso Administrador, a quem me dirijo com o maior respeito (obrigado pelo comment, mas aquela do leão...bibó fê-quê-pê!), para responder às dúvidas da família «Carmo & Baptista» e, talvez, de outros colaboradores deste excelentíssimo "blog". A dúvida com que os supracitados se deparam é a seguinte: «Como "postar" neste "blog" (ou qualquer outro em que esteja inscrito)?» Este mistério da informática e das telecomunicações será então aqui revelado, em simples passos:

1.O utilizador NÃO se deve dirigir imediatamente ao "blog", deve sim, ir a www.blogger.com

2.Nesta página inicial deverão ver, no canto superior direito, dois campos de texto: «username» e «password»

3.No campo de «username» deverão digitar o nome de utilizador do blog (por exemplo, «deophanto»)

4.No campo de «password» deverão digitar a palavra passe correspondente

5.Depois de clickarem em «Sign In», deverá aparecer o «Dashboard» no qual deverão constar os "blogs" em que estão inscritos

6.Ao lado do nome dos blogs, estará situada uma cruz verde que dirá «New Post», basta clickar para aceder ao editor de texto

7.Depois de escrito o título do "post" e o texto em si, clickar em «Publish Post» (no final da página) é o quanto basta para o "post" seguir direitinho para o nosso "blog"


Espero que todos tenham percebido como fazer "posts", o nosso "blog" fica muito pobre só com "comments". Falando nisso, gostaria, uma vez mais de deixar aqui um solene agradecimento por este "alargamento" e pelos acolhedores "comments" com os quais me brindaram nesta entrada para o "blog": obrigado!


PostScriptum: Os vossos “posts”, repito, são essenciais e um grande contributo para este “blog”. Agora que já sabem como se faz, “postem”! Só para ficar esclarecido, apesar das diferenças gramaticais e semânticas entre o Português de Portugal e o do Brasil, o meu nome, como o de todos, é universal. Esclareço então: Luís Correia.

quinta-feira, maio 05, 2005

Nova Aquisição

Boa noite senhoras e senhores membros do blog, inigualáveis "Lapas", caríssimos amigos dos mesmos, excelentíssimo Administrador do "Lapa-Mundi"...
É com grande prazer que me endereço a vós. Como comunicado anteriormente pelo nosso grande Administrador, ele que dirige este (agora) nosso "ponto de encontro", há hoje mais um a participar no blog. Esta nova aquisição nada teria de tão especial senão essa pequena/grande diferença que me separa (por vezes, aproxima) de vós. A entrada de um "não-Lapa" como "postador" é um enorme salto na caminhada do sucesso deste Web Log, estou certo. Certo estou também de que este irá ser um incentivo fortíssimo para todos os contribuintes do mesmo e que surgirão novos "posts", cada vez com mais companheirismo, amizade e fraternidade para com todos. Hoje, agradeço a todos os que puderam tornar isto possível: eles sabem quem são, e sabem o que são para mim.
"Despeço-me com amizade", até ao próximo "post"...



PostScriptum: Que este "post" vos sirva de exemplo para futuras referências. Mais uma vez, obrigado.

Amigos

São muito poucos os membros já inscritos neste blog que escreveram nele alguma coisa.
Alguns deles escreveram um post, mas fizeram-no só uma ou duas vezes.
Outros limitaram-se até agora a escrever pequenos comentários aos posts que são escritos por outras pessoas.
Sendo assim, parece-me que chegou a altura de eu convidar também alguns amigos a escreverem aqui alguma coisa, para ver se fica mais interessante o nosso blog.
É o caso de uma pessoa que me manifestou expressamente o seu interesse em escrever aqui alguns textos.
Trata-se do Luís Miguel Silva Correia, o filho da nossa empregada e amiga (D. Isabel), que é estudante, que sabe bastante de computadores, e que já apareceu neste blog em algumas fotografias.
É possível que - para além dele - surjam aqui outros amigos nossos a escreverem alguma coisa.
Isto é um lugar de convívio entre familiares.
Mas, a verdade é que certos amigos são como pessoas da família.
Por isso, é justo que este convívio seja alargado também a eles.
Disso resultarão, por certo, benefícios para todos.
Por agora, resta-me dar as boas vindas a este novo membro e desejar que ele nos traga até aqui muitas coisas interessantes.

P.S. - Tendo em conta esta nova faceta do blog, eu já alterei o subtítulo do nesmo blog (como podem verificar no cimo da página), incluindo nele também os amigos da família «Lapa».

Quim

quarta-feira, abril 27, 2005

Doença


Infelizmente, este blog também serve para transmitir notícias tristes!...
A família do Brasil tinha razão ao pensar que tinha acontecido alguma coisa...
É que eu (Quim) tive um problema no intestino (uma estenose) e tive de ser operado com urgência no Hospital da Universidade de Coimbra.
Estive ali internado entre os dias 8 e 25 de Abril de 2005.
Eu não quis preocupar as pessoas e, por isso, pedi para não dizerem nada durante algum tempo.
Agora, já estou em casa e sinto-me melhor.
Mas, ultrapassada a primeira fase do tratamento, vou começar em breve a fazer quimioterapia.
Para isso, já me implantaram um catéter fixo no peito.
Espero que a quimioterapia consiga devolver-me a saúde e que tudo corra pelo melhor.

Por agora, é só isto.

Um abraço para todos.

Quim

quarta-feira, abril 20, 2005

Mais um aniversário!

É verdade, mais um membro deste nosso respeitoso blog fez questão de celebrar mais um aniversário!
Esse membro é o meu tio Jorge!
Não sei quantos anos ele fez, mas acho que anda por volta dos quarenta e dezassete!
Tio, que tenhas um dia feliz e cheio de saúde.
Quando estiveres por cá, avisa!

Muitos beijinhos e abraços de nós todos.

Miguel

À minha Lua

«Mamy! Ter um filho custa muito?» Pergunta-me com frequência a minha filha Joana.
É fácil perceber porquê: é mulher, e não há nenhuma que resista a um «beijo de carne» quer ele vá ao colo da sua mãe, ou escondidinho num carrinho. O olhar de uma mulher procura sempre uns olhinhos - que não sei definir - que lhe façam recordar os que um dia beijou 1000 vezes e eram apenas «seus». Mas, a este ímpeto está ligado indissoluvelmente o receio, o medo da dor.
Eu respondo, como quem não dá muita importância à pergunta...«Claro que não custa muito ter um filho.» E desenvolvo um arrazoado de ideias e argumentos para descrever a beleza e o amor que se sente e vive depois desse momento e experiência inesquecíveis. Mas, neste caso às 5 horas da tarde do dia 20 de Abril, quando nasceu a Joana, a resposta é plenamente verdadeira. A Joana não custou nada a nascer. O Doutor Mário Mendes cumpriu o que me prometera... Não sofrer. E eu não sofri. A Joana nasceu através de uma cesariana, pois o cordão umbilical estava todo enrolado à sua volta, prendendo-a ao calor do ventre materno, como que advertindo-a ou a demorá-la em sinal divinatório de como a vida é difícil e cheia de sofrimento.
Ela hoje, mulher que é, sabe isso. E embora me tenha dito aos 10 anos: «Mãe, não quero crescer!», julgo que ama a vida e é feliz por ter nascido. A sua vida nunca perdeu sentido até hoje, e isso é a essência do existir. Não tenho dúvida de que terá a força, o saber, e a vontade de não desistir de construir em cada dia a sua felicidade, a sua «Eudaimonia».
Ela saberá sempre conciliar a virtude da prudência com a do conhecimento; os valores que a família lhe transmitiu com a humanidade, e a ternura que a constituem como pessoa.
Ela foi e é a minha força, a minha «caixinha dos segredos». Quando me fala é sempre para me dizer algo profundo, algo que me ensina a viver melhor.
No dia 20 de Abril nasceu o segundo filho da minha mãe, o meu irmão Jorge a quem abraço e desejo uma vida feliz e cheia de saúde. Nesse mesmo dia (uns anos depois) nasceu o meu segundo filho - a Graça Joana.
Minha filha, o teu nome é da inteira responsabilidade do pai que te adora, e muito embora naquela altura me tenha provocado um sentimento de estranheza (continha o meu nome), hoje é o nome mais doce que posso pronunciar ou ouvir. E a tua voz, quando entra em casa e chama «Mamy», enche de luz a minha alma como a lua ilumina uma noite fria.

Amo-te muito minha querida.

A tua mãe,

Graça

Aniversário

Faz hoje 21 anos que nasceu nesta cidade de Coimbra aquela que é para mim a menina mais linda de todos os tempos.
É a minha filha Graça Joana.
Naquele ano de 1984, pelas 5 horas da tarde, o dia 20 de Abril era uma sexta-feira santa.
Desde então até hoje, nunca mais a sexta-feira santa voltou a coincidir com o dia 20 de Abril. E já lá vão 21 anos. Pode ser que um dia isso ainda venha a acontecer...
Por isso, nestes anos todos, eu sempre brinquei com a minha filha dizendo que ela fazia anos duas vezes por ano - 1 vez no dia de sexta-feira santa, e outra vez no dia 20 de Abril.

Não sendo muito alta, a minha filha não aparenta ter mais de 15 ou 16 anos, o que nem sempre é do agrado dela.
Por essa razão, e também porque a adoro muito, a minha filha há-de ser sempre para mim a minha pequenina.

Aqui fica um abraço muito grande e muitos beijinhos para ela.

O papá

Quim

sexta-feira, abril 15, 2005

Parabéns Teco!

Quem já passou por nossa casa, certamente conhece esta simpática personagem, de seu nome Teco.
Ele é um gatinho persa, e embora o senhor da loja onde ele foi adoptado tenha dito que ele era um «persa inglês», a verdade é que ele sempre miou no mais perfeito português.
Ele é um bicho pacato, humilde e simpático. Nunca o vi a arranhar ninguém sem ser em legítima defesa, e curiosamente convive cordialmente com toda a espécie de cães e de ratos.
Já com gatos a coisa muda de figura... Não sei se foi trauma de infância gerado pela cirurgia que fez com que passasse para todo o sempre a miar fininho, ou se é simplesmente medo que os seus donos se enamorem por outra criatura da mesma espécie. O que é certo é que o simples vulto de outro gato faz com que ele perca o discernimento e encete uma perseguição sem tréguas, que pode até chegar a vias de facto!
A verdade é que o Teco já não é nenhum jovem... Completou no passado dia 15 de Fevereiro onze primaveras, e a razão deste post é a celebração não do aniversário do seu nascimento, mas sim o aniversário do seu aparecimento em nossa casa! É que foi no dia 15 de Abril de 1994 que a minha mãe entrou em casa com uma caixa de cartão, anunciando a adopção do felino em questão.
Este acto foi na altura interpretado como sendo uma prenda de aniversário antecipada para a minha irmã, mas ainda hoje a sua propriedade é muito discutida...
O seu principal desporto é passear no jardim e saltar e deslizar pelas ombreiras das portas e das janelas.
Também gosta muito que lhe façam festas, e nem sequer se importa de servir de bola para os chutos "carinhosos" do meu pai.
Todos nós gostamos muito dele, e, apesar de por vezes nos pregar algumas partidas e de presentemente dormir cerca de 20 horas por dia, temos noção de que sem ele não haveria tanta alegria em nossa casa!


Parabéns Teco !


sábado, março 26, 2005

Aniversário

Olá Vinícius.
Não sabemos quantos anos fazes hoje.
Mas, a família que mora em Portugal espera que tu tenhas um dia muito feliz e divertido, que te dêem muitas prendas, que te vejas rodeado e acarinhado por aqueles que te amam, e que este dia se repita por muitos anos.
Muitos parabéns para ti e também para os teus pais (Regina e Sérgio).

Um grande abraço de nós todos.


P A R A B É N S !!!

Uma profissão de risco

Vivíamos na aldeia de S. João do Campo, perto de Coimbra.
O meu pai era o responsável pela vigilância do rio Mondego e seus afluentes desde Coimbra até à Figueira da Foz. Entre as suas competências contava-se a de proteger as margens da chamada vala do norte (um braço do rio), especialmente no tempo das cheias.
Com ele trabalhavam os guarda-rios que o acompanhavam a qualquer hora do dia ou da noite.
O seu zelo profissional não era bem aceite por uma parte da população, a qual costumava aproveitar essas alturas de inundações para atravessar os diques, ir à mata do Estado cortar árvores e arrastá-las na corrente até suas casas.
Esta actividade era proibida por lei. De facto, os troncos que eram conduzidos através da corrente provocavam a destruição dos diques, que tinham de ser reconstruídos a fim de protegerem os campos e as casas daquela zona.
Ora, todas as manhãs o meu pai ia encontrar os diques destruídos em vários sítios e as pessoas na maior aflição por terem as suas propriedades inundadas.
Para obviar a isto, o meu pai resolveu fazer a vigilância dos diques durante a noite.
É necessário que se diga que o meu pai tinha – por causa das suas funções – autorização de uso e porte de arma de fogo.
Logo que foram descobertos os vários infractores, estes foram multados e participadas as ocorrências ao tribunal.
Tendo visto frustrada a sua actividade criminosa, os referidos indivíduos juraram que um dia haviam de matar o meu pai.
E diziam pela aldeia fora para quem os ouvia:
- O senhor chefe só é destemido porque anda armado. Mas, um dia ele há-de ficar sem a pistola.
Contudo, o meu pai era muito corajoso e nunca se deixou intimidar. Assim, continuou a fazer a vigilância nocturna, muitas vezes sozinho.
Uma certa noite, ele saiu de casa para trabalhar. A minha mãe foi vê-lo sair à varanda do meu quarto. É que ela ficava muito aflita sempre que ele saía em missão de fiscalização.
Quando aquele estava prestes a chegar à esquina da casa, no cruzamento da povoação, a minha mãe deu um grito de aflição, exclamando:
- Cuidado, Manel!... Eles estão na esquina da loja e vão te matar!
Eu já estava a dormir na minha cama, e foi com este grito de aflição da minha mãe que acordei.
Soube depois que quatro indivíduos (alguns dos quais já eram ex-presidiários) tinham corrido para junto do meu pai, procurando imobilizá-lo e tirar-lhe a arma.
Para se defender, o meu pai ainda disparou um tiro para o ar.
Mesmo assim, eles conseguiram agarrá-lo, deram um golpe de navalha na mão que segurava a arma e tiraram-lhe esta.
A minha mãe continuou a gritar com toda a força que podia, repetindo sempre:
- Ah, seus malandros! Deixem o meu homem que ele tem filhos para criar e nunca vos fez mal.
Ao ouvirem o barulho, outros populares vieram às janelas de suas casas e gritavam de lá:
- Deixem o senhor Lapa.
Os quatro indivíduos puseram-se de imediato em fuga, levando com eles a arma da vítima.
Estando bastante ferido, o meu pai regressou logo a casa.
No dia seguinte, ele apresentou uma queixa-crime na esquadra da Polícia Judiciária de Coimbra.
O processo seguiu os trâmites legais, os quatro indivíduos vieram a ser condenados e a arma foi restituída ao meu pai.
Resta acrescentar apenas que esta arma acompanhou o meu pai durante toda a sua vida de funcionário público, uma vez que ele tinha uma profissão de risco e precisava de defender a sua vida e integridade física dos ataques dos criminosos.
Mas, embora essa arma lhe pertencesse, ele não quis continuar na sua posse nem deixá-la para os seus filhos na altura em que se reformou, com 70 anos de idade. Por isso, aquele decidiu entregar a pistola e os respectivos documentos na esquadra da Polícia de Segurança Pública mais próxima. [12]

sábado, março 19, 2005

Uma falsa acusação

Eu ainda não teria seis anos de idade. Os meus padrinhos Natália e André trouxeram-me da casa dos meus pais em S. João do Campo para a casa em que eles viviam, na rua Augusta, em Coimbra.
O tempo estava quente e decorria a Festa do Espírito Santo, em Santo António dos Olivais.
Numa dessas noites, tínhamos ido ver os carrosséis. O meu tio comprou-me dois lindos brinquedos: - um pequeno fogareiro de barro e uma cântara pequenina do mesmo material. Senti-me feliz. Mas, essa alegria não durou muito tempo. Aliás, as minhas alegrias nunca duravam muito tempo quando eu estava junto dos meus tios.
No dia seguinte, Domingo, de manhã cedo, acordei e fui para a cozinha brincar com os meus presentes.
Aquele dia decorreu normalmente.
Na segunda-feira à tarde, a minha madrinha chamou-me e disse-me:
- Não te chegou o que te comprámos? Ainda tinhas que ir roubar o dinheiro que estava em cima do frigorífico para ires à mercearia comprar rebuçados?
Eu fiquei sem fala!... Não fazia a mínima ideia do que ela estava a falar.
- Então, ficas aí com essa cara espantada e não dizes nada? – perguntou a minha tia.
Eu, timidamente, respondi-lhe:
- Eu não tirei dinheiro nenhum. Eu não comprei nada.
- És uma mentirosa
– disse ela. Aliás, com esses dentes assim raros, quem é que pode acreditar em ti? Não só roubas como ainda mentes. Mas, quando o teu pai vier cá almoçar amanhã, podes crer que lhe contaremos este episódio.
Ao final da tarde, o meu tio chegou das suas aulas no Liceu D. João III.
A primeira coisa que a minha tia lhe disse foi:
- Sabes, André? A tua sobrinha tirou os trocos que estavam em cima do frigorífico. E não só os tirou como ainda negou tê-lo feito.
Eu estava aterrorizada porque era habitual o meu tio bater-me por qualquer motivo.
Ele sentou-se num banco, encostou-se à mesa da cozinha e disse-me:
- É verdade o que a tua tia acaba de me contar?
Com as lágrimas a rolarem-me pela cara abaixo, e aos soluços, eu disse-lhe:
- Eu não tirei dinheiro nenhum.
Ao ver-me chorar assim, o meu tio disse:
- O teu pai vem cá amanhã almoçar connosco e já resolve esse problema.
Nessa mesma noite, rezámos o terço todos juntos, como era habitual. Eu rezava em voz baixa por me sentir muito triste. De repente, levei uma grande chapada do meu tio, ao mesmo tempo que ele me dizia:
- Quero ouvir a tua voz. Reza alto, ouviste?
No outro dia, o meu pai chegou para almoçar. Ainda me lembro bem da felicidade que ele tinha no rosto ao ver-me. Eu também fiquei feliz por o ver e agarrei-me ao pescoço dele. Então, dei largas à minha tristeza e chorei convulsivamente, agarrada a ele.
Perante isto, ele perguntou-me:
- Filha, o que é que tu tens?
Eu não conseguia largar-me do pescoço dele e parar de chorar.
A minha tia apressou-se a explicar as minhas lágrimas, narrando todas as falsas acusações que já antes me tinha feito.
Depois de a ouvir, o meu pai sentou-se num banco, muito triste, tirou-me os braços do pescoço e pôs-me no chão entre as suas pernas.
E perguntou-me:
- Minha filha, tu tiraste o dinheiro à tua tia? Onde é que o tens?
Eu respondi-lhe:
- Ó papá, eu não tirei dinheiro nenhum. Não sei onde ele está.
Enquanto eu falava com o meu pai, a minha tia ia dizendo:
- Ó Manuel, é natural. São crianças. Elas nem sequer sabem o valor do dinheiro.
O meu pai disse-me então:
- Pronto, filha, não te aflijas. Mas, não voltes a tirar dinheiro nenhum porque eu fico muito magoado contigo. Não foi isso o que eu te ensinei.
Almoçámos. O meu pai foi-se embora e eu continuei a viver naquela casa.
Os dias continuaram sempre iguais. Só eu não esquecia o que tinham feito comigo.
A partir dali, eu metia-me nos cantos, atrás das portas, debaixo das camas, dentro dos guarda-vestidos, em silêncio, e sempre a chorar.
Ao ver isto, foi a minha tia que tomou a iniciativa de dizer ao marido que tinham de me levar para casa dos meus pais.
Uma certa noite, enquanto rezávamos o terço, a minha tia ia arrumando a cozinha. Terminada esta tarefa, começou a limpar o chão da mesma cozinha.
Ao passar com a serapilheira por baixo do frigorífico, ouviu-se um ruído metálico. A minha tia desencostou o aparelho e – ao ver o dinheiro no chão – disse:
- Ó André, afinal as moedas estão aqui. Caíram para trás do frigorífico.
O meu tio continuou a rezar e não disse uma palavra sobre o assunto.
Terminado o terço, fomos todos para a cama sem qualquer alusão ao acontecido.
Eles terão pensado na altura que eu não me apercebi de que aquele dinheiro encontrado no chão era o mesmo que eles afirmavam que eu tinha roubado.
Mas, eu vi bem os olhares que eles trocaram entre si e percebi que aquelas moedas eram as mesmas (duas brancas e três pretas) que eles disseram que eu tinha roubado de cima do frigorífico.
Para aqueles adultos, uma criança como eu não valia nada.
Talvez por isso, eu tratei sempre os meus filhos com seriedade e justiça, como se eles fossem pessoas adultas.
Quando regressei ao seio da minha família (deixando para trás todos os brinquedos que aqueles tios me tinham dado) eu levava esta grande alegria para contar ao meu pai:
- Papá, a madrinha encontrou as cinco moedas no chão, atrás do frigorífico. Como vês, eu não as roubei.
Nessa altura, ele abraçou-me muito e levantou-me no ar.
Depois disse-me:
- Ó minha querida filha, eu acreditei sempre em ti. Sei bem que tu nunca me mentiste. E queres saber uma coisa? Os teus tios bem querem perfilhar-te, mas eu nunca deixarei que isso aconteça. Nunca! [11]

sábado, março 12, 2005

Um homem pobre...mas feliz

O meu pai ia com frequência para longe de casa durante vários dias para fazer a fiscalização dos rios e das ribeiras. Ele ia de camioneta até certos sítios e, a partir daí, a viagem era feita a pé pelas serras, a corta-mato, seguindo aqueles cursos de água.
Os subordinados do meu pai (guarda-rios) acompanhavam-no e iam mostrando a este o trabalho por eles feito, as infracções verificadas, as multas aplicadas, as licenças concedidas, e os casos mais complicados que podiam acabar no tribunal.
Nesses longos percursos, os guarda-rios chamavam por vezes a atenção do meu pai para a necessidade de fazerem uma pausa e de comerem alguma coisa do farnel que traziam consigo.
Diziam eles:
- Meu chefe, é melhor nós pararmos aqui e aproveitarmos para comer qualquer coisa.
E tiravam dos cestos de verga que traziam pedaços de carne, de broa, e uma garrafa de vinho.
O meu pai dizia-lhes:
- Podem sentar-se e comer à vontade porque eu ainda vou dar por ali uma volta.
Isto ia-se repetindo ao longo do dia, de modo especial quando os muitos quilómetros percorridos exigiam ao corpo algum descanso e uma refeição mais substancial.
Mas, a resposta do meu pai era sempre a mesma:
- Sentem-se e comam porque eu vou comendo mesmo a andar.
E, ao dizer isto, ele continuava a andar enquanto tirava alguma coisa da sua mochila.
O meu pai nunca se sentou a comer junto aos seus funcionários. Comia sempre caminhando, o que era interpretado pelos subordinados como um excesso de zelo.
Só à noite, quando chegava a casa esgotado, é que nós ficávamos a saber que o meu pai tinha levado na sua mochila apenas três ou quatro pães que comia enquanto andava e que dobrava ao meio para que parecesse que eles tinham alguma coisa lá dentro.
O meu pai era o chefe de lanço. Mas, era muito mais pobre do que os seus funcionários (guarda-rios) que viviam nas aldeias remotas das serras e aí possuíam algumas terras que também agricultavam.
O meu pai sempre foi zeloso e cumpridor. Mas, aquilo que parecia um excesso de zelo era afinal um certo pudor em mostrar a sua pobreza.
Hoje, ao recordar estes factos, e tendo em conta as muitas ofertas que os guarda-rios faziam ao meu pai ao longo do ano (dizendo sempre “É para os seus meninos” – porque sabiam bem que este não aceitava nada para si), fico convencida de que aquele não conseguiu ocultar totalmente aos outros a pobreza de quem só tinha o seu magro ordenado de funcionário público e tinha sete filhos para criar. [10]

quinta-feira, março 10, 2005

Kinas Forever

tou a ver k este blog tem estado a crescer nao so no num de visitas como tambem na quatidade de pessoas k postam nele, parabens ao blog! vejam so k agora até a minha mae posta neste blog, ela k e dada às novas tecnologias!......
continua assim tio Kinas!

terça-feira, março 08, 2005

Aniversário

Olá Lucas:

Só hoje soubemos que tu fizeste 12 anos no passado dia 19 de Fevereiro.
Já não vamos a tempo de te desejar um feliz dia de aniversário.
Mas desejamos que todo este ano seja para ti cheio de saúde e alegria, com muito amor dos teus pais (Sérgio e Rosângela) e da tua irmã (Paula) e também com muitos êxitos nos teus estudos.
Muitos beijinhos da família de Portugal.

sábado, março 05, 2005

A verdade acima de tudo

O meu irmão Francisco tinha nascido no Hospital da Lousã.
Todos nós estávamos ansiosos por ir lá conhecê-lo.
O meu pai comprou na praça – sabe Deus com que dificuldade – um grande cacho de lindas bananas.
Depois de retirar as compras dos sacos, na cozinha, disse para os filhos ali presentes:
- Estas bananas são para nós levarmos à mamã, na visita que amanhã faremos ao Hospital.
Aquele dia passou.
No dia seguinte, um Domingo, o meu pai vestiu e arranjou os filhos. Depois, preparou-se para embalar o presente que ia levar à sua esposa. Então, deu-se conta de que tinham sido comidas muitas daquelas bananas.
Ao ver isto, o meu pai ficou muitíssimo perturbado. Assim, resolveu chamar todos os filhos à sua presença.
O tom de voz que ele utilizou era aquele que nós bem conhecíamos e que a todos aterrorizava.
Colocou os filhos em fila por ordem decrescente de idades, e a cada um deles perguntou se tinha sido ele que tinha comido as bananas.
A forma como foi feita aquela pergunta mostrava bem que o meu pai não admitia que alguém faltasse à verdade.
O interrogatório começou pelo Vítor, na altura com 18 anos. E terminou no Henrique, que então contava 7 anos.
Todos disseram que não tinham sido eles a comerem as bananas.
Perante isto, o meu pai decidiu:
- Então, vocês vão ser todos castigados. E começo já pelo mais velho que fica aqui comigo. Os outros vão embora, que eu depois vou chamando um de cada vez.
Os meus irmãos começaram a sair lentamente.
De imediato, eu resolvi dar um passo em frente e dizer ao meu pai:
- Papá, não lhes bata. Fui eu que comi aquelas bananas.
O meu pai mudou logo o seu tom de voz. E mandou que saíssem todos imediatamente da sala. Só ali fiquei eu e ele.
Aquele fixou o seu olhar no meu e disse-me:
- Nunca mais voltes a mentir. Eu conheço-te muito bem e sei que não foste tu a comer as bananas. Quem as comeu foi a Rosa e o Henrique. Mas, com a atitude que tu tomaste, impediste-me de os educar. Desta vez eu desculpo-te, porque sei que só o fizeste por amor a todos os teus irmãos.
Este episódio é um pouco triste. Sobretudo por ter acontecido num dia que devia ser só de alegria por irmos visitar pela primeira vez o meu irmão mais novo que acabara de nascer.
Hoje, porém, eu compreendo um pouco o meu pai. Ele tinha imenso gosto em levar aquelas bananas à esposa porque sabia bem que ela gostava muito delas e que se tratava de uma fruta que raramente era comprada em minha casa.
Recordo este facto porque ele mostra bem que o meu pai tudo fez para nos ensinar a nunca faltarmos à verdade.
Essa regra de conduta tem sido o princípio orientador de toda a minha vida e é também aquilo que eu procuro transmitir aos meus filhos, tendo a felicidade de verificar que eles compreenderam bem este valor. [9]